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Afeganistão: do militar ao econômico Imprimir E-mail
Escrito por Virgilio Arraes   
Sexta, 15 de Janeiro de 2010
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No início da campanha presidencial de 2008, o ponto fraco dos republicanos havia sido a política externa, mas não a ponto de debilitar totalmente a sua candidatura, representada por um experiente senador do Arizona, John McCain, provindo de uma família de destacados militares, característica importante em um país com duas confrontações em andamento ao revés.

 

Por seu turno, os democratas concentraram-se na renovação, ao fazer a escolha em um jovem professor universitário, Barack Obama, da área de direito constitucional. Filho de pai queniano e de mãe norte-americana, ele era senador por Illinois, estando à frente de seu primeiro mandato.

 

Habilidoso retoricamente, o candidato oposicionista soube apontar bem as falhas da ação externa de seu país, principalmente no tocante à segunda versão da Guerra do Golfo, deslegitimada perante a sociedade internacional desde o seu alvorecer, em março de 2003.

 

Assim, os Estados Unidos deveriam centrar-se mesmo no Afeganistão, território em que, malgrado os esforços despendidos até aquele momento por intermédio da Força Internacional de Assistência para Segurança, Estado e nação ainda se encontravam dissociados, o que favorecia a atuação de grupos extremistas, de viés, à primeira vista, anti-ocidental.

 

Favorecidos involuntariamente ao fim do processo eleitoral, em função da crise econômica, os democratas retornaram à Casa Branca muito conscientes das condições desfavoráveis herdadas, tendo em vista terem sido elas as responsáveis, paradoxalmente, pela sua vitória.

 

Deste modo, a implementação célere de novas diretrizes administrativas seria um imperativo, sob o risco de subscrever aos olhos do eleitorado a gestão republicana.

 

No centro da política externa, isto se materializaria de maneira sumária na retirada da maioria das tropas do Iraque até 2011, no encerramento das atividades presidiárias da base de Guantánamo até o começo de 2010 e na intensificação dos esforços no Afeganistão também neste último ano. Das três metas, nenhuma delas se executou em ritmo adequado.

 

Tendo em vista que a presença anglo-americana não se resume ao braço armado de seus governos, há a presença de corporações privadas pertencentes basicamente aos setores de energia e de segurança. Lá, embora a atuação de ambos entrelace-se bastante, ela não é suficiente no momento para assegurar o funcionamento regular das unidades de produção e dos equipamentos e, por conseguinte, proporcionar o lucro esperado.

 

Chegou-se, portanto, a um impasse, haja vista o período de permanência das tropas anglo-americanas em solo afegão, praticamente três mil dias com um custo diário de milhões de dólares, sem a perspectiva remota de vitória, um tempo muito superior ao da época da Segunda Guerra Mundial, quando elas enfrentaram as mais poderosas forças armadas da Europa: a Alemanha.

 

Além do mais, o grupo de Hamid Karzai, apesar de todo o apoio ocidental, mal conseguiu superar no último pleito presidencial os seus adversários, a não ser que se ponham de lado as constantes denúncias de fraude ao longo da campanha eleitoral.

 

Some-se a isso o fato de que o país continua a providenciar a maior parte da matéria-prima para a fabricação de heroína, com parte da renda auferida destinada a financiar as atividades do Talibã.

 

Desta maneira, deve-se trazer novamente à tona uma efeméride da recente história afegã: a presença militar da extinta União Soviética em seu território, a datar da véspera do Natal de 1979. A razão para o deslocamento daquelas tropas foi a de apoiar os comunistas locais e ao mesmo tempo conter a emergência de movimentos integristas.

 

Quase dez anos mais tarde, os soviéticos retiraram-se do país sem muito a celebrar. A fim de abrandar o desgaste político – o ‘Vietnã da URSS’ – Moscou oficiosamente expressava que aquela situação somente havia sido possível devido ao apoio indireto, porém maciço, de Washington, por meio do fornecimento de armamentos e do provimento de auxílio técnico, notadamente aos setores mais radicais da resistência.

 

De certa maneira, invocou-se cá a mesma argumentação do momento de saída dos contingentes estadunidenses do Vietnã do Norte – a ajuda chinesa aos sul-vietnamitas.

 

Desta feita, a situação desfavorável ocorre sem o concurso algum de uma grande potência, o que fortalece ainda mais o abatimento da Casa Branca.

 

Como medida temporária, visto que não há o aparato governamental necessário para garantir o andamento normal das atividades de reconstrução do Afeganistão em vários locais, os ocupantes recorrem à tática da proteção junto a chefes locais, via pagamentos, ou seja, cooptam-nos.

 

Há um efeito involuntário na aplicação pragmática de tal medida, também experimentada no Iraque: a transformação do país de Estado aliado em cliente, o que não teria ensejado, portanto, a necessidade de uma guerra, sem serventia alguma, ao custo de milhares e milhares de vidas em quase uma década.

 

Virgílio Arraes é doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

 

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