topleft
topright
ISSN 1983-697X

Boletim Diário

Email:
Para assinar o boletim de
notícias preencha o
formulário abaixo:
Nome:

Brasil nas Ruas

Confira os artigos sobre manifestações e movimentos sociais no Brasil.

Arquivo - Artigos

Áudios

Correio da Cidadania, rádio Central 3 e Revista Vaidapé fazem “debate autônomo” sobre as eleições  

Leia mais...
Image

Plinio de Arruda

MEMÓRIA

Confira os textos em homenagem a Plinio


Leia Mais

Plinio em Imagens



Confira a vida de Plínio


Charge


Imagem




Artigos por data

 Sep   October 2016   Nov
SMTWTFS
   1
  2  3  4  5  6  7  8
  9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031 
Julianna Walker Willis Technology

Links RSS

Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania

Áudios - Arquivo

AumentarDiminuirVoltar ao original
Luta armada – testemunho sobre os anos 1950 Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Terça, 01 de Setembro de 2009
Recomendar

 

No início dos anos 1950, quando comecei a militar entre os comunistas, a questão da luta armada não estava posta como oposição a qualquer outra forma de luta fundamental. Era consensual, às vezes até de forma pouco consciente, de que uma revolução social no Brasil teria que ocorrer através de meios armados.

 

Essa compreensão não se baseava apenas na experiência histórica das revoluções russa e chinesa, ou das guerras de libertação que ocorriam no Vietnã e em várias outras regiões da Ásia e África. Tinha como pressuposto a própria experiência brasileira, onde até mesmo as reformas conservadoras, como a República, o voto secreto e o início da industrialização, foram obtidas com algum tipo de participação dos fuzis.

 

Por outro lado, os comunistas daquele período, apesar de viverem na clandestinidade, não se afobavam em determinar o momento em que a luta armada deveria ocorrer. Mesmo as diretivas do Manifesto de Agosto, de 1948, que insistiam no assunto, foram frustradas e tiveram que ser modificadas pela ação prática das bases partidárias. Como várias dessas bases tinham vínculos reais com amplos setores populares, conseguiam resistir às políticas dissociadas do nível de luta e consciência desses setores.

 

Assim, apesar de orientações políticas contraditórias, como a de construir sindicatos paralelos, ou de realizar alianças eleitorais meio inexplicáveis, havia uma razoável unidade em torno da construção de organizações de base no chão de fábrica das empresas industriais, e de realizar um trabalho de massa calcado nas reivindicações reais dos trabalhadores e demais camadas populares. Dirigentes e militantes não-operários eram incentivados a se tornarem metalúrgicos, têxteis, químicos, gráficos e outros tipos de trabalhadores fabris.

 

Foi por isso que trabalhei na metalúrgica Arno, em São Paulo, e pude participar na greve de 1953. Nessa empresa, como em muitas outras, havia células comunistas com influência sobre os demais trabalhadores, que foram decisivas para que as diversas categorias profissionais articulassem um forte movimento unificado.

 

Essa greve e, logo depois, as eleições municipais foram uma demonstração da distância que existia entre a consciência dos trabalhadores a respeito de seus direitos econômicos, que os comunistas souberam traduzir adequadamente, e sua consciência política, que levou a maioria a votar nos candidatos não-apoiados pelos comunistas. Eram processos desse tipo que faziam com que os pés se mantivessem no chão, quanto aos limites do processo prático de luta.

 

Por outro lado, apesar de a teoria comunista da época afirmar que a revolução democrática e nacional seria realizada com base na aliança operário-camponesa, o trabalho de massa e o trabalho político entre o campesinato eram relativamente pequenos. Isto num período em que a população rural compreendia cerca de 70% da população total, e em que a expansão das fronteiras agrícolas era marcada por choques armados entre posseiros, grileiros e policiais militares.

 

Os comunistas chegaram a se envolver nas lutas dos posseiros em Porecatu, no Paraná, e em Trombas-Formoso, em Goiás. Essas experiências de luta, porém, pareciam contos de fadas para a grande maioria da militância. Além disso, os comunistas não tinham enraizamento entre os rendeiros, parceiros e foreiros, ou agregados dos latifúndios, nem entre os assalariados agrícolas, que começavam a ser empregados em algumas culturas agrícolas comerciais.

 

Nessas condições, a propalada perspectiva de uma aliança operário-camponesa não passava de retórica. Faltava trabalho real, seja econômico, social ou político, entre as camadas rurais de trabalhadores. Isso contribuiu para que os comunistas não prestassem a devida atenção ao significado do processo de modernização dos latifúndios, iniciado nos anos 1950, para liberar força de trabalho para a indústria urbana. Erroneamente, eles continuavam acreditando que a burguesia industrial tinha interesse na reforma agrária.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

 

Recomendar
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.


Vídeos

A Ordem na Mídia

Eugênio Bucci: “precisamos de um marco regulatório democrático na comunicação”


Há uma falência nos modelos de negócios refletida nas relações trabalhistas, na concentração de propriedade, formação de monopólios e oligopólios e no aparelhamento por parte de igrejas e partidos. Entrevistamos Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP, que afirmou a necessidade de um marco regulatório democrático para fortalecer a democracia no Brasil.
Leia mais...


Brasil_de_fato
Adital
Image
Image
Banner_observatorio
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image

Diario Liberdade

Espaço Cult

Image
Image
Revista Forum
Joomla Templates by JoomlaShack Joomla Templates