Greve bancária atinge parcialmente seus objetivos

 

Acabou na última quarta-feira, após 28 dias de paralisação, a greve dos bancários da Caixa Econômica Federal. Iniciada em 24 de setembro, a Caixa teve a paralisação mais longa de todos os setores bancários. Nos âmbitos privado e federal, a greve durou quinze dias e acabou após proposta da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) de reajuste.

 

Segundo explicou à reportagem o membro da coordenação nacional da Intersindical Édson Carneiro, mesmo com boa parte do setor bancário decidindo aceitar a proposta da Fenaban, os funcionários da Caixa mantiveram a greve e, após uma semana, receberam nova proposta, que voltou a ser rejeitada. A última proposta, aceita na terça-feira, dia 21, contava também com um reajuste de mais 700 reais e a contratação de cinco mil novos funcionários.

 

Ainda que tenha sido fruto de muita discussão à época de sua implementação (1997), o PLR – Participação nos Lucros e Resultados – é um componente importante na vida do bancário hoje. Por isso, está sempre presente na pauta de reivindicações e nas lutas. Segundo Édson, os bancos sempre tentam jogar com a PLR, e havia uma ameaça de redução. Porém, com a greve, a possível redução virou um pequeno avanço na PLR.

 

Um dos principais pontos da greve, em que não houve avanço, foi a isonomia entre os funcionários admitidos antes e depois de 1998. Hoje eles são separados por regras diferentes e têm direitos diferentes. Segundo Édson, a equalização dos salários é muito difícil, com os planos de carreira e diferentes regimes, mas funcionários que trabalham no mesmo lugar devem ter os mesmos direitos trabalhistas – notadamente nesse caso, a extensão da licença-prêmio para ex-funcionários e o abono -, no que os admitidos após 1998 são amplamente prejudicados.

 

Para Édson Carneiro, "o fato de haver uma greve em si" - o que ocorreu em todos os anos na categoria desde 2003 - "é uma vitória, ainda que os resultados econômicos sejam limitados". Segundo ele, o reajuste real foi de 6%, o que é insuficiente e reflete também a política econômica do governo federal.

 

Édson aponta que a luta dos bancários se insere em um contexto de lutas de outras categorias também. Ele avalia que algumas outras mobilizações tiveram resultados mais significativos, com acordos mais razoáveis.

 

O sindicalista avalia que a categoria "está lutando e superando obstáculos enormes", ainda mais quando se pega como parâmetro o setor privado, sob a constante ameaça de demissão – fator que entra na balança de maneira preponderante na desmobilização.

 

A percepção é de que a superexploração é ainda mais exacerbada no setor privado, o que gera uma situação em que, ainda que a maioria dos bancários desse setor apóie a greve, a participação acaba sendo pequena. Segundo Édson, um dos principais problemas enfrentados pela categoria, o que gera enorme desgaste, é a cobrança por metas.

 

Ele indica ainda que não são raros os problemas de assédio moral gerados pela cobrança de cumprimento de metas. "Essa pressão acaba explodindo na greve", completa.

 

Rodrigo Mendes é jornalista.

 

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Comentários   

0 #1 Para os grevistas, nem parcialmenteLucia 23-10-2009 09:44
A ausência de isonomia aprofunda o assédio moral.
Por um lado, os funcionários mais recentes são assediados com promessas de cargos, muitas vezes necessários para elevar o salário e direitos reduzidos.
Por outro, os funcionários antigos, são assediados para entregar funções e serem substituídos por funcionários novos, mais baratos.
Sem contar que os valorosos funcionários da CEF que permaneceram em greve evitando a brutal redução da PLR, em função mesmo das características diferenciadas da atuação da empresa, serão punidos com a não-anistia dos dias parados, careando mais assédio moral, além do prejuízo financeiro.
Para os grevistas, na prática, a PLR foi reduzida...
E, certamente, ficará reduzida sua possibilidade de acesso a funções, exceto nos tradicionais casos de adesão posterior aos ditames da gestão.
Nesse caminhar vai ser difícil mobilizar alguém para futuras reivindicações.
Além disso, é preciso rever a questão de que os funcionários da rede privada são mais explorados.
A situação dramática nas agências da CEF dificilmente é observada nas agências da rede privada, até pela espécie de atendimento que é prestado, do público que é atendido.
Será que estamos novamente diante do processo visto em outros bancos públicos de desmoralização para futura privatização/incorporação?
A oposição bancária mais que focar nas eleições sindicais fica devendo encaminhamentos mais efetivos no dia a dia para se tornar realmente um diferencial.
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