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O que há por trás desses e-mails esquisitos? Imprimir E-mail
Escrito por Pergentino Mendes de Almeida   
Quarta, 16 de Dezembro de 2009
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O pessoal de pesquisas de mercado e de opinião estranha este tipo de e-mail que anda circulando por aí. Na comunidade virtual, pergunta-se que tipo de golpe é esse.

 

Tem toda a aparência de coisa pouco séria (e, se me perguntarem, direi que acho que não é séria). Mas ainda assim pode ser para valer.

 

Transcrevo, como exemplo, tal como veio originalmente, sem acentuação:

 

Para: Fulana de Tal
Data: Sábado, 12 de Dezembro de 2009, 12:17

 

Ola leitores,

 

Boa noite!

 

Como sabem, estamos com uma promocao que vai dar uma camera digital a prova dagua (voce pode mergulhar na praia ou piscina ate 3m de profundidade filmar e fotografar) e um Azzaro Silver Black.

 

Mas como nao somos os unicos a oferecerem premios, vamos dar hoje varias dicas resumidas para voces. Eu ja me cadastrei em todas.. nao custa nada ne? Cadastre-se tambem. Nao leva mais que 5 minutos em cada uma... e rapido facil e o retorno sao premios incriveis.

 

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**

 

Não sei se quem enviou o e-mail acima está armando um golpe ou não, falo de modo geral. A falta de recursos próprios da língua portuguesa (acentos, cedilhas) parece indicar uma origem, digamos, global.

 

Há vários anos ocorreu o evento e-net patrocinado pela ESOMAR, em Dublin. Eu estava presente. Em termos de evento, foi um sucesso. Havia pessoas do mundo todo e os presentes às sessões plenárias estavam na casa das muitas centenas de profissionais. Principalmente das grandes empresas mundiais, clientes e fornecedoras, já que nem todas as pequenas e médias podem pagar anuidades e eventos da ESOMAR. Portanto, predominavam as entidades que realmente importam.

 

E, com grande fanfarra, falou-se com entusiasmo das novas técnicas de pesquisa proporcionadas pela Internet: questionários e entrevistas automatizados, resultados de campo de milhares de casos em dois dias, resultados em tempo real apresentados em cores e gráficos, focus groups on-line nos quais o cliente pode interferir livremente e que podem mesmo dispensar moderadores, assim como, nas quantitativas, na época previa-se a desnecessidade de entrevistadores e supervisores de campo. Pois o questionário, automático, pode ser respondido pelo entrevistado surfador de internet.

 

Evidentemente, você não pode simplesmente botar na internet um questionário e esperar que respondam assim sem mais nem menos. Donde, a necessidade de estímulos: você oferece prêmios, sorteios, concursos, em troca de a pessoa cadastrar-se e fornecer seus dados pessoais, mais a disposição de responder a questionários de pesquisa, quando solicitados. Se respondem, ainda ganham mais pontos para sorteios.

 

Trata-se de uma industrialização do esquema de fraudes de recrutamento que ocorre há quarenta anos no caso das discussões em grupo. Montam-se painéis de respondentes regulares recrutados em escala global e mantidos com estímulos e prêmios.

 

Ora, tudo isso não era um sonho para um futuro idealizado. Várias grandes empresas estavam implementando essas idéias. No penúltimo dia do Encontro, houve uma apresentação de quatro delas a respeito de seus respectivos painéis. Todos eles ofereciam resultados imediatos a preços imbatíveis, tudo computadorizado. Nada de equipes de campo.

 

A primeira apresentadora era uma senhora, representante de uma grande empresa internacional. Tinha, na ocasião, um painel disponível de cerca de 3.000 pessoas e esperava aumentá-lo para 10.000 até o final do ano. Podia garantir amostras pré-qualificadas de centenas de respondentes em uma semana, com os cruzamentos básicos de praxe. Um preço irrisório por pergunta, não lembro quanto.

 

O segundo apresentador garantiu que tinha um painel mais diversificado e amplo, contando com 30.000 pessoas dispostas a responder a qualquer tipo de pesquisa. Tudo em menos de uma semana.

 

O terceiro tinha um painel de 100.000 pessoas. Desse painel, poderia selecionar públicos-alvos diversos e entregar resultados com cruzamentos em dois dias. Igualmente barato. Parecia aquela disputa de meninos púberes, a ver quem tem o pinto maior. O que sobraria para o quarto apresentador?

 

Era um senhor gordo, arrogante e barrigudo, que ofereceu um painel de 3.000.000 de respondentes. Prazos menores do que os outros e preços ainda menores. Resultados on-line em tempo real, gráficos coloridos que vão mudando durante o campo, que poderia fechar em um ou dias milhares de entrevistas com pessoal qualificado em escala mundial.

 

Pois o quê é mais importante do que preços e prazos curtos na pesquisa? Qualidade e confiabilidade dos dados, responderam alguns dos presentes. Ora, respondeu o nosso expositor, isso é perda de tempo e relativamente menos importante do que ter um prazo tão curto e um preço tão barato como o dele.

 

A sua lógica era a seguinte: todos sabemos que o ideal é a amostragem probabilística. Mas a amostragem probabilística exige uma série de requisitos teóricos que na prática são impossíveis de se seguirem. Trata-se, então, de uma fantasia alimentada pelos acadêmicos, porém, impossível. Então, qualquer outro processo é melhor do que nada e, portanto, válido desde que se obtenha algum dado, qualquer dado que fundamente alguma decisão prática.

 

Houve protestos. Muitos dos presentes não pareciam entusiasmados com essas promessas. Mas outros aplaudiam principalmente os de grandes clientes multinacionais.

 

Ao meu lado, sentava-se uma amiga minha, responsável pelas pesquisas regionais de uma respeitável multinacional. Ela estava aplaudindo com ênfase as propostas dos apresentadores. Cutuquei-a e perguntei-lhe:

 

"Mas esses caras não oferecem nada daquilo que vocês exigem de nós, que trabalhamos para vocês. Nós temos de ser diretamente supervisionados por vocês, apresentar nossos procedimentos-padrão, fazer treinamento de entrevistadores, supervisão, verificação, crítica, reposição de entrevistas, além dos sorteios proporcionais por cidade, bairro e quarteirão, e mais as garantias de confidencialidade, de guarda de produtos e cartões de entrevistas. Esse pessoal não tem nada disso e ainda bota na internet toda a descrição dos seus planos de lançamento de novos produtos, para pesquisar com amostras totalmente fora de qualquer critério de representatividade. Você acha isso aceitável?" Ela respondeu: "É que vocês podem atender a essas exigências, mas eles não podem. Se formos exigir tudo isso deles, então não poderemos fazer pesquisa por internet".

 

E depois se apresentou uma representante do sistema de simulação de novos produtos mais importante do mundo. Contou que estavam adaptando o modelo para aplicação em painéis exclusivos da internet. Jurou que faziam testes de validação e que, no caso deles, os resultados eram tão aceitáveis quanto os obtidos por amostras colhidas mediante os critérios da Estatística.

 

Mas, é claro, a empresa goza do privilégio de ter de seu próprio método e, portanto, ela se reservava o direito de não se explicar melhor.

 

Mais objeções. Perguntas. Questionamentos. Afinal, ela, encurralada, disse mais ou menos isso: "O que importa é que nós fornecemos previsões em poucos dias através do nosso exclusivo painel, e as nossas previsões funcionam, de acordo com nossos dados confidenciais. Representatividade e amostragem são coisas de teóricos e não têm qualquer importância".

 

Pela primeira vez, presenciei, num evento civilizado daquele porte, uma vaia tão espetacular.

 

**

 

Pois é, o ideal de hoje é pesquisa sem entrevistadores. Amanhã, sem campo nem dados. As pesquisas quantitativas acabarão com as pesquisas.

 

E agora, com os softwares de busca de palavras-chave e análise de conteúdo (veja no Google o que é isso), as pesquisas qualitativas serão feitas on-line, sem recrutadores, sem moderadores, sem analistas, sem institutos, sem fornecedores, sem despesas, sem demoras, sem pensamento.

 

E ainda: modelos de simulação, com base em data-mining, observação em tempo real e fim da privacidade (aguarde para breve uma explicação melhor disso), irão dispensar entrevistados e a participação de consumidores.

 

No Capitalismo Financeiro, o ideal é ganhar dinheiro usando dinheiro. Sem precisar de produção. De mão-de-obra. Sem consumidores. Produção e consumo são roldanas secundárias na engrenagem de girar dinheiro, mas o importante mesmo é girar o dinheiro.

 

A cada rodada de papel que você emite, você ganha mais dinheiro, em novos papéis. Quando a coisa der para trás, os governos cobrarão mais impostos, emitirão mais papel e bancarão o prejuízo dos poucos que importam e que nunca perdem.

 

Nota importante: às vezes a gente exagera a expressão de um pensamento para salientar a importância atribuída ao pensamento. Por exemplo, você descreve um futuro absurdo a partir de desvarios atuais de pessoas desavisadas. Não é este o caso dos últimos parágrafos acima. Eles descrevem esforços concretos atualmente em curso em várias empresas e governos.

 

Acompanhem algumas dessas coisas no meu blog: http://anexfuturos.blogspot/ e fiquem à vontade para deixar lá suas opiniões e críticas.

 

Pergentino Mendes de Almeida é diretor da AnEx – Analytical Expertise & Scenarios. E-mail: pma(0)anexfuturos.com.br

 

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Última atualização em Qui, 17 de Dezembro de 2009
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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