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Luta armada – Teoria da Guerra Popular Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Segunda, 05 de Outubro de 2009
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A experiência dos embates com os grileiros, na região de Colinas, sofreu críticas severas do comando da quinta tarefa. Fui acusado de colocar em risco todo o trabalho de preparação da luta armada, cometendo um grave atentado à disciplina e à segurança.

 

O tom das críticas subiu ainda mais quando tentei argumentar que tal experiência mostrava a necessidade de criar vínculos políticos com os camponeses, antes e como condição para o desencadeamento da guerra popular. A mais suave delas acusava este ponto de vista de resistência à guerra popular, embora naquela ocasião eu continuasse considerando necessária uma guerra popular para derrubar a ditadura.

 

O que nos empurrava para esse caminho era o flagrante endurecimento do regime, mesmo contra os que defendiam um caminho pacífico. Não levávamos em conta outros fatores que estavam mudando a situação nacional, como a modernização dos latifúndios e a consolidação de novas condições para o crescimento econômico. Ainda acreditávamos que a ditadura militar viera para manter uma situação de atraso progressivo e transformar o país numa colônia dos Estados Unidos.

 

Por isso, foi basicamente a disputa de visões a respeito do trabalho e dos vínculos políticos com as massas, como condição preliminar para a luta armada, que marcou todo o processo de elaboração do documento ‘Guerra Popular, Caminho da Luta Armada no Brasil’, publicado em janeiro de 1969. O texto original, para discussão no comitê central, sequer se referia à necessidade de tais vínculos como condição para o desenvolvimento da guerra popular.

 

Todas as referências a isso só foram incorporadas ao texto após vencer resistências aparentemente inexplicáveis. Afinal, a teoria política revolucionária parte do pressuposto de que revoluções sociais e políticas, de qualquer tipo, só têm condições de sucesso se contarem com a participação de milhões de pessoas.

 

Porém, para ser justo com os que dirigiam o trabalho da quinta tarefa, eles também afirmavam isso, e a admitiam no trabalho fora das zonas de preparação militar. O problema residia em que pressupunham que os milhões se incorporariam após o desencadeamento da luta armada nessas zonas, onde qualquer trabalho político preliminar poderia ser descoberto e desbaratado pela repressão policial-militar. O que prejudicaria o trabalho militar, e impediria a incorporação desses milhões à luta.

 

Era um argumento lógico reforçado, ainda mais pela idéia de que as condições para a luta armada estavam dadas. Com isso, justificavam que o trabalho militar naquelas zonas, além de secreto, deveria ser desligado de qualquer trabalho político preliminar.

 

Hoje isso pode parecer surreal. Mas naquela época essas idéias eram sinceramente abraçadas por um grande número de revolucionários, comunistas e não-comunistas. Então, na prática, embora tenham aceitado a incorporação de conceitos sobre a necessidade do trabalho político, os dirigentes da quinta-tarefa não os levaram em conta para nada.

 

Isto ficou claro, logo após a reunião do comitê central, no encontro de um dos principais comandantes da quinta-tarefa com o grupo de trabalho sob minha responsabilidade. A tentativa de argumentar com o que estava escrito na decisão do comitê central foi em vão. Mesmo porque os outros membros do grupo também concordavam com a idéia de que o trabalho político deveria ser a posteriori. Assim, fiquei em minoria de um. O que me levou a recusar a ordem de transferência de Colinas para o sul do Pará, e acarretou em meu afastamento, sob a acusação de deserção.

 

No final de 1969, esta decisão foi reconsiderada, em virtude das quedas e assassinatos de vários dirigentes partidários, que causaram um rombo no núcleo dirigente. A comissão executiva se viu na contingência de sugerir que me deslocasse para o Ceará. Queria organizar uma base partidária que servisse de reserva estratégica para quando a luta armada fosse desencadeada. Para aceitar a missão, sugeri que não revelassem minha condição de membro do comitê central, que o trabalho tivesse como eixo a criação de vínculos diversos com as massas e a construção de organizações partidárias, e que atuássemos nos fingindo de mortos, para não sermos detectados pelas forças repressivas. A luta armada seria apenas a quinta ou sexta tarefa.

 

Essas sugestões resultaram em discussões nem sempre amigáveis. Em especial, a idéia de fingir-se de morto era tida como uma proposta de inação completa. Embora fosse essa a norma geral para a quinta tarefa, ela aparecia como absurda no desenvolvimento das demais atividades partidárias.

 

No entanto, o que propúnhamos era justamente combinar uma intensa atividade social e política, sem chamar a atenção da repressão, abstendo-nos de fazer propaganda partidária. Os militantes deveriam confundir-se com os segmentos populares, conhecer seus problemas, situação e suas aspirações, lutar junto com eles, mas só abrir a presença do partido para aqueles elementos de massa que houvessem demonstrado capacidade e espírito revolucionário na prática da luta.

 

Apesar das divergências, a proposta foi mantida e esse trabalho no Ceará desenvolveu-se entre final de 1969 e início de 1973.

 

Wladimir Pomar é analista político e escritor.

 

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