A (ex-)Esquerda Corporation abandona o MST

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Critico que sou, há muito, da direção do MST, com a sua política de blindagem e "cuidados" nas críticas ao governo Lulla, venho aqui apontar os resultados desta política adesista e institucionalista que, a meu ver, leva o MST à uma sinuca de bico.

 

Ontem, em todos os telejornais, e hoje, na maioria dos jornais, há o desfile macabro de notórios ex-esquerdistas, acionistas da (ex-)Esquerda Corporation, assumindo discurso da "punição criminal necessária" aos sem terra que chamaram, mais uma vez, a atenção do mundo para as falcatruas rurais e a paralisação da Reforma Agrária, ao que parece agora dependente de mais um interposto, que é a discussão sobre o aumento de índices de produtividade da terra. Como se tudo só dependesse disso, o que é uma mentira.

 

Estavam lá notórios "esquerdistas" e ocupantes de cargos públicos de um governo, o de Lulla, que se diz popular e não criminalizador dos movimentos sociais, a fazer média com o conservadorismo, a criminalizar o MST.

 

Nenhum deles mencionou a ilegalidade no uso de terras públicas para a perniciosa monocultura de laranjas, à base de toneladas de fertilizantes e venenos, sendo a ponta de lança dos métodos trogloditas de fazer agricultura, só boa para as corporações oligopolistas.

 

O agronegócio já desmatou o imensurável, e NUNCA vi nenhum destes da (ex)Esquerda Corporation pedirem cadeia para nenhum empresário rural com a veemência e convicção que agora fizeram com os integrantes do MST.

 

A agricultura familiar está enfiada até os ossos na compra de insumos industriais contaminantes, para onde vão 70% dos recursos do PRONAF (fertilizantes, venenos, carrapaticidas e vermicidas, medicamentos antibióticos e outros altamente persistentes no ambiente), afastando-a da agricultura ecológica (menos de 10% da agricultura familiar é ecológica), e acentuando a transferência de recursos do campo para os complexos industriais urbanos e internacionais. E ninguém aponta este crime.

 

Assim, mesmo considerando ter sido uma decisão muito arriscada, mas não equivocada do ponto de vista da denúncia feita, esta ação do MST de derrubar uns poucos pés de laranjas (a equação energética e ambiental daquele laranjal é completamente desfarovável para a coletividade), muito mais importante é colaborarmos para o esclarecimento das reais questões, muito bem expostas e denunciadas pelo MST.

 

Neste momento não cabem vacilações. E não podemos colaborar com o discurso já audível no próprio governo de "que isso vai atrasar ainda mais o processo".

 

Ora! O MST ficou seis anos amordaçado e manietado pela sua direção e nada obtiveram. Agora, fazem uma ação mais radical (e não contra o governo) e são ameaçados com mais "demora do processo".

 

Abram o olho: denunciar este governo como cúmplice da burguesia, não alinhando-se com qualquer crítica desta (falsas questões, na verdade), faz parte da reconstrução de uma oposição popular, para a luta anticapitalista, em grande atraso aqui entre nós.

 

Enquanto mantiverem o discurso da blindagem "apesar de tudo", nada conseguirão e serão sempre, ainda por cima, identificados como aliados e protegidos do governo, isentando este de falta de culpa na paralisação da Reforma Agrária.

 

A (ex-)Esquerda Corporation faria bonito se estivesse como figurante em famoso baile, de famosíssimo filme de Roman Polansky, A Dança dos Vampiros.

 

Raymundo Araujo Filho é médico veterinário e insiste que jabutis não sobem em árvores. Quando estão em cima de uma, alguém os pôs por lá, e com alguma intenção.

 

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Comentários   

0 #7 Do diagnóstico homeopático em dianteClaudio Fernando Fagundes Cass 18-10-2009 12:11
Parabéns ao diagnóstico homeopático, que pondera as contribuições das diversas forças sociais vitais na luta pela saúce em todos os planos. Faço votos para que o debate se expanda especialmente para o controle social da atual etapa do sistema de produção e consumo dos agrotóxicos no Brasil.
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0 #6 RespondendoRaymundo Araujo Filho 14-10-2009 13:47
Primeiramente vejo com satisfação que o marasmo mais ou menos generalizado, uns por descaso, e ourtros por falta de coragem de responder, o artigo está possibilitando boas questões. Era este o objetivo, mas também oder dialogar com os comentários.

1) O prof. Edi, sempre nos brindando com visões bastante detalhadas das questões.

2)Sou completamente favorável a TOTAL LIBERDADE de Expressão, sem que seja necessário passar pelo crivo moralista do que é "baixar o Nível". Escrever Lulla, apenas é um recurso ortográfico dos mais simples, para indicar graficamente que Lulla apenas dá continuidade ao projeto articulado em 83 na reunião chamada Diálogo interamericano que Lulla foi participar co o membro da AFL-CIO e da Oposição Brasileira (estávamos com Sarney). Quem quiser a Ata desta reunião, co detalhes e seus participantes, escrevam a .

Assim, a base de nossas divergências é a sua frase "eu acho que tem pontos positivos no governo. Posso te responder que Collor, de uma penada só concedeu equivalência de salário mínimo à aposentadoria rural, e a universalizou no campo. E dai? Isso te faz ver algum "ponto positivo" no governo Collor? Poie é..Se quiser te envio 10 artigos para poderes dialogar melhor cvcomigo sobre ÇLulla. Não me apóio em conjecturas, paixões ou qualquer corporativismo, de nenhuma espécie. Mas sim em dados factuais, diponíveis nos sites oficiais, mas muito bem encobertos por Lulla e o Cidadão Kane, afinal a locupletação é enorme.

3)Lamentavelmente, tens de discirdar é de 90% da agricultura Familiar que, INFELIZMENTE pratica o que lhe digo e denuncio há anos. O que me imputas e não é verdadeiuro é que eu culpo o agricultor. Se leres dezenas de artigos meus sobre o assunto saberás quem eu responsabilizo por isso mas, já te avisando, veterinário homeopata de campo que sou, e sabedor de todas as interposições que relatas, que o conservadorismo e a ideologia "da modernidade" contamina muitas mentes, neste setor.

Mas, sou da opinião que a proibição e rígida legislação e fiscalização de venenos agrícolas e veterinários, assim como proibição de assessorias técnica com dinheiro público na agricultura convencional, assim como os receituários agronômicos e veterinários com limites número excessivo de venenos receitados, exigindo justificativas técnicas, além da IMPOSIÇÃO de limites decrescentes obrigatórios no uso de fertilizantes industriais e venenos contamionantes na mesma área agropecuária, deve ser simplesmente IMPOSTOS por Lei, e obrigando que todos se adequem à proteção da saúde do agricultor e dos consumidores. E sem muita conversa com as Katias Abreu e Manoéis da FETAG. A realidade é dura e feia, não cabe a mim escondê-la.

E isso se faz com o estabelecimento de amplo debate político NAS CIDADES (onde se reúne a maioria dos consumidores). Mas isto, o Lullo Petismo não quer, poirs lulla acaba de multiplicar em 50 vezes o resíduo permitido de Glifosato (veneno para o transgênico)no milho (já tinha feito feito isso com a soja.

Precisas ler um artigo meu com o título Como o PT Apóia o Agronegócio. É factual e didático. Solicite pelo endereço acima que eu te envio.

E ao Fernandes, um obrigado pela concordãncia. Como se vê, é impossível desagradar a todos.
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0 #5 Valdi 14-10-2009 13:20
até concordo que o governo Lula não defende e nem faz o que tinha que fazer em relação a reforma agrária, porém discordo de que o MST tenha aderido ao discurso governista, de qual movimento social você faz parte? o que fez de luta nos ultimos seis anos? não queira e nem espere do mst que este resolva os problemas de uma esquerda festiva e frustrada, que não consegue articular nada além de bate papo online ou rodas de cerveja para criticar o governo.
isto sim é não enfrentar ou aderir por osmose a tudo que ai está.
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0 #4 concordo, mas não em tudoRegina Trentin Piovesan 14-10-2009 08:56
caro Raymundo...
desde o Inicio da serie "Os bandidos das Laranjas" venho observando muitas coisas que a midia e sem duvida, o que vc chamou de (ex)Esquerda Corporation estão passando para a sociedade Brasileira. Concordo contigo, quando falas da questão do Governo Lulla, que passou ate então (4 + 3 anos)sem se mexer em relação a reforma agraria, que seria tão boa tanto para o povo que quer produzir alimento, diminuindo assim a acumulação de terras,e inclusive para o proprio capital que teria muitos beneficios com a realização da reforma agraria. o povo de Sao Paulo, região em a Cutrale esta sugando Terra publica pra produzir suco de laranja para exportação, estão acampados a 7, 8, 9 anos, sem que nada tenha sido feito em favor deles.. mas enfim, resolveram mostrar pra sociedade a necessidade que eles tem, e ai, "precisam ser punidos", segundo boa parte da burguesia e do governo, a serviço da burguesia, bem como da maior formadora de opinião desse país - a Midia, e seu maior conglomerado de modo especial a Rede Globo.

a minha tendencia a discordar de voce, é quando falas da Pequena agricultura, ou agricultura familiar, quando dizes que é uma agricultura contaminante e ai, vou te dizer, é mesmo, mas é, por conta de um sistema - modelo que esta incutido e sendo reproduzido, pois no momento que um agricultor acessa um credito/ financiamento pra produzir,é obrigado a "prestar Contas" de onde foi utilizado tal credito ou financiamento - o que o obriga, sob pena de não ter por exemplo um seguro para a produção, se não o fizer como manda o modelão vigente. Nesse sentido, a tendencia sempre será em culpar o agricultor (chama-los de criminosos), logico, pois é ele quem compra, se contamina, contamina os alimentos e tal, mas o faz, como ja disse, por conta de um sistema vigente, e que é "a politica governamental" hoje. Por isso chamo a atenção, pois assim, como estão querendo punir os "Bandidos das laranjas", a tendencia é punir tambem "os contaminadores de alimentos", sem nos darmos conta.

acho bom discutirmos isso. e tambem insisto que jabutis não sobem em árvores. Quando estão em cima de uma, alguém os pôs por lá, e com alguma intenção
Um abraço
regina
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0 #3 A (ex)esquerda corporation...Fernandes 14-10-2009 08:34
Vc tocou no cerne da questão.Fora a Política adesista e institucionalista!Sobre falcatruas e paralização da reforma agrária;ilegalidade de uso de terras públicas por grandes empresas;abandono de políticas públicas da agricultura familiar ecológica etc... Não a criminalização da luta pela reforma agrária. Viva o MST!
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0 #2 Lulla ou Lula?Rafael Dantas 14-10-2009 08:23
Caro Raymundo,

acredito na crítica pela esquerda do governo Lula, mas também acredito em muitos aspectos positivos do governo, porém peço que para não rebaixar o nível do debate e torná-lo mais fraterno usemos o nome correto do presidente Lula, na minha opinião o governo Lula é extremamente diferente do Collor, ou estou falando alguma mentira? Não concordar com o governo é um direito, fazer a crítica é um dever, mas desqualificar o debate é prejudicial, pois isso a meu ver não passa de uma piadinha de mal gosto e rancorosa...
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0 #1 responsabilidades...Prof. Édi Augusto Benini 14-10-2009 08:14
Alguém já disse certa vez que quem acende uma \"vela para deus e outra para o diabo\", fatalmente é negado por um, e traído por outro. Se é verdade que uma ideologia de direita moralista (pois eles mesmos são os principais espoliadores) ataca o Governo e, em especial, suas políticas compensatórias, também não é menos verdade que este governo optou por se aliar, e com isso sustentar, a elite dominante e opressora do capital.

Não aceito o argumento de que \"é a luta de classes que determina todas as ações do governo\", ou que \"qualquer um faria o mesmo\" (talvez qualquer um do pacto eleitoreiro burgues)... Ora, se um governo é simples correia de transmissão da luta de classes, por que a direita gasta recursos colossais, se apropria dos grandes meios, da manipulação incessante das informações, por que perdem tanto tempo com ganhos eleitorais, se o aparelho do estado já é \"programado\" pra lhe servirem? Obviamente que a questão é dupla, ou seja, continuar controlando o aparelho estatal, como também submeter a opinião pública, as mobilizações populares, etc... ao meu ver há uma tensão permanente para manter a superestrutura de tal modo que esta continue a blindar e reproduzir a estrutura econômica do capital, que por sua vez condiciona e subordina toda a totalidade social.

A questão da reforma agrária é ilustrativa desse quadro complexo.

Se hoje o MST sofre ataques da mídia, da elite conservadora, se o governo não atualiza os indices de produtividade, não destina maiores recursos para a reforma agrária, é claramente resultado da luta de classes (luta esta em que a direita está mais organizada em instrumentos e recursos).

Mas o governo também contribuiu, ostensivamente, para essa sinuca de bico... em 6 anos, muito poderia ser feito... ora, se para a governabilidade se negocia ministérios e cargos públicos, não é necessário por na bandeja TUDO, pode-se perfeitamente direcionar alguns ESPAÇOS PÚBLICOS para implantar um \"projeto específico\" (ao menos \"carisma\" e popularidade se tinha para isso). No caso, alguns destes (como o MDA e o INCRA), estavam com o \"PT\" (ou um setor deste)... porém se tivessem mesmo uma perspectiva ou projeto de enfrentamento, muito se poderia ser feito, especialmente numa perspectiva de longo prazo a partir de alguns ações pontuais mas coordenadas... ou seja, era possível sim:

... o fortalecimento das carreiras de reforma agrária.... mas foram 4 ou 5 greves... inclusive com corte de ponto... mas foi preferível formentar e motivar servidores públicos a se \"acomodar\" ao sistema patrimonial-burocrático

... se ter buscando projetos e alternativas metodológicas para a reforma agrária... mas nada disso foi sequer tentado com seriedade... mesmo com o conhecimento crescente que os assentamentos não são sustentáveis na forma como são constuídos, mesmo com todos os problemas de se substituir latifundios por minifundios.... nada foi feito, ou ao contrário, foi blindado esse formato, sem efetividade, de políticas públicas para a reforma agrária... logo, não se potencializa a produção de riquezas, em outra perspectiva, do trabalhador rural, ao contrário, este continua sob a dependência de outras medidas compensatórias...

... espaço para dirigentes nas superintendências que não estissem enquadrados nos pactos político-partidários eleitoreiros regionais... mas continou-se a mesma lógica de governabilidade, para todos os postos (poderia-se, perfeitamente, \"poupar\" alguns espaços, estrategicamente, o que não iria interferir em nada no congresso, mas ajudaria muito no dia a dia do incra, como demonstra o comparativo com algumas superintendências, como a de São Paulo)...

... outro ponto extremamente crítico, a assistência técnica e extensão rural... ora, poderia se ter fortalecido a ATES, integrando a mesma com pesquisa intensiva e desenvolvimento técnico, como um serviço público de qualidade, um instrumento para socializar conhecimentos e fomentar a produção popular... mas não, permaneceu um desenho fragmentado, sem consistência, e vulnerável a inquisições legalistas...

...poderia ainda se ter fortalecido, efetivamente, os movimentos populares (inclusive na sua autonomia), por meio de amplos projetos de educação rural no campo, a própria ATES... mas não, optou-se pela cooptação ostensiva de lideranças e projetos pro governabilidade do capital... também repercutindo agora com a vulnerabilidade ao assédio moralista legalista... além de \"sustentar\" toda a vulneralibilidade econômica dos trabalhadores rurais assentados...

ou seja, este governo, por meios de várias ações combinadas de médio alcance, no ponto de vista da luta de classes, fortaleceu ainda mais o lado de lá (direita)... ou seja, se não se pode fazer nadinha de nada, é porque só temos na aparência um governo \"de esquerda\"... mas na essência... foi a opção de um grupo dirigente sim, e não uma profecia fatalista que a tudo justifica...


Por tudo isso, concordo com o Raymundo, temos a delicada tarefa de, simultaneamente, não blindar este governo, denunciando seu carater pró-capital, ao mesmo tempo não utilizando os argumentos moralistas da direita... se a opção deste governo foi \"acender velas a Deus e aos capetas\", que agora suporte as conseqüências... inclusive dos ataques moralistas da direita autofágica...

As lutas emancipatórias, a vida das pessoas, a problemática ecológica, são infinitamente mais urgentes e importantes... estas sim precisam de defesa, precisam de reforço, precisam do nosso amplo e crescente apoio e envolvimento...

Saudações libertárias

Edi Benini - Palmas/TO
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