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Luta de classes no PSOL: alguns comentários Imprimir E-mail
Escrito por Ruy Guimarães   
Qui, 11 de Fevereiro de 2010
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Brilhante o artigo do professor Mario Maestri, intitulado ‘A luta de classe dentro do PSOL’. Embora não haja novidades, afinal luta de classes existiu no partido de Lênin, no PC Chinês de Mao, por que não existiria num partido com característica de frente, como o PSOL? A crítica de Maestri é absolutamente pertinente para a reflexão daqueles que pretendem construir uma alternativa revolucionária socialista para o povo brasileiro.

 

O texto de Maestri, após uma breve análise sobre as dificuldades de realização da conformação de uma Frente de Esquerda classista e, portanto, com perspectiva estratégica revolucionária, analisa as contradições de classe que se expressam dentro do PSOL através de "versões (sociais) do capital". Tais contradições estariam materializadas de um lado nas pré-candidaturas socialistas de Plínio de Arruda Sampaio e do ex-deputado Babá e de outro pela pré-candidatura de Martiniano Cavalcanti, representante do setor que busca diuturnamente a "acomodação à sociedade de classes, com o objetivo de nela se integrar como parlamentares e administradores, sob o compromisso de, no máximo, retocar o Estado burguês e, jamais, destruí-lo e refundá-lo sob a ordem do trabalho".

 

Da leitura que Maestri faz da pré-candidatura presidencial de Martiniano Cavalcanti é possível uma generalização sobre o que é o PSOL. Já escrevi em algum momento a respeito desse partido, lembrando que na primeira reunião do seu Diretório Nacional a grande polêmica se deu em torno do lançamento da pré-candidatura presidencial de Heloisa Helena. O setor hegemônico do PSOL, ao qual pertence Martiniano, preconizava o lançamento da pré-candidatura durante o Fórum Social Mundial, que naquele ano realizava sua última edição em Porto Alegre, aproveitando os flashes da mídia mundial. A minoria socialista e revolucionária era contrária, argumentando com a necessidade de construção de um arco de aliança estratégico e com perfil classista alicerçado sobre um corpo programático anticapitalista.

 

Venceu a lógica eleitoral, claro. Ou seja, já naquela época, apesar da presença de companheiros da mais alta seriedade e compromisso com a transformação revolucionária da sociedade brasileira, o PSOL dizia a que vinha. Alguns companheiros mais chalaceiros dizem que o PSOL é o PT requentado. Eu costumo dizer que é uma espécie de alter ego do PT. O caso da contribuição da Gerdau à campanha do partido em 2008, em Porto Alegre, é paradigmático do trilho que o orienta.

 

Lembrando da campanha de 2006, Maestri sublinha o seu caráter moralista-burguês com apelo central à "denúncia da corrupção". Este foi, também, o tom da campanha de 2008 em Porto Alegre, da campanha "Fora Yeda" capitaneada pelo CPERS-Sindicato no Rio Grande do Sul e tem sido também o tom da campanha "Fora Arruda" no Distrito Federal.

 

Não que não se deva denunciar a corrupção, os corruptos e exigir-lhes punição. Mas qualquer campanha classista deve ir além desse caráter moralista, denunciando à sociedade que a corrupção é intrínseca ao modo de produção capitalista, apontando a perspectiva socialista como única maneira de superá-la e às demais mazelas que atingem o povo.

 

No mesmo parágrafo, o texto de Maestri registra que "sem unificação programática (naquela eleição), não houve unificação orgânica, durante e após as eleições". Quem milita diretamente nos movimentos sociais, em particular no movimento sindical, sabe bem que tal unificação, até que as esquerdas superem suas concepções hegemonistas, infelizmente será uma quimera. O editorial ‘Sinergia’ do Correio da Cidadania, que provocou o artigo de Maestri, saúda a vindoura "unificação das duas centrais sindicais socialistas - Intersindical e Conlutas".

 

Certamente não por desinformação ou por má intenção, mas o editorial olvida a existência de duas Intersindicais. Uma impulsionada pelo PSOL, esta que está prestes a se unificar com a Conlutas, cuja consigna é "Instrumento de luta, unidade da classe e de construção de uma nova central". Outra impulsionada pelas correntes sindicais Unidade Classista/PCB, ASS, Resistência Popular e Independentes, cuja consigna é "Instrumento de Luta e Organização da Classe". Perceba-se a sutil diferença de concepção sintetizada pelas consignas. Uma menciona a construção da nova central. A outra tem como preocupação central e primeira a luta e a organização da classe. Para esta Intersindical, a construção de uma nova central deve ser resultado da unidade real nas lutas concretas da classe e não mero fruto da vontade e de acordos de ocasião de dirigentes e vanguardas político-partidárias.

 

A construção de uma nova central que se pretenda instrumento de luta da classe contra o capital não pode ser motivada pelas benesses financeiras advindas do Estado burguês via imposto sindical. Uma nova central sindical é uma grande obra que deve ser construída sobre sólidos alicerces político-ideológicos e cimentada com um forte compromisso de classe, sob pena de se tornar rapidamente uma espécie de alter ego da CUT. A unidade intersindical deve apontar para a classe o caminho da luta anticapitalista e antiimperialista, única forma de garantir conquistas históricas e buscar novas vitórias rumo à construção do socialismo. Deste modo, tenho sérias dúvidas sobre o futuro dessa unificação entre aquela Intersindical e a Conlutas, em razão do método e dos reais motivos que subjazem a esse processo.

 

Quanto à reedição da Frente de Esquerda para as eleições, oxalá ocorra, desde que com caráter explicitamente anticapitalista e antiimperialista e livre das tendências hegemonistas, com respeito e isonomia, que não seja um mero somatório de siglas para ampliar espaço na TV e rádio e dar quociente eleitoral para uns e outros. E que amadureça para uma "unificação orgânica, durante e após as eleições". Não é possível formar uma Frente de Esquerda para disputar as eleições e nos anos seguintes as forças majoritárias dessa Frente praticarem a exclusão de companheiros nas frentes de lutas, ou mesmo armarem situações artificiais para expulsar lutadores das entidades de forma a garantir hegemonia absoluta, como ocorre comumente no movimento sindical. Não é possível formar uma Frente de Esquerda para disputar as eleições burguesas e em eleições sindicais se aliançar com a CUT para garantir espaços nos aparelhos.

 

Uma Frente de Esquerda construída a partir de uma perspectiva estratégica proletária, para além das eleições burguesas, deve trabalhar pela construção do Bloco Revolucionário do Proletariado, como elemento galvanizador das lutas anticapitalistas e antiimperialistas. De acordo com a Declaração Política emanada do XIV Congresso do PCB, "a constituição do proletariado como classe que almeja o poder político e procura ser dirigente de toda a sociedade é um projeto em construção e não existem fórmulas prontas para torná-lo efetivo politicamente. Como tudo em processo de formação, a constituição desse bloco exige que o PCB e seus aliados realizem um intenso processo de unidade de ação na luta social e política, de forma que cada organização estabeleça laços de confiança no projeto político e entre as próprias organizações".

 

Deste modo, faz-se necessário o desenvolvimento de relações profundas com o conjunto dos movimentos populares, nas lutas de resistência do povo em seus locais de moradia e de trabalho, a fim de contribuir para a sua organização. O programa de uma Frente de Esquerda anticapitalista e antiimperialista, além das questões imediatas de interesse do povo como trabalho, salário digno, moradia, educação e saúde públicas, gratuitas e de boa qualidade etc., deve agitar ampla e fortemente a bandeira por uma nova Lei do Petróleo, a extinção da ANP, o fim dos leilões das bacias petrolíferas, a reestatização da Petrobras sob controle dos trabalhadores.

 

Ruy Guimarães é professor de História e militante do PCB/RS.

 

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