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Mesmo afogada, população é reprimida pelo poder público de SP Imprimir E-mail
Escrito por Rodrigo Mendes; colaborou Gabriel Brito   
Sábado, 23 de Janeiro de 2010
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A intensa série de chuvas no último mês, em todo o país, tem causado enchentes e desastres, destruindo cidades inteiras, desabrigando milhares de pessoas e provocando uma quantidade alta de mortes. Em diversas regiões do Brasil, o drama se repete. O problema não é novo, ainda que seja mais cômodo para governantes tratarem-no como se o fosse, lidando com a tragédia de forma "emergencial", como simples e imprevisíveis desvarios da natureza.

 

Especialistas e estudos verificados pela reportagem apontam que a política de moradia e urbanização das cidades influencia diretamente nessa situação. Primeiro porque a falta de uma política que permita às pessoas terem acesso à moradia digna em zonas mais centrais da cidade – em geral em milhares de imóveis vazios usados para obtenção de lucro fácil por meio da especulação imobiliária – induz à ocupação irregular, em condições mais que precárias, em áreas que deveriam ser protegidas, aumentando a impermeabilização do solo, dentre outras conseqüências.

 

Isso provoca um aumento generalizado do trânsito, situação aguda que se tornou crônica em São Paulo. As condições de moradia também são um caso de saúde pública alarmante, pois as doenças proliferam sob condições de vida tão degradantes. E a qualidade da água usada para abastecer a cidade fica ameaçada. Segundo estudo da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, desde 1996 aumentou em 50% a urbanização do entorno da represa Guarapiranga, responsável por boa parte da água fornecida à região metropolitana de São Paulo.

 

E quando as comunidades de moradores conseguem avançar no processo de urbanização, isso ainda não os livra dos riscos de chegarem do trabalho e terem em suas casas metros de água alagada, destruindo por completo seus pertences. Relato de uma moradora do Jardim Lucélia, na região do Grajaú, que se localiza inteiramente sobre área de mananciais, retrata a situação.

 

Segundo ela, neste mês se presenciou o primeiro caso de enchente no bairro em 21 anos, coincidindo com o início de obras de canalização do córrego vizinho. Diversas casas foram tomadas pela água e várias pessoas que estavam dentro de suas residências ficaram presas pela pressão da água. "A força da água não deixava a gente abrir a porta", explica. Essa moradora conta que, com sua família, foi obrigada a pular a janela para conseguir sair e presenciar o desespero dos vizinhos.

 

Enormes perdas foram relatadas, incluindo eletrodomésticos, alimentos e móveis. Muitas famílias ficaram absolutamente impossibilitadas de sequer entrar de volta em suas casas e de ter acesso à comida. Ela diz que "antes de sair de casa, começamos a receber vários telefonemas de vizinhos, pedindo ajuda para saírem de casa ou salvar suas coisas".

 

A população então foi às ruas, iniciando um protesto pela falta de atenção do poder público. Para essa moradora, "a política de habitação que temos leva a isso, as pessoas não têm acesso ao direito básico de ter uma moradia decente". Com a chegada da polícia e a diminuição do nível da água, os ânimos foram sendo acalmados, até que a comunidade decidiu ir à subprefeitura da Capela do Socorro, responsável pela área, pressionar por medidas em favor das pessoas que estavam desalojadas e em condições sub-humanas.

 

Com a ajuda da polícia, os manifestantes pararam dois ônibus, que foram autorizados pela empresa proprietária a levá-los à sede da subprefeitura. "Depois que apenas algumas pessoas haviam entrado, trancaram o portão, não queriam deixar mais ninguém entrar", conta. Após muita insistência, a comunidade foi recebida e conseguiu a garantia de que seriam mandados dois caminhões, um pipa para o abastecimento de água – ironicamente, nem água para limpar as casas as pessoas tinham – e outro para a remoção do lixo trazido pela enxurrada.

 

Passado o prazo que os responsáveis haviam dado para os serviços serem feitos, um novo protesto começou. "Já dava para esperar isso, as pessoas estavam na rua há bastante tempo, não tinham acesso à comida, não tinham como dar banho nas crianças", diz a moradora. "Começamos a preparar refeições coletivas, pois era o que dava para fazer".

 

Com esse novo protesto iniciado, a polícia não demorou mais do que vinte minutos para aparecer, dessa vez com uma postura muito menos cooperativa para com a população.

 

Ameaçando manifestantes, os agentes da lei usaram balas de borracha e a tropa de choque sacou seus escudos, ao mesmo tempo em que removia as identificações de seus uniformes. "Vários de nós pedíamos calma aos policiais, mas eles nos desrespeitaram, xingaram cidadãos" acusa.

 

Essa moradora pondera que o protesto poderia ter tomado rumos muito mais violentos, já que as condições degradantes das pessoas da região são desesperadoras. Ainda assim, ela conta que grande parte da mídia, como a rede Globo e o apresentador José Luiz Datena, assumiram a postura condenável e já tão conhecida de criminalizar o movimento, que está organizado e canaliza os anseios e problemas da comunidade local.

 

A rede Globo chegou a veicular, segundo esse relato, que a subprefeitura tentou tomar medidas para auxiliar os moradores mas foi impedida pela população. Como se vê pelo relato, houve pressão intensa para que algo fosse feito, mas o que prevaleceu foi o descaso.

 

Hoje, a situação não está estabilizada. Ainda há possibilidade de novas cheias e famílias ainda se encontram em situação de risco. Segundo o relato feito à reportagem, a comunidade ainda está organizada, esperando que o poder público, que deixou a situação chegar a tal ponto, reaja para reverter a situação da região.

 

Rodrigo Mendes é jornalista.

 

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Última atualização em Qui, 28 de Janeiro de 2010
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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