Judas e Jesus

 

Causou escândalo a afirmação do senhor Lula da Silva de que, para governar o Brasil, precisava fazer-se alianças de todo o tipo, inclusive, de Jesus com Judas. Ora, toda aliança tem um objetivo. Os socialistas, na Segunda Grande Guerra, fizeram aliança com um segmento objetivando derrotar o nazifascimo. Era uma aliança urgente e necessária.

 

O centro da aliança, portanto, é o objetivo. Para governar o Brasil, um país capitalista cheio de contradições, seria preciso muitos arranjos, muitas mutretas, mensalões e sanguessugas. Portanto, segundo o "nosso" presidente, é natural que se conviva harmoniosamente o agronegócio com "os sem terra", a prospera indústria com os trabalhadores carentes, a burguesia com os trabalhadores.

 

Aliás, a decretação do fim da luta de classes foi feita em 1912/ 1913 quando a maioria dos "socialistas e comunistas" abandonou esse caminho para assumir outra trilha.

 

Depois disso, já não se fala mais em burguesia e trabalhadores. Fala-se tão somente em interesses nacionais e tudo é posto como se o mundo fosse dividido entre nações opressoras e nações oprimidas.

 

Assim, é obrigatório que se façam alianças que caibam de Jesus a Judas conforme confessou o presidente. Em torno de tal mudança, ou seja, deixando de lado a luta de classes, floresce o nacionalismo para respaldar os interesses de castas e classes dominantes.

 

Até mesmo houve uma revolução semântica, não se falando mais em burguesia e proletariado. Fala-se em elite, cidadania, Estado de Direito, nosso Brasil, nossos avanços e conquistas, sem deixar claro que nesse "nosso" estão os interesses deles.

 

Dentro desses novos parâmetros, a direita seria aquela que defende o livre mercado, o estado mínimo. Esses sim, representam a direita e devem ser "ferozmente" combatidos. Quanto à esquerda, o leque é muito amplo, basta se colocar contra as privatizações e que se amplie a intervenção do Estado. Aliás, como se vê, deixou de existir esquerda, pois ser esquerdista seria muito mais do que ser estadista. Ser esquerda é ser anti-capitalista.

 

Gilvan Rocha é presidente do CAEP - Centro de Atividades e Estudos Políticos.

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Comentários   

0 #2 EstratégiaZilda 12-11-2009 14:03
Gilva, suas críticas são pertinentes mas são tantos a fazê-las que eu gostaria de sugerir algo a você: que tal artigos em que você demonstraria de que forma seria feita a revolução anticapitalista, que caminhos seguir para alcançar o objetivo de estabelecer a sociedade socialista em nosso país levando em conta a conjuntura nacional e internacional. É possível estabelecer uma estratégia e táticas revolucionárias para superar o capitalismo? "O que fazer?". Penso que educaria e reativaria a esperança. "A novidade socialista acontece com poder e não com tagarelice, com trabalho árduo de comprovação e não com lábia desleal", Ernst Bloch.
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0 #1 Judas e JesusWilliam 09-11-2009 13:08
1Corroborando com esse artigo de Gilvan Rocha, trago trechos de "Para Entender os Sindicatos no Brasil...\\\",que o Waldemar Rossi e eu escrevemos, encontrados nas páginas 92 e subsequentes:



"Temos que levar em conta, porém, que essa crise na direção do proletariado se revela em graus e formas distintos em cada situação e nos diversos países do mundo. ...



Quando o sistema capitalista enfrenta conjunturas de crises, é comum surgir, nos fóruns de esquerda, os seguintes temas de discussão: “a importância da governabilidade para se negociar novas conquistas para os trabalhadores”, “a necessidade dos pactos sociais para que o sindicalismo consiga chegar à modernidade” etc. Essas preocupações, no mínimo, demonstram uma insegurança quanto à viabilidade da construção do socialismo, sendo que contribuem para dificultar o questionamento mais franco do próprio capitalismo.

...

Na sua lógica de submissão aos patrões, esse governo dividiu o movimento sindical: primeiro, colocando o trabalhador da empresa privada contra o funcionalismo público – afirmando serem, esses últimos, privilegiados; depois, cooptou para o governo os dirigentes da CUT.



Criou, entre outros, um conselho tripartite, o Fórum Nacional do Trabalho (com representantes do governo, dos patrões e das centrais sindicais de trabalhadores), que elaborou propostas de reformas constitucionais para as áreas trabalhista e sindical, as quais permitirão um retrocesso para o período anterior a Getúlio Vargas, quando os patrões podiam, simplesmente, atrasar os relógios para aumentar as jornadas de trabalho, sem ter que pagar o equivalente aos trabalhadores. ..."
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