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A cultura plebéia a caminho do poder no Uruguai Imprimir E-mail
Escrito por Raú Zibechi   
Sábado, 24 de Outubro de 2009
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O mais que provável triunfo de Jose Mujica, que será eleito presidente no primeiro ou segundo turno, ou seja, entre 25 de outubro e 29 de novembro, é de algum modo a vitória de um jeito plebeu de fazer política, em um país onde a cultura das classes médias ostenta uma potente hegemonia.

 

Diferentemente de países como Bolívia e Argentina, onde a cultura popular dos de baixo sempre teve uma fortíssima estampa, que marcou a fogo a história recente, no Uruguai, desde o começo do século 20, se impôs um modo pouco estridente, pacato e moderado de expressar opiniões e mobilizações dos setores populares. Alguns chamaram essa cultura de ‘institucionalizaçao’, enquanto outros apontaram o predomínio de uma cultura política ‘amortecedora’ como forma de explicar as particulares configurações de um país onde as camadas médias não só foram quantitativamente importantes como também logo se tornaram referência obrigatória para o conjunto da sociedade. Neste país, ter muito é mal visto; esbanjar pressupõe um castigo social inevitável. De modo que os de cima são, há muito tempo, tímidos na hora de alardear sua riqueza. E os de baixo, em contrapartida, sempre mostraram uma tendência a não se considerarem pobres, e sim classe média.

 

Dito de outra maneira, no Uruguai nunca existiu uma oligarquia, ou seja, uma classe que sendo economicamente dominante fosse ao mesmo tempo politicamente governante. Esse fato crucial fez possível não só que surgisse uma elite encarregada de administrar a coisa pública sem relação material direta com a burguesia, mas que os de baixo tivessem capacidade de influir nesse setor. O battlismo (referência ao período de José Batlle y Ordóñez e seu sobrinho, Luis Batlle Berres, do Partido Colorado, período compreendido de 1903 a 1958) foi a expressão política mais acabada dessa estrutura sócio-política que diferenciou o Uruguai a ponto de se transformar, mais no imaginário que na realidade, na Suíça da América.

 

Jose Mujica aspira fazer o battlismo no governo. Ou seja, implantar táticas de conciliação de classes, na tradição da política que impregna todos os partidos uruguaios. Ainda assim, o que o diferencia do resto dos candidatos – tanto de direita quanto de esquerda – é que ele é o político mais parecido ao uruguaio comum. Em Mujica sentem-se refletidos os pobres da cidade e do campo, mas também uma parte considerável das classes médias que trabalharam duro para forjar ou sustentar sua condição, em um período no qual a ascensão social está vedada às maiorias.

 

O indubitável fervor que recebe Mujica não provém de um programa de governo. Está influído, isso sim, pela gestão de Tabaré Vázquez, que, goste-se ou não, realizou uma gestão consideravelmente melhor que os governos anteriores, questão não muito difícil, é verdade. O apoio a Mujica tem uma boa dose de identificação afetiva com o candidato, o que supõe fidelidades muito mais sólidas e duradouras que os apoios de caráter racional. Essa é uma primeira mudança, de larga duração na política uruguaia.

 

A vitória de Mujica sobre Astori nas prévias internas da Frente Ampla, em junho, em que pese o ex-ministro da economia contar com o apoio de Vázquez e da mídia, foi uma vitória de um estilo de fazer política, mas observado a partir do povo supôs uma evidente identificação com um passado, e um presente, de fazer política próximo às pessoas. Ou, pelo menos, essa é a percepção de boa parte de quem o apóia.

 

Alguns diriam populismo, mas se equivocam. O termo obscurece a compreensão, impede ver a realidade, com base em considerações vindas de cima que supõem que o caudilho pode modelar a realidade social e cultural de acordo com seus caprichos. Não. A irrupção de Mujica na política uruguaia, em meados da década de 90, pressupôs um novo ar em um sistema que pedia aos berros algum tipo de renovação. De fato, os principais políticos do Uruguai pós-ditadura foram os mesmo de 10, 15 anos antes. Renovação zero.

 

Por último, não se deve olhar para o interior, e sim para a rua, as pessoas, para que se compreenda o que acontece no Uruguai. A novidade maior dessa campanha é que as extensas estruturas políticas da Frente Ampla, centenas de comitês de base que chegam a todos os bairros e cantos do país, foram neutralizadas por iniciativas espontâneas, por convocatórias via internet e celulares, sem passar pelas lentas e pesadas escolhas orgânicas. Os grandes atos seguiram sendo importantes, mas a novidade veio desse tipo de chamamento inesperado que alguns dirigentes atentos como Mujica souberam se encilhar.

 

Por outro lado, olhando a rua pode-se ver – como sempre – uma avassaladora maioria das classes médias apoiando o candidato da Frente Ampla. Mas essas classes médias não são as mesmas que fundaram a coalizão de esquerda quase quatro décadas atrás. Estas empobreceram, seus filhos e amigos emigraram, deixaram de sonhar com a Suíça da América e em ganhar campeonatos de futebol. De alguma forma, tornaram-se algo mais plebéias, o suficiente para apoiar um candidato que encarna um modo não tão tradicional de fazer política.

 

Raúl Zibechi é jornalista uruguaio, professor e pesquisador da Multiversidade Franciscana da América Latina e assessor de diversos coletivos sociais.

Traduzido por Gabriel Brito.

 

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