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Rio 2016 é emblemático da nova geopolítica no Esporte Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito, da Redação   
Qui, 08 de Outubro de 2009
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Na semana que passou, o país voltou a viver momentos de euforia que levaram a cidade do Rio de Janeiro a um novo carnaval, desta vez em celebração à bem sucedida candidatura da capital carioca para os Jogos Olímpicos de 2016. De acordo com o presidente Lula, comovido na cerimônia que oficializou a sede em Copenhagen, o Brasil conquistou definitivamente sua ‘cidadania internacional’, pois eventos como esse firmam o país no grupo dos mais respeitáveis da comunidade das nações.

 

Comandada pelos homens que conduziram o Pan 2007, no mesmo Rio, a postulação dividiu opiniões no país, colocando em lados opostos aqueles que a vêem como boa oportunidade de crescimento e outros que acreditam que se deu a chave do cofre para as pessoas erradas, haja vista a exorbitância e obscuridade dos 3,6 bilhões de reais gastos com os jogos regionais – cujo orçamento inicial estava por volta de 400 milhões.

 

"Não somos de segunda classe, somos de primeira. Por termos sido colonizados, tínhamos mania de ser pequenos. Sempre achávamos que os outros podiam e nós não. Hoje (2/10) senti muito mais orgulho de ser brasileiro", disse o presidente. "Este povo tem índole extraordinária e merecia essa oportunidade. Não estarei em 2016, mas essa Olimpíada não é do governo, é do povo e do Estado brasileiro", completou, sem esconder quão decisiva foi a participação oficial na vitória da campanha.

 

Dessa forma, podemos já vislumbrar a nova temporada de ufanismo que se imporá na agenda nacional, especialmente quando os meios de comunicação mais massivos apenas celebram a conquista e pouco ou nada fazem de jornalismo investigativo em relação a todo o projeto olímpico. Ainda assim, há uma importante parcela da mídia e de jornalistas independentes que fazem essa investigação.

 

Para o jornalista Juca Kfouri, provavelmente o maior inimigo dos dirigentes esportivos do país, a vitória se baseia numa ‘ficção’, como cunhou em seu blog pessoal. "A vitória se deve a um trabalho inegavelmente competente. E que já custou mais de 100 milhões de reais de dinheiro público. Um verdadeiro show. Show. De verdade mesmo, pouco, quase nada. A não ser o sonho".

 

Como já citado até neste Correio, a candidatura teve o custo mencionado pelo jornalista, cujos gastos basicamente se resumiram a consultorias, todas sem licitação.

 

Saco sem fundo?

 

Com a lembrança do Pan ainda fresca na memória, não se pode condenar o público por alimentar desconfianças sobre a lisura do projeto olímpico. Contra isso, garante-se por todo lado que, desta vez, haverá fiscalização e transparência no controle dos gastos. Apesar de dizer que tais discussões ‘diminuem o papel do Brasil’, Lula afirmou que a organização dos jogos estará submetida a diversos órgãos de controle. "É uma Olimpíada que vai ter fiscalização de comitê internacional, de comitê nacional, de Tribunal de Contas, de Controladoria...", enumerou.

 

No entanto, não podemos nos esquecer do que ocorreu com o Pan. O Tribunal de Contas da União, além de ter reprovado com todas as letras os gastos com os jogos, vem divulgando em pílulas algumas irregularidades do evento de dois anos atrás. Enquanto essa matéria era escrita, o TCU condenou o responsável pela candidatura, Ricardo Leyser, membro do PC do B, a devolver 18 milhões de reais ao erário por gastos não provados em obras de estrutura temporária.

 

De acordo com o Tribunal, cerca de 6,8 milhões foram gastos em obras sem execução comprovada, enquanto outros 4,1 milhões seriam provenientes de gastos duplicados. Nome certo no Comitê Organizador, Leyser foi acusado, ao lado de seu assessor Luiz Custódio de Freitas e da Fast Engenharia S/A. A essa quantia se somam 2 milhões de reais superfaturados em obras de infra-estrutura e hotelaria, valor que já está condenado a devolver também

 

Além disso, toda a base do Comitê Organizador repete o time que comandou o Pan 2007, começando por seu presidente, Carlos Arthur Nuzman, também mandatário máximo do COB, Comitê Olímpico Brasileiro, cargo que pretende acumular pelo menos até o final dos jogos do Rio, para então alçar vôo ao posto supremo, o de presidente do Comitê Olímpico Internacional, o COI.

 

A despeito da aparência, Nuzman não é alguém exatamente querido por atletas e clubes (mesmo tendo sido jogador de vôlei). Ademais de ser apontado como principal mentor de uma política que direciona investimentos a atletas de alto nível em detrimento da base, trava uma pouco silenciosa briga por dinheiro com as entidades e esportistas. Os clubes, no fim do ano passado, exigiram que a destinação de verba pública aumentasse e deixasse de passar pelas mãos do COB, que recebe e redistribui valores a seu critério.

 

Dessa forma, é evidente que qualquer desavença política com o chefão do COB é inibida, pois pode resultar em represálias que levariam determinada entidade ou federação à penúria definitiva. Levando em conta que o dirigente se reelegeu no ano passado por aclamação e às escondidas no saguão de um hotel, é de se presumir que o espaço na confederação para debates francos seja escasso.

 

Por fim, alguns parlamentares da Assembléia Legislativa do Rio tentaram promover a instalação de uma CPI dos gastos dos Jogos de 2007, objetivo boicotado pela bancada de César Maia, que, mesmo diante de todos os escândalos, alguns já em nível incontestável, conseguiu o engavetamento da proposta. Portanto, fiscalizado o Pan já foi, e muito. E isso nada significou até agora.

 

"Não podemos contribuir com o Rio-2016 sem exigirmos a contrapartida de tornarem a Olimpíada uma coisa pública", escreveu em sua coluna do diário Lance, em 7/10, Jose Luiz Portella, autor do Estatuto do Torcedor, primeira lei sancionada pelo presidente Lula, em 2003, e marco histórico na tentativa de regular e civilizar as relações entre entidades esportivas e fãs.

 

Estrutura

 

Como já anunciado, os Jogos Olímpicos de 2016 custarão ao todo 28,8 bilhões de reais. Desse montante, já é certo que muito sairá dos cofres públicos, até porque, ao assinar o ‘Ato Olímpico’, o presidente Lula deu a anuência do país no sentido de cobrir eventuais rombos orçamentários. O Ato é uma exigência que o COI faz a todas as sedes, obrigando o governo local a sancionar lei que afrouxa os trâmites para visto de entrada e saída do país, entre outras regalias do gênero relacionadas aos organizadores e atletas. A garantia financeira é seu ponto mais crucial.

 

Só o Comitê Organizador receberá do BNDES 1,2 bilhão de reais para dar conta de seus gastos, cerca de um terço do que o órgão precisará - o resto é custeado pelo COI e patrocinadores. Pelos cálculos da Fundação Instituto de Administração da USP, publicados pela Folha de S. Paulo em 3/10, o impacto total dos jogos deverá ser de 11 bilhões de reais no PIB brasileiro de 2016.

 

Para atender às exigências logísticas, o Rio deverá ainda providenciar cerca de 10 mil leitos em hotéis, além de, quem sabe, concretizar as limpezas da Lagoa Rodrigo de Freitas e da Baía da Guanabara e a construção da linha 4 do metrô. Fora isso, algumas instalações esportivas deverão ser levantadas, até porque o Parque Aquático Maria Lenk, construído para o Pan, tem metade da capacidade exigida em Olimpíadas, por exemplo.

 

Já as obras de transporte contemplam basicamente a Barra da Tijuca e zona sul, requisitando 8,9 bilhões de reais. Como mostra matéria da Folha do mesmo dia, o projeto não abrange a zona oeste e seus 2 milhões de habitantes e simplesmente ignora os bairros de Campo Grande e Santa Cruz no mapa das locomoções.

 

"Não está em jogo fazer uma Copa ou Olimpíada. Está em jogo reerguer o Rio ao patamar que ele merece", destacou Portella, no mesmo dia.

 

Geopolítica

 

Nos dias anteriores à escolha, muito se discutiu a respeito da suscetibilidade do COI a lobbies e tendências políticas. Sob os auspícios dos Jogos de Inverno de 2002, em Salt Lake City, quando vários de seus membros votantes venderam seus votos à candidatura norte-americana (gerando o banimento ou punição dos envolvidos), as especulações sobre critérios menos esportivos na definição da sede não deixaram de vir à tona.

 

Um dos principais, se não o maior, o argumento carioca era o de que os jogos jamais haviam se realizado na América do Sul. Ao final do pleito, isso pareceu ter pesado. "A candidatura do Rio era excelente, mas o valor agregado era o fato de os jogos irem a um continente ainda não explorado", confirmou Jacques Rogge, presidente do COI.

 

O que se pode subentender de ‘não explorado’? Obviamente, os jogos movimentam negócios de toda ordem, potencializando alguns setores, especialmente os de infra-estrutura. Muito abaixo das concorrentes nesses quesitos, os jogos do Rio indubitavelmente terão custos maiores do que seriam necessários nos outros postulantes.

 

"Hoje eles estão dominados pelo ‘business’, pelos investimentos capitalistas para gerar lucros. Os espetaculares Jogos Olímpicos, que todas as grandes cidades do mundo pleiteiam abrigar, tornaram-se um grande negócio multinacional", disse o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) ao plenário, na semana da escolha.

 

Teoria ou verdade, o fato é que o COI tem olhado de maneira diferente para países outrora esquecidos nessas ocasiões. A China sediou os jogos de 2008; a Índia receberá os tradicionais Jogos da Comunidade Britânica em 2010; Sochi, na Rússia, terá os jogos de Inverno de 2014. Com o Rio 2016, fechou-se um ciclo de vitórias esportivas dos países do chamado BRIC, bloco imaginário que inclui quatro nações consideradas potências em crescimento.

 

Como se costuma dizer, o esporte repete e reencena a vida cotidiana.

 

Gabriel Brito é jornalista, Correio da Cidadania.

 

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Última atualização em Sexta, 16 de Outubro de 2009
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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