Por trás da navalha

0
0
0
s2sdefault

 

Pode ser que não haja nada por trás dos acontecimentos. No entanto, como gato escaldado tem medo de água fria, algumas perguntas são pertinentes, por mais incômodas que possam parecer.

Por que apenas uma empreiteira “pouco profissional” está sendo arrolada na “máfia das licitações”, quando todo o mercado sabe o que acontece nessa área, principalmente com as grandes empreiteiras?

Por que a revista Veja preparou um tiro de escopeta contra o senador Calheiros, embora com pólvora ruim e bala de festim? Só para causar balbúrdia, levantar suspeição e “sujar” o presidente do Senado?

Por que a Polícia Federal usa e abusa da prisão preventiva e do noticiário farto sobre figuras contra os quais as acusações são frágeis, inconsistentes e, em vários casos, falsas, como são os casos do ex-ministro de Minas e Energia, do prefeito de Camaçari e, tudo indica, agora, do irmão de Lula?

Uma de três. Ou há um plano para desmoralizar as prisões efetuadas pela PF, ao arrastar no mesmo camburão delinqüentes menores e inocentes, de modo a evitar que a navalha prossiga seu curso e atinja grandes delinqüentes. Ou há um plano efetivo para juntar delinqüentes e inocentes num mesmo cesto, de modo a desmoralizar politicamente os inocentes e comprometer o governo. Ou há uma guerra interna na PF, onde valem todas as armas, as prisões de delinqüentes servindo para mostrar que a polícia está fazendo um bom trabalho para o país, e as prisões de inocentes servindo para paralisar qualquer tentativa de colocar a PF sob a tutela governamental, como deve ser em qualquer país.

Qualquer uma das três opções é preocupante. A experiência histórica mostra que, quando a polícia, a pretexto de prender delinqüentes, começa a arrastar na mesma ação inocentes de diferentes tipos, os resultados podem variar de farsantes a trágicos. Portanto, ou o governo descobre logo quem está por trás da navalha, e toma as medidas pertinentes, ou corre o risco de se enredar em alguma trapalhada séria.

 

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

Para comentar este artigo, clique {ln:comente 'aqui}.

 

Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.

Relacionados