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Setembro decisivo para Obama mostrar que veio mudar Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Sexta, 11 de Setembro de 2009
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Barack Obama chegou à Casa Branca com a promessa de uma mudança na política externa de George Bush. Seu objetivo era tornar o país um agente efetivo na promoção da paz e da justiça nas relações internacionais. Mas Obama temia as resistências internas. Por isso mesmo, procurou atrair também o apoio de setores que não partilhavam de seus ideais.

 

Assim, Hilary Clinton, da linha dura democrata, foi nomeada Secretária de Estado. E Obama manteve membros do governo Bush em postos chave na área internacional, como Robert Gates, Secretário da Defesa, e os generais que vinham dirigindo o Pentágono.

 

Obama pensava que todos eles se "comportariam", seguindo fielmente as diretrizes dele, o presidente. E, participando do governo, garantiriam a boa vontade dos congressistas ligados a eles.

 

Muito pouco foi conseguido por enquanto. Nestes nove meses de governo, Obama realizou uma série de avanços na direção de suas promessas, logo seguido por recuos para posições opostas, que coincidem com as daqueles "falcões" que ele colocou nos cargos de comando de sua política externa.

 

Até agora, essa política, sendo otimista, segue indefinida. Somente na retórica ela se aproxima do que foi dito na campanha e empolgou os eleitores e os povos de todo o mundo.

 

Neste mês, o presidente americano terá chances de assumir posturas mais claras. Desde 10 de setembro, os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha, estão examinando a proposta do Irã para resolver a questão nuclear e decidirão por sanções ou acordos.

 

Na reunião da ONU em 21 de setembro, Obama pretende anunciar o reinício das negociações de paz entre Israel e árabes. Caso, previamente, as partes concordem, é claro.

 

No problema do Irã, tudo indica que o presidente americano vestirá a pele de George

 

Bush. Sem maiores análises, seu representante já foi vetando as propostas iranianas. E, no entanto, ele havia começado seu governo com a maior boa vontade, enviando mensagens de amizade a Teerã, declarando sua firme intenção de resolver a questão nuclear via negociações.

 

Tudo mudou quando o governo islâmico reprimiu com violência os manifestantes contrários aos resultados eleitorais. No princípio, Obama declarou-se neutro, procurando preservar um clima favorável às relações com os iranianos. Logo, porém, pressionado pela imprensa e o congresso, fez declarações fortes contra o governo Ahmedinejad. Que retrucou também com violência. E, aí, encarnando Bush, Obama substituiu os bons modos pelas ameaças.

 

Uma vez a porteira aberta, já se sabe o que acontece... O vice, Biden, declarou que, se

 

Israel quisesse bombardear o Irã, os EUA não se oporiam. Hillary Clinton afirmou que não acreditava em negociações, só em sanções, que seu governo ajudara os manifestantes anti-Ahmedinejad e, por fim, que os EUA não permitiriam que os iranianos continuassem a enriquecer o urânio, mesmo sob "intensa fiscalização da ONU". Sempre na pressuposição de que o programa nuclear iraniano visa produzir bombas.

 

A insuspeita IAEA, Agência Internacional de Energia Atômica da ONU, através de seu

 

diretor, o egípcio El Baradei (prêmio Nobel da Paz), garante que não há indícios disso. E confirma, "com absoluta certeza", que nenhuma parte do urânio já enriquecido estaria

 

sendo usada para outros fins que não a produção de energia elétrica. No último boletim da IAEA, foi comunicado que o Irã aceitou novas ampliações da fiscalização feita pela agência, embora ainda houvesse questões que continuavam sem respostas.

 

Nesta reunião dos países que discutem a questão nuclear iraniana, o ministro das relações exteriores russo, Serge Lavrov, declarou que valia a pena trabalhar a partir da proposta do Irã para se chegar a um acordo mais completo e satisfatório. Se Obama quiser mesmo ser justo, deverá concordar. E pleitear que o governo iraniano aceite todas as solicitações da Agência da ONU para tornar sua fiscalização 100%.

 

Infelizmente, não é o que se espera. Obama parece muito comprometido com a adoção de sanções ainda mais duras para forçar o Irã a abandonar o enriquecimento de urânio, que estaria sendo destinado para a produção de armas nucleares.

 

Ninguém prova que isso seja verdade. Mas Israel garante que é. Era suficiente para Bush, parece ser suficiente para Obama. Como no caso do Irã, as relações especiais com Israel continuam influenciando a discussão do affaire Palestina.

 

Há 9 meses , Obama e seu enviado à Palestina, George Mitchell, vêm exigindo que Israel congele os assentamentos como condição para iniciar negociações com a Autoridade Palestina, objetivando a criação de um Estado árabe independente. Embora isso seja expressamente determinado por tratados internacionais, o premier Netanyahu resiste a fazer sua parte.

 

Por fim, aparentemente cedeu à pressão. Concordou em congelar, porém, apenas temporariamente – por 6 meses. Isso depois de Obama, pressionado por uma carta de 70 senadores, ter convencido diversos países árabes a fazerem concessões: abertura de escritórios comerciais israelenses em seus países, permissão para a El Al voar sobre seus territórios, concessão de vistos de viagens para cidadãos israelenses, entre outras. Excelente negócio para Israel. Não para os palestinos, pois receberiam aquilo a que tem direito legal.

 

Muito contente, Obama programou viagem de Mitchel para Telaviv a fim de acertar todos os detalhes já nesta semana. Foi surpreendido pela decisão de Netanyahu de continuar a construção de 2.500 edifícios que estavam em obras e aprovar na planta o início das obras de mais 500. E Netanyahu ainda acrescentou que os assentamentos em Jerusalém Oriental não seriam interrompidos

 

Os líderes árabes, evidentemente, rejeitaram quaisquer negociações nesses termos.

 

O que fará Obama? Ele pode forçar Netanyahu a obedecer. Tem muitos meios para isso.

 

Poderá cortar os 4 bilhões em armamentos cedidos anualmente a Israel, ou mesmo contingenciar seu pagamento em vez de fazê-lo de uma vez; retirar o veto dos EUA nas muitas propostas contrárias a Israel aprovadas no Conselho de Segurança; interromper os programas bilaterais de defesa que desenvolvem armamentos em Israel com tecnologia e fundos americanos; forçar a AIPAC (principal lobby pró-Israel nos EUA) a registrar-se como lobby estrangeiro, o que a obrigaria a abrir seus livros à investigação do governo americano; mandar que os departamentos de Justiça e do tesouro investiguem as numerosas entidades de caridade, isentas de taxas, que são na verdade angariadoras de fundos para os assentamentos israelenses na Cisjordânia.

 

Com isso, estaria comprando uma briga, não só com o governo israelense, mas também com sua imensa base aliada no Congresso e na imprensa. Contaria com o apoio do povo que, na última pesquisa, já se manifestou em sua maioria contrário ao apoio incondicional que os EUA vêm prestando ao governo de Telaviv. E mostraria ao mundo que ele veio mesmo para mudar.

 

Obama poderá também optar por forçar a Autoridade Palestina a negociar. Se isso acontecer e os árabes se submeterem, novamente George Bush estará assumindo. Com a agravante de que, desta vez, a reação do mundo islâmico será muito mais séria, como costuma acontecer com aqueles que descobrem que foram enganados.

 

A política interna de um presidente não pode ser julgada por suas intenções. Suas ações são o que efetivamente conta. As boas intenções e a retórica generosa de Obama representam muito pouco. A tarefa que ele tem pela frente é descomunal.

 

Se no novo mundo pós-crise a vocação imperial dos EUA parece anacrônica, divorciada

 

inclusive de suas necessidades nacionais, resta convencer seu povo que o "sonho americano" deve mudar. Esquecer idéias hegemônicas que só têm causado pesadas perdas em termos de soldados mortos e dinheiro jogado fora em guerras inúteis, que só

 

danificam a imagem internacional dos EUA, sem vantagens que as justifiquem.

 

A não ser para aqueles cuja resistência tem de ser vencida: as indústrias de armamentos e de petróleo e os lobbies pró-Israel, especialmente. Constituem uma força poderosa, pois têm a seu favor talvez a maioria dos congressistas e da imprensa escrita, falada e vista.

 

Mas, sem vencê-los, não haverá mudança. Nem mesmo Obama, que terá neste setembro duas chances de mostrar ao mundo que, sim, os EUA podem ser respeitados pela justiça de suas ações e não pelo temor que sua força inspira.

 

Luiz Eça é jornalista.

 

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Última atualização em Segunda, 14 de Setembro de 2009
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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