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Luta armada – começo da guerrilha Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Quarta, 21 de Outubro de 2009
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No início de 1972, quando os destacamentos armados localizados no sul do Pará foram atacados e deram início à guerra de guerrilha, os camponeses do sudoeste do Ceará ainda precisavam passar, necessariamente, por um longo processo de lutas, de diversos tipos, para ganhar consciência política e se dispor a participar de uma luta armada. Não era possível forçar algum movimento de guerrilha, naquele momento.

 

Apesar disso, logo depois do ataque das forças militares contra os grupos que preparavam a luta armada no Araguaia, cresceram as pressões de uma parte da comissão executiva do partido para que transformássemos a região numa base armada. Essa pressão se tornou ainda mais forte em virtude dos golpes desferidos pela repressão policial-militar contra a direção partidária nas cidades.

 

Vários membros da comissão executiva foram assassinados, entre os quais os responsáveis pelos contatos com o dispositivo militar no Araguaia. Assim, em reuniões com os remanescentes da direção, inclusive com o antigo comandante daquele dispositivo militar, fui instado a apressar a preparação do trabalho militar no Ceará, para criar zonas de dispersão das forças inimigas.

 

Me vi às voltas, novamente, com as mesmas discussões de 1969. Disse compreender as dificuldades que os guerrilheiros e o partido estavam enfrentando, mas argumentei que não havia condições objetivas para realizar qualquer atividade armada no sudoeste do Ceará. Se os companheiros do dispositivo no sul do Pará não estavam preparados, seria possível imaginar que nós estávamos menos ainda.

 

No entanto, para minha surpresa, fui informado de que, ao contrário do que pensava e do que estava sendo divulgado, a luta armada naquela região não teria sido iniciada apenas pelo fato de o dispositivo militar secreto haver sido descoberto e atacado pelas forças militares da ditadura. O comando militar da região considerava que as forças revolucionárias estavam prontas e que as condições gerais estavam maduras para o início das operações militares.

 

Antes da intervenção das tropas da ditadura militar, estavam em planejamento alguns ataques de repercussão, fora da área das forças da guerrilha, para anunciar publicamente o início da guerra popular. Esse planejamento teria sido apenas abortado pela iniciativa das tropas do regime. Não se tratava, então, de pedir auxílio para uma situação inesperada, mas de mobilizar as demais áreas do país para incendiar a pradaria.

 

Essa avaliação sobre o amadurecimento das condições para o desencadeamento da guerra popular parecia ir na contramão das condições reais no restante do país e, certamente, do trabalho no sudoeste do Ceará. Embora aqui o partido houvesse crescido, e feito um esforço positivo para desenvolver as organizações populares, como as comunidades e os sindicatos de trabalhadores rurais, a mobilização era muito incipiente. Forçar uma situação armada seria um desastre.

 

Assim, embora algumas das lideranças partidárias da região tenham ficado sensibilizadas pela pressão da direção central, a resistência a realizar uma aventura militarista contou com o apoio da maior parte. Mas as pressões continuaram. Primeiro concentraram-se nos ataques à política de fingir-se de morto, aumentando as exigências para que o partido realizasse uma propaganda ampla de sua presença na região.

 

Paralelamente, numa conferência da direção local, com a presença de dirigentes de base e representantes dos comitês central e estadual, o representante do comitê central rompeu com o acordo de sigilo, declarando a todos minha condição de membro do comitê central e minha obrigação de cumprir as ordens da direção, sem restrições.

 

O desenlace, no início de 1973, numa reunião da comissão executiva, foi minha destituição da direção do trabalho partidário no sudoeste do Ceará e a saída imediata da região. O núcleo da divergência continuava sendo a questão da necessidade do trabalho político, como condição para a decisão sobre a luta armada.

 

Como, apesar de tudo, eu continuava membro do comitê central, e o número de dirigentes fora reduzido consideravelmente pelos golpes da repressão policial-militar, não era possível deixar-me totalmente à parte dos acontecimentos. O que me tornou uma peça ainda mais incômoda, principalmente com as novas divergências em torno da divulgação das notícias a respeito da guerrilha do Araguaia. Elas não tinham base nas notícias reais que chegavam ao nosso conhecimento por diversas vias, menos pelos combatentes, com os quais a direção do partido perdera qualquer contato.

 

Paralelamente a isso, diante do sangramento de quadros e militantes, como resultado da repressão haver se voltado para a liquidação das organizações urbanas do partido, este se via obrigado a discutir seriamente a política de fingir-se de morto, um dos principais pretextos para os ataques ao trabalho realizado no sudoeste do Ceará. Alguns, porém, ao admitirem essa necessidade, avaliavam-na como decorrente, momentaneamente, dos estertores da ditadura, no desespero de evitar que a guerrilha do Araguaia se espraiasse por todo o país.

 

De qualquer modo, havia um conjunto de situações negativas, constrangendo a direção partidária a, mais uma vez, voltar um passo atrás em relação à continuidade de minha participação. Fui incorporado ao processo de entendimentos com a Ação Popular, para o ingresso desta no partido. E foi em meio a isso que, no início de 1974, Ângelo Arroio conseguiu chegar a São Paulo e informar o desastre da guerrilha, no Natal de 1973.

 

A partir de então, participei ativamente daquilo que se poderia chamar de operação salvamento, na expectativa de que mais alguns houvessem escapado da carnificina.

 

Wladimir Pomar e escritor e analista político.

 

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Última atualização em Sexta, 23 de Outubro de 2009
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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