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Questão nuclear iraniana : uma luz no fim do túnel? Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Sexta, 02 de Outubro de 2009
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"É contra nossos princípios, é contra nossa religião, produzir, usar ou possuir armas nucleares" (Ali Salehi, alta autoridade iraniana).

 

Aparentemente, a existência de uma segunda usina de enriquecimento do urânio agravou o contencioso entre o Grupo dos 6 e o Irã.

 

Na verdade, longe de ser um indício de que os iranianos teriam um programa de armas nucleares, essa "descoberta" é apenas mais um trunfo nas mãos do Ocidente para pressionar o governo de Teerã.

 

O próprio serviço de inteligência americano declarou que a usina de Quds, em fase de construção, já havia sido rastreada há um bom tempo. Por que então Obama e aliados esperaram pelo início das conversações com o Irã para fazer sua revelação?

 

Aliás, quando o trio Obama-Sarkozy-Gordon Brown denunciou dramaticamente Quds como uma instalação "secreta" isso não era verdade, pois quatro dias antes o Irã já havia informado o IAEA (International Atomic Energy Agency) a respeito.

 

Nessa ocasião, os representantes dos países daqueles estadistas junto ao IAEA não iriam deixar de ir correndo contar-lhes a novidade. Portanto, não só Quds não era secreta, como também Obama e aliados mentiram conscientemente ao qualificá-la assim.

 

De qualquer maneira, como o Irã se prontificou a abrir a usina de Quds à inspeção do IAEA, fica claro que não tinha nada a esconder. Ou seja, que os objetivos desta segunda usina são pacíficos.

 

O uso malicioso do episódio de Quds para convencer a opinião pública mundial da "falsidade iraniana" parece demonstrar que as grandes potências ocidentais decidiram encostar uma faca na garganta dos persas. Ou cessam o enriquecimento do urânio, ou serão aplicadas sanções tão duras que deixariam o país de rastros. Infelizmente, não seria bem assim segundo Moussavi, o líder da oposição a Ahmadinejad: "Sanções não afetarão o governo, mas irão impor mais sofrimentos ao povo".

 

E, no entanto, tudo parecia ir caminhando para uma solução harmoniosa no início do governo de Obama. Ele havia afirmado sua vontade de resolver os problemas com Teerã via negociações. Enviou mensagens amigáveis, chegou até a admitir as culpas americanas no golpe de Estado contra o primeiro-ministro Mossadegh.

 

Diante da repressão violenta às manifestações contra os resultados das eleições iranianas, Obama, a princípio, declarou sua neutralidade para pouco depois passar a criticar duramente o governo de Teerã. O que gerou respostas em tom ainda mais alto.

 

 

 

Aí, Obama mudou de vez sua atitude. Encarnou George Bush, substituindo os bons modos pelas ameaças, no estilo do seu antecessor. "O presidente Bush estava certo", declarou, "o programa de mísseis balísticos do Irã representa uma ameaça significativa (para a Europa e os EUA)".

 

Evidentemente, a recíproca não seria verdadeira no que tange à formidável concentração de mísseis nas bases americanas da Arábia Saudita, Kuwait, Iraque e outros países nas fronteiras iranianas...

 

O lançamento dos novos mísseis iranianos também causou indignação, pois, imagine, podem atingir Israel e as bases dos EUA no Oriente Médio. Novamente o fato de que israelenses e americanos dispõem de armas desse tipo com alcance e potência capazes de reduzir as cidades do Irã a cinzas foi considerado irrelevante...

 

Como irrelevantes são as 200 bombas nucleares que se estima existirem na base secreta de Dimona, em Israel, produzindo plutônio, e não apenas urânio enriquecido, com capacidade para produzir 10 ogivas nucleares por ano. Bem, isso não representaria ameaça alguma, afinal, Israel é aliado dos EUA, enquanto que o Irã comete o grande crime de ser independente.

 

Fortalecido pelo apoio americano, Israel tem se negado a permitir que a IAEA inspecione suas instalações nucleares. Para Obama, tudo bem.

 

O que está errado é o Irã atrever-se a enriquecer o urânio, o que já lhe estaria dando condições de produzir uma solitária bomba atômica.

 

"Não", contesta El Baradei, o presidente da IAEA, prêmio Nobel da Paz. Ele tem reiterado que não há nenhum indício de que exista um programa iraniano de armas nucleares. E garante, "com absoluta certeza", que nenhuma parte do urânio já enriquecido estaria sendo usada para outros fins que não a produção de energia.

 

Ele deve saber melhor do que ninguém, pois os técnicos do IAEA vêm inspecionando as instalações nucleares do Irã há cinco anos.

 

Em novembro de 2007, o próprio Serviço de Inteligência dos EUA reafirmou com "high confidence" (alta confiança) que, em 2003, o governo do Irã interrompeu um programa desse tipo e não o retomou mais.

 

Para Obama, isso não conta. O que conta é que Israel garante o contrário. E ao lado de Israel está a maioria absoluta dos congressistas americanos, dos grandes jornais e cadeias de TV e rádio, além dos chefões do Pentágono – os mesmos do governo Bush.

 

Ainda nesta semana, a Câmara Federal americana aprovou por 308 a 114 votos um projeto de lei com uma cláusula punindo as empresas que vendam gasolina ao Irã. Apesar de ser o segundo maior produtor mundial de petróleo, o país dos aiatolás importa 40% de suas necessidades de gasolina.

 

Denunciando sistematicamente a suposta ameaça nuclear iraniana já há vários anos, mídia e políticos têm conseguido aterrorizar o povo americano. A recente pesquisa (29/30 de setembro) da Opinion Dynamics Corp. é um espelho disso: 77% estão preocupados com o "programa de armas nucleares do Irã" e 59% acham que o governo deve usar da força, se necessário, para impedir seu prosseguimento.

 

Possivelmente pressionado por esses fatores internos, os representantes do governo Obama chegaram à rodada de negociações em Genebra rugindo ferozmente, secundados pelos fiéis aliados da Alemanha, França e Grã-Bretanha. A mídia internacional recebeu "informações oficiais anônimas" que detalhavam o terrível pacote de maldades preparado para se lançar sobre o Irã caso persistisse em enriquecer o urânio.

 

Foram surpreendidos na véspera da reunião pela delegação iraniana. Ela propôs que a maior parte do urânio enriquecido no Irã a 3,5% seria processado na Rússia para atingir um nível mais alto de enriquecimento, 19,75%, muito menos que o necessário para a produção de ogivas nucleares. Isso possibilitaria um maior controle de todo o processo pelos inspetores da IAEA.

 

Bem, Obama teve de reconhecer que seria um grande passo para remover dúvidas sobre o caráter pacífico do programa nuclear iraniano.

 

Depois disso, contraditoriamente, ele reencarnou Bush ao dizer que sua paciência com o governo iraniano não era "ilimitada" e que seriam necessários "passos concretos" - e rápidos, para provar que o governo de Teerã não visava produzir armas nucleares.

 

Parece estranho, afinal, como ele próprio admitira, o "passo concreto" já fora dado com o enriquecimento de urânio fora do Irã... A explicação provável é que Obama visava agradar seu público interno, mostrando-se duro com os iranianos.

 

O fato, porém, é que, embora o céu ainda não seja de brigadeiro, as nuvens mais pesadas começaram a se afastar. Pelo menos por ora. Foi marcada uma nova reunião para o fim de outubro, desta vez com a presença de autoridades de nível mais alto, talvez presidentes e primeiros-ministros. Mas até lá muita coisa pode acontecer.

 

É oportuno lembrar a semelhança entre os affairs Irã e Iraque. Ambos desafiavam a hegemonia americana e o poderio militar israelense; ambos eram grandes produtores de petróleo; ambos foram acusados de produzir armas de destruição em massa; ambos tiveram essa acusação rejeitada pelos inspetores da IAEA.

 

Só se espera que os EUA não repitam no Irã o erro cometido no Iraque.

 

Luiz Eça é jornalista.

 

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Última atualização em Terça, 06 de Outubro de 2009
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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