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O apagão informativo sobre a ajuda cubana no Haiti Imprimir E-mail
Escrito por David Lindorff   
Qui, 04 de Fevereiro de 2010
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Nos primeiros dias, os mais críticos, após o terremoto que arrasou o Haiti, somente duas agências de notícias estadunidenses informaram a respeito da rápida resposta cubana à tragédia. Uma delas foi a Fox News, que afirmou erroneamente que os cubanos estavam ausentes da lista de países caribenhos vizinhos que prestaram ajuda. O outro veículo foi o Christian Science Monitor (uma respeitada agência de notícias que encerrou recentemente sua edição impressa), que informou corretamente sobre o fato de Cuba ter enviado 30 médicos ao Haiti.


O Christian Science Monitor, num segundo artigo, citava Laurence Korb, ex-subsecretário de Defesa e atualmente membro do Centro pelo Progresso Americano, que declarava que os EUA, líderes dos esforços de socorro ao Haiti, deveriam "pensar em aproveitar os conhecimentos da vizinha Cuba", afirmou, "que conta com alguns dos melhores médicos do mundo. Deveríamos tratar de transportá-los em avião para o Haiti".

 

No que se refere aos demais meios de comunicação estadunidenses, simplesmente ignoraram Cuba.

 

Na verdade, omitiram a informação de que Cuba já contava com quase 400 médicos, paramédicos, além de pessoal da área sanitária enviado ao Haiti para ajudar no dia-a-dia das necessidades deste quesito no país mais pobre das Américas, e que esses profissionais foram os primeiros a responder ao desastre, levantando um hospital justamente ao lado do principal hospital de Porto Príncipe, derrubado no terremoto, assim como o hospital de campanha em outra parte bastante abalada da cidade.

 

Longe de "não fazer nada" após o desastre, como afirmavam os propagandistas direitistas da FOX TV, Cuba foi um dos países que responderam de maneira mais eficaz e crucial a esta crise, posto que antes do terremoto já havia criado uma infra-estrutura médica que foi capaz de mobilizar-se rapidamente para começar a tratar as vítimas imediatamente.


Como era previsível, a resposta de emergência estadunidense se centrou principalmente, ao menos em termos de pessoal e dinheiro, no envio de um enormemente custoso e ineficiente aparato militar – uma frota de aviões e porta-aviões -, fator que deve ser levado em conta ao se examinar a cifra de 100 milhões de dólares que a administração Obama afirma ter destinado à ajuda emergencial no Haiti.

 

Tendo em conta que o custo de operar um porta-aviões, incluída a tripulação, é aproximadamente dois milhões de dólares por dia, somente o envio de uma companhia a Porto Príncipe durante duas semanas consumirá a quarta parte da anunciada ajuda estadunidense. E ainda que muitos dos soldados enviados certamente trabalharão ajudando de fato, distribuindo e custodiando os suprimentos, a longa história estadunidense de brutal controle militar/colonial sobre o Haiti inevitavelmente induz a temores de que outros soldados se dediquem a assegurar a sobrevivência e controle da elite haitiana e políticos parasitas pró-EUA.

 

Por outro lado, os EUA ignoraram o dia-a-dia da permanente crise humanitária do Haiti, enquanto Cuba esteve fazendo o trabalho de proporcionar atenção sanitária básica.

 

Não é que estava difícil encontrar cubanos em Porto Príncipe. O Democracy Now dispunha de um informe, igual ao que possuía a revista Notícias de Cuba, com base em Washington. O que acontece é que contar para os estadunidenses as boas ações de um país pobre e orgulhosamente comunista não é exatamente algo que os meios corporativos estejam dispostos a fazer.

 

David Lindorff é jornalista, ex-filiado do Partido Democrata e mora na Filadélfia.

 

Traduzido ao espanhol por Rebelión e ao português por Gabriel Brito, Correio da Cidadania.

 

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Última atualização em Qui, 04 de Fevereiro de 2010
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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