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Sem enfrentamento, Unasul sucumbirá à nova investida militarista dos EUA Imprimir E-mail
Escrito por Miguel Lamas   
Segunda, 31 de Agosto de 2009
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A reunião da Unasul foi marcada para discutir a questão das bases ianques na Colômbia. Ainda assim, o governo colombiano afirmou que se trata de um ‘acordo fechado’ com os EUA. Lula convidou Obama, mas este disse que sairia de férias. Por outro lado, a Unasul não tomou, nem prevê, nenhuma ação contra os golpistas hondurenhas.

 

Uribe, o presidente da Colômbia, não assistiu a última reunião da Unasul realizada em Quito, 10 de agosto. Amparando-se na ausência do genocida colombiano, o brasileiro Lula impôs que não se tratasse a questão das bases militares ianques na Colômbia. Acordou-se a realização de uma reunião especial em Bariloche. Poucos dias depois se informou que ‘o encontro ficou firme após a presidente Cristina Kirchner falar... com Álvaro Uribe, que aceitou de bom grado e ‘sem condições’ a iniciativa, que busca ‘retomar o diálogo o diálogo com a região’ (Clarín, 13/8).

 

Não se entende muito bem qual pode ser o resultado de um diálogo quando o chanceler colombiano, Jaime Bermudez, acaba de declarar em entrevista à revista Semana que o acordo com Washington já foi fechado e ‘não vamos a Argentina para consultar nada’ (milenio.com). Lula também convidou Obama. Mas esse saiu de férias.

 

Fontes jornalísticas afirmaram que se reclamaria a Colômbia para que se comprometesse a utilizar essas bases somente no âmbito interno e não em outros países. Esse pedido, ingênuo ou hipócrita de acordo com o ponto de vista, equivaleria a solicitar amavelmente a um assaltante, com antecedentes de assassinato e que se instala com armas pesadas na porta de nossa casa, que ‘se comprometa’ a não usar armas ou usá-las ‘só para se defender’.

 

As bases têm o inocultável propósito do controle militar da América do Sul para seguir impondo sua política econômica de exploração e saque, para seguir apoderando-se de seus recursos naturais. E mesmo que firmem qualquer coisa, os ianques as utilizarão se considerarem possível e necessário – e se os povos não derrotarmos seu intento. 

 

Três provas: Bolívia, Honduras e as bases

 

Os defensores da Unasul pintam o organismo, que compõem todos os governos sul-americanos, como uma ferramenta de ‘integração e independência frente ao império’. Vistos seus resultados, alguém poderia pensar que é na realidade um organismo burocrático totalmente inútil. Porém, é pior que isso.

 

Em setembro de 2008, quando da intentona golpista separatista da direita oligárquica de Santa Cruz da Bolívia, a Unasul interveio para impor um acordo de Evo Morales com os golpistas que salvou estes últimos da mobilização campesina popular. O acordo se fez mudando 144 artigos da Constituição, colocando artigos em defesa dos latifundiários e dos contratos petroleiros com as multinacionais.

 

A terceira reunião, realizada no Equador há duas semanas, não serviu para mais que uma declaração diplomática por Honduras, mas sem nenhuma medida real nem chamado à mobilização popular em apoio ao povo de hondurenho.

 

Agora em Bariloche, o próprio fato de que se reúnam com Uribe já é uma aceitação tácita das bases militares, porém, ‘dialogadas’, com algumas ‘condições’ bastante ridículas. E com respeito a Honduras repetirão a frase retórica de ‘apoio’ a Zelaya, como já fizeram no Equador. Uma atitude que já beira à cumplicidade com os golpistas.

 

Quer dizer, a Unasul não serve para mobilizar os povos latino-americanos em defesa do povo hondurenho. Também não serve para enfrentar o plano imperialista de pôr suas bases militares na Colômbia.

 

Pelo contrário, a Unasul sob a batuta do Brasil governado por Lula, se converteu no grande mediador para fazer passar os interesses ianques na América Latina, assim como Uribe é seu gendarme armado.

 

Pactos militares.

 

Os países sul-americanos não quebraram seus pactos militares com o império, que segue dando diretivas e treinando futuros golpistas.

 

Um caso particularmente grave é o Haiti, onde as tropas de ocupação que vão cuidar das multinacionais norte-americanas e reprimir o povo haitiano são soldados latino-americanos de Brasil, Argentina, Bolívia, Peru, Chile, Uruguai, Equador, Paraguai... O vergonhoso argumento, dito em voz baixa, é que os militares gostam porque ganham ótimos salários. Quer dizer, mercenários a serviço do império.

 

O Peru abriu seus portos à IV Frota norte-americana, que opera como se fossem seus próprios portos. Existem incontáveis acordos de exercícios conjuntos e ‘treinamento’ realizados em território latino-americano, que serve ao imperialismo para conhecer e treinar todas as possibilidades de invasão.

 

Em outubro deste ano está programada em Buenos Aires a reunião do CEA (Conferencia de Exércitos Americanos) que congrega os chefes militares latino-americanos, do Canadá e dos Estados Unidos.

 

Nos perguntamos: o que discutirão durante vários dias os chefes militares latino-americanos com os dos EUA? O que discutirão com os genocidas colombianos? Como se pode fazer uma reunião desse tipo com os que são os principais inimigos históricos dos povos latino-americanos? Os governos que se proclamam de esquerda ou ‘progressistas’ vão autorizar os chefes militares de seus países para semelhante Conferência? Por agora nenhum governo declinou publicamente da reunião. Se Chávez, Evo Morales e Correa são coerentes com as declarações que fizeram contra o intervencionismo, já deveriam estar denunciando essa reunião e dizendo publicamente que não comparecerão. Esperamos que o façam. Em todo caso, há de se denunciar tudo isso aos povos.

 

Miguel Lamas

Esse texto foi originalmente publica em Izquierda Socialista

Website: www.izquierdasocialista.org.ar/

Traduzido por Gabriel Brito, jornalista, Correio da Ciadania.

 

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Última atualização em Qui, 03 de Setembro de 2009
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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