‘O povo de Gaza só quer justiça!’

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Esteve recentemente no Brasil, para uma curta estadia, a ativista Huwalda Arraf, uma das líderes do Free Gaza Movement, uma entidade internacional com sede em Chipre, dedicada a furar o bloqueio israelita à faixa de Gaza, a fim de entregar comida e remédios aos necessitados. Huwalda Arraf falou com exclusividade para o Correio da Cidadania.

 

Segundo a ativista, os governos de países democráticos, entre os quais o brasileiro, têm apoiado as moções de reprovação da atitude do governo israelense que são votadas na ONU. Mas nenhum deles deu ainda o passo de romper relações diplomáticas com Israel, como fizeram no caso da África do Sul, por exemplo.

 

Correio da Cidadania: Qual a situação atual na faixa de Gaza?

 

Huwalda: Os brasileiros podem imaginar uma população de um milhão e meio de pessoas vivendo num território de 50 quilômetros de cumprimento por 10 de largura, sem a menor possibilidade de sair ou de enviar algo por terra, por mar e pelo ar? Isto é o que Israel está fazendo contra todo e qualquer senso de humanidade.

 

CC: Como estão os habitantes da faixa de Gaza diante desse bloqueio?

 

Huwalda: Os bombardeios israelitas destruíram completamente toda a indústria que havia na região, destruíram completamente 3.600 residências e parcialmente outras 2.700. Ou seja, temos 52.000 famílias sem casa. Lembro que o inverno está chegando e que isto representará, sem dúvida, perda de vidas.

 

Correio: Qual a ação humanitária que a entidade que você dirige realiza em Gaza?

 

Huwalda: Em Gaza falta tudo, mas especialmente comida e remédios. Nossa entidade arrecada esses bens nas nações livres e os envia a Gaza por barcos que procuram furar o bloqueio naval israelita. Saímos do Chipre e procuramos chegar até a costa.

 

Freqüentemente somos barrados por barcos de guerra israelitas ainda quando nos encontramos em águas internacionais. Uma violência sem nome que estamos denunciando.

 

CC: Qual o motivo de sua viagem ao Brasil?

 

Huwalda: Eu e meu marido estamos percorrendo vários países da América Latina em busca de apoio para nosso esforço de furar o bloqueio do porto de Gaza. Não estamos procurando governos; estamos nos dirigindo à sociedade civil. Se nossos barcos tiverem passageiros importantes de vários países, os israelitas terão mais dificuldade para cometer as violências que têm cometido contra nós.

 

CC: O governo brasileiro tem oferecido apoio aos palestinos da faixa de Gaza?

 

Huwalda: Os governos de países democráticos, entre os quais o brasileiro, têm apoiado as moções de reprovação da atitude do governo israelense que são votadas na ONU. Mas nenhum deles deu ainda o passo de romper relações diplomáticas com Israel, como fizeram no caso da África do Sul, por exemplo.

 

CC: E o governo Obama, mudou alguma coisa na política do Oriente Médio?

 

Huwalda: As declarações do presidente estadunidense são muito boas e, claro, nós agradecemos muito, mas ele ainda não deu os passos concretos que precisam ser dados para interromper o bloqueio e a construção de novas colônias judaicas em território palestino.

 

CC: Como os brasileiros podem ajudar a causa palestina?

 

Huwalda: Neste momento o objetivo prioritário é furar o bloqueio de Gaza. Se muitos brasileiros pedirem a seus representantes parlamentares para participar das viagens humanitárias que realizamos, será uma ajuda extraordinária. Outra ajuda importante seria visitar o nosso site: http://www.freegaza.org/ , a fim de ficarem bem informados sobre o que estamos fazendo.

 

Finalmente, quero agradecer aos amigos que estão colaborando para que esta viagem alcance seus objetivos.

 

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Comentários   

0 #2 AntonioCunha 02-10-2009 07:10
Até quando vamos ficar assistindo passivamente a este genocídio que os governos de Israel, piores que Hitler, cometem contra os palestinos?
Concordo com o historiador judeu Ilan Pape, professor de Ciências Políticas na Universidade de Haifa, para quem os sionistas querem completar a limpeza étnica dos palestinos.
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0 #1 milton temer 29-09-2009 15:19
Importantíssima entrevista. Principalmente no momento em que as potências capitalistas lançam ameaças constantes ao Irã, por conta de uma usina de energia nuclear que o país abre à fiscalização da AIEN, sem que nenhuma preocupação exista contra o arsenal militar nuclear de Israel -- cerca de 200 ogivas -- consolidado com a cumplicidade dessas mesmas potências
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