Portentosa ruína

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A prestigiosa coluna do Ancelmo exibiu na edição de "O Globo" de sexta-feira passada uma curiosa e significativa montagem fotográfica. Apresentados como "o time dos ex-petistas", Plínio de Arruda Sampaio, Marina Silva, Milton Temer, Flávio Arns, Cristóvão Buarque, Luiza Erundina, Carlos Nelson Coutinho, Chico Alencar, Heloísa Helena, Fernando Gabeira e Leandro Konder tiveram suas feições recortadas e coladas por sobre uma fotografia da seleção brasileira. Tal plantel, vestido com o manto sagrado verde-amarelo e chamado de escrete, seria apenas uma entre tantas formações possíveis na cada vez mais numerosa "Legião de Ex-Petistas".

 

O texto que serve de legenda para a foto-montagem cuida de explicar que, além da LEP, Legião dos Ex-Petistas, com o que daria para formar vários times de altíssimo nível, cresce também a LENAL, Legião dos Novos Amigos do Lula, na qual militam titulares como Sarney, Renan e Collor. Ao tratar da diferença entre os dois times, o jornalista lança mão de um bordão da coluna que fala por si só: "...deixa pra lá". A imagem montada fala mais do que mil palavras. Além de expressar uma tomada de posição, ela revela um dado importante do atual momento político brasileiro.

 

Está em curso, o noticiário das últimas semanas expõe de maneira cruel, mais uma mudança de patamar na complexa dialética que articula o lulismo ao petismo. Nasceram juntos, cresceram entrelaçados. Nos momentos de afirmação de ambos como instrumentos de mudança, parecia impossível destrinchá-los. Cresciam como verso e reverso de uma mesma moeda. Nos vestíbulos da chegada ao governo, a dialética desta relação foi reconfigurada. Mudou o sentido da articulação lulo-petista. A partir de então, outra lógica passa a operar e sua feição atual está bem expressa na criativa matéria do jornalista Ancelmo Gois.

 

O lulismo agora floresce sobre os escombros do petismo. Um cresce e o outro definha, na dialética perversa que se afirma como imperativo categórico e determina a mudança na natureza de ambos. Para garantir a governabilidade do Lula, o PT se vê obrigado a percorrer a via-crúcis da mais completa desmoralização. A saída de Marina Silva e Flávio Arns, o ridículo soberbo do episódio Mercadante e o papelão da bancada petista como tropa de choque do Sarney no Senado Federal são as mais recentes manifestações de tal processo.

 

O Partido dos Trabalhadores, de saudosa memória, virou almoxarifado de peças de reposição para a engrenagem infernal da pequena política. Sentou na janelinha da governabilidade conservadora e, como um novo PMDB, se converteu em poderosa máquina eleitoral. A antiga identidade, o passado de glórias, o patrimônio de tantas lutas sobrevivem como registro na história. O retrato na parede de uma portentosa ruína.

 

Léo Lince é sociólogo.

 

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Comentários   

0 #5 PrezadosRaymundo Araujo Filho 01-09-2009 06:05
Rogério
Esclareço que fui filiado e militei no PT, apenas nos primeiros seus 4 anos de vida. Depois, uma brevíssima passagem pelo PV, ainda com algumas propostas razoáveis, e há 18 anos, dos meus 54, não milito em Partidos. Mas, penso que quem quiser, deve militar. A Pluralidade é essencial.

Concordo bastante com a sua colocação, mas meu foco não é nenhuma construção partidária como a principal tarefa para o momento, e sim a Organização Popular e Transferência dos meios de Produção para os trabalhadores e povo em geral, em pequenas redes inicialmente, para a formação de culturas populares da apropriação dos meios de produção pela clases populares. Depois nós vamos vendo como fica. O principal é conter a sangria econômica e a mais valia. E isso, discute-se ideologicamente, em vários matizes, e não só em formulações economicistas.
É isso que desenvolvo nos projetos de produção e agroindústrias familiares e ecológicas, objeto de meu trabalho.

E aviso que, por convicção ideológica, voto Nulo para qualquer cargo executivo, seja quem for o candidato, e votarei em parlamentares com chancces de eleição, que se disponha a entender que os institutos republicanos, como estão sequestrados, só servem para pequena resitência parlamentar, e como janela de expressão do Movimento Social, e não o contrário, do Partido para as ruas. A política é muito importante para ficar sob a direção apenas dos políticos....

Joaquim,
Guardo a minha raiva e ódio para aqueles a quem mantenho ou mantive relações afetivas. Nunca as mantive com partidos ou líderes políticos, a não ser aqueles com quem privei PESSOALMENTE de convívio afetivo. Amor e Ódio são para entes(self), e não para coisas(it). A política não deve ser um fetiche afetivo..

Já afirmei que detesto a política, embora me veja obrigado a não ignorá-la, pois aprendi com o Aporelly, o Inesquecível Barão de Itararé (a quem conheci ainda vivo, na ABI, que eu frequentava ainda guri) que "Os Vivos São Governados pelos Muito Vivos". Mas, aviso que não somos nem adesistas e nem "massa de manobra". Temos opinião. E eu tenho o costume de procurar espaços para expô-la. Só isso.

Mas, não me admira que pessoas identificadas com o que está aí, reajam e façam o errôneo (a meu ver) juízo de valor, sobre o escrito. Afinal o artigo é frontalmente crítico a eles.

Mas são estes contrapontos que fazem com que os leitores, alvo maior de nossa energia intelectual, possam ter contribuições, para avaliarem não solitariamente as questões. Aliás, o artigo é fruto de reflexões com muitos outros, que copmpartilham desta opinião.

A única coisa chata, é a falta de compostura, ao menos republicana, dos criticados, quando alçados a algum nicho de Poder, por mínimo que seja,. e passam a indexar os críticos, até profissionalmente, como se leprosos políticos fossem. Mas, são ossos do ofício de cidadão.

Sobre a sua crítica central da "falta de argumentos factuais" que justifiquem minhas ilações , principalmente sobre Lulla ser o preferido, hoje, do Capital Internacional, não posso acreditar em nenhum analfabetismo funcional de sua parte, o que te impossibilitaria de interpretar textos simples. Pois são claros os fatos que demonstram o que afirmo. Aliás estão estampados em todos os jornais, diariamente. Questão de saber interpretar.

Mas, te adianto algo. Vai procurando saber e se informar bem sobre a nefasta figura de Stanley Gacek e suas relações pessoais com Lulla. E, a ti, como a qualquer outro interessado, disponibilizo o endereço eletrônico , para recebimento de outros artigos, que excedem a generosidade (a meu ver excessiva comigo) dos editores do Correio, em poder publicá-los por aqui.

Portanto, prezado Joaquim, vamos deixar para lá as adjetivações e possíveis arranjos motivacionais para o que, e como escrevo, e vamos nos ater ao principal, isto é, sobre o que foi abordado no artigo, sem tergiversações, ou seja, a Total Subserviência e Desmoralização do PT, frente ao seu dono patriarcal Luiz Ignácio Lulla da Silva.

E, para terminar, fica uma frase que considero premonitória do querido Barão de Itararé, que em 1950 escreveu: Queres conhecer o Ignácio? Leve-o para o Palácio.....
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0 #4 PT - Portentosa Ruinahélio jost 31-08-2009 13:33
Ai que saudade dos antigos militantes, fundadores e da base do PT. Aqueles que, na base, enfrentavam a todos com um novo projeto para o Brasi. Aqueles que confeccionavam "bottons", camisetas, bonés, chaveiros, etc. para arngariar fundos e ajudar o PT a ser um grande partido, eleger um presidente mudar o Brasil, ...ou foi sonho meu? - Ou é pesadelo?
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0 #3 Joaquim 30-08-2009 15:39
Prezado Raymundo Filho, o sensação que tive ao terminar o seu artigo é de o pinga ódio e raiva. Transparece que a paixão cobre a razão. Como vivemos num período idealista - metafísico -pós-moderno de crise da razão em que negar o passado e sonhar o futuro obscurece a leitura do presente. Reli os artigos dos profs. Chico e Oliveira (USP) e Fausto Silva (Unicamp)desde 2003 e concluo que defato o leitura conjuntural do PT e suas metamorfose, nas mudanças locais e globais exige um cuidado investigativo, caso contrário vira 'doxa' - opinião. É extravagante registrar que "o representante preferencial do Capital Internacional e da Globalização dos Oligopólios é o Lulla". Quais as bases teóricas e factuais para afirmar tal premissa? Tenho medo do 'esquerdismo, doença senil'.
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0 #2 PT do Lula e o BrasilRogério Guiraud 28-08-2009 17:25
Caro Raymundo
Sua percepção do neopetismo é exata provavelmente porque conhece bem o partido e se sente, como eu, traído mais uma vez pela história política do Brasil.
Porém fica uma questão para ser pensada, se não respondida: Aquela figura de linguagem de uma seleção de expetistas deixa-nos mais preocupados ainda pois, mesmo sendo inversa sua intenção ela reforça as posições do neolulismo pois todos aqueles que abandoram o PT, a maioria com discernimento, outros nem tanto, ainda não juntaram para explicar ao povo, afinal eleitores, qual é o caminho diante da tragédia descrita!
Todos eles ainda não construiram nem uma ameaça de possibilidade de mudança.
Esperemos que o façam porque se não quem vai ganhar serão os que já teríamos derrotados e nós, de um jeito esquisito, estaríamos arrumando um modo de termos outra decepção da história política do Brasil.
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0 #1 PT: De Concubina à Eguinha PocotóRaymundo Araujo Filho 28-08-2009 06:46
Primeiramente esclareço que não me comovem os reclames dos senadores petistas, contra a ordem do Lulla para deixarem Sarney em paz. Ali, trata-se apenas de estratégia para sobrevivência eleitoral, visto que os senadores que assinaram a nota têm um eleitorado que ainda sonham com algum tipo de virada a esquerda, ou ao menos republicana (já estaria ótimo!) deste governo, para serem reeleitos.

É bom lembrar que estes senadores mantêm-se firmes em apoio político e fazem parte do núcleo de sustentação do presidente Lulla e seu projeto entreguista “com migalhas para o Povo”, além de não ter administrado o país com a probidade discursada em suas campanhas eleitorais, além da privataria. O furdunço vai a todo o vapor, como sabemos.

A minha questão é outra. O quero discutir é a que ponto chegou este partido, o PT, que hoje é apenas um espectro daquele partido fundado sob a égide de uma renovação à esquerda para o país, inclusive não se alinhando historicamente, às experiências do chamado Socialismo Autoritário, embora combatendo qualquer tipo de anti-comunismo ou anti-esquerdismo.

Hoje, o que vemos é um espectro obscuro daquilo que poderia ser um agente de mudanças profundas na sociedade, não uma Revolução, mas uma alavanca para que a sociedade brasileira que despertava da ditadura militar, encontrasse suas formas basilares de auto organização, para poder dialogar com o Poder Institucional, tão distante dela, e quase inacessível, a não ser nos períodos eleitorais e eleitoreiros.

Nada mais disso existe por ali, apesar de persistirem, ao meu ver de forma equivocada, setores que dizem comungar de ideias esquerdizantes, penso que assassinando a memória revolucionária de muitos ícones da esquerda mundial (em que se pese divergências e tal).

Há alguns meses escrevi uma série de três artigos (As Estratégias de Lulla I, II, III – acessáveis em portais de busca, escrevendo o nome entre aspas), todos com títulos referenciados em filmes famosos. Ao primeiro artigo dei o título de "Adeus, Minha Concubina", onde expus como vejo que se dá atualmente a relação de Lulla com o PT. Algo muito parecido com as piores tradições patriarcais de nossa história política, e mesmo mundial. Fu Manchu ficaria com inveja....

Esta relação de mando, nada mais é do que o resultado da aposta que estes setores auto intitulados de “esquerda” fizeram, achando que iam ganhar os céus, voando dentro da viola do Lulla. Tal como na fábula Festa no Céu, foram lançados no espaço e quebraram a cara, não a deles que, mal ou bem , fazem parte do governo, com alguns cargos e salários (com raras excessões refratárias a isso), além dos conhecidos mecanismos laterais de obtenção de projetos financiados, executados por ONGs aparelhadas, o que ao menos, mantêm os seus grupos com possibilidades financeiras para um mínimo de articulação política, ao meu ver, a esta altura, sem o menor contato com algo que não seja a própria sobrevivência interna.

Mas, esta questão em torno do Sarney, agravou as consequências que um perigoso abaixar em demasia pode acarretar, no(a) vocacionado(a) ao agachamento. É pior do que um simples mostrar os fundilhos, como aponta o velho e sábio ditado popular.

Em primeiro lugar mostrou o total isolamento que recai a qualquer ato que questione a autoridade, a esta altura patronal, do Lulla, sobre o Partido. Se notaram bem, foi nenhum, ou quase nenhum, o apoio (não) recebido pelos senadores “rebelados”. Afinal, no simples jogo de disputa por um lugar ao sol eleitoral, muitos devem ter moitado, talvez pensando em uma renovação do senado, com candidatos de outras esferas no partido. Outros, porque realmente estão imbuídos no lema, parafraseando um velho programa do apresentador Silvio Santos – o PT nos faz realmente buscar exemplos no que há de pior - “Tudo Por Dinheiro”. Hoje, no PT, o lema é “Tudo pela Dilma”. E, afinal, estes senadores já compactuaram com tanta coisa execrável, mas que não os ameaçavam eleitoralmente, ao menos de forma tão emblemática, que vai ver que perderam boa parte de suas credibilidades, até dentro do PT.

Ao lado disso, vemos uma verdadeira operação em colocar o PT como coadjuvante eleitoral em Estados onde sempre foi muito bem constituído do ponto de vista quantitativo, como são os dois maiores colégios eleitorais do país, como SP e MG. No RJ, o terceiro colégio, a espectativa é a mesma, tendo Lulla prometido “chamar Lindeberg Farias para conversar”, quando questionado pelo gov. Sérgio Cabral, recentemente. Lembremo-nos que a última conversa destas que Lulla teve com “Lindinho” (apelido do prefeito de Nova Iguaçu), fez com que ele abandonasse o grupo rebelado contra a política de Lulla, que causou a expulsão de vários do partido, como a ex senadora Heloísa Helena, entre outros. Lindeberg ao entrar no avião com Lulla, desembarcou do barco dos rebelados, os traindo por promessas de projeção dentro do partido, pois ideologia ali é coisa escassa ou inexistente. O DEM, seu aliado de prefeitura que o diga...

Enquanto isso, Lulla se impõe ao PT, mostrando claramente que agora quem tem os votos é Ele (Um Deus?), e não o Partido dos Trabalhadores. Este, se quiser continuar vivo eleitoralmente, que obedeça as ordens, pois aliados muito grandes e importantes se aproximaram de Lulla e o abraçam, enquanto o PT se afastou do Povo. Sinto que se Lulla quiser, acaba com o PT em dois tempos, colocando-o no limbo eleitoral e partidário, sem macular o seu espectro eleitoral pessoal, a esta altura difuso, amorfo e embasado em alianças mal cheirosas. Afinal, está claro, ao menos para mim, que o representante preferencial do Capital Internacional e da Globalização dos Oligopólios é o Lulla, e não mais o PSDB. Aliás, este foi o sentido maior da célebre frase de Obama “Este é o Cara!”. Foi quase uma senha....

Assim, como as tragédias viram farsa, quando se repetem na história, posso dizer, sem medo de errar, que o PT com o avançar do tempo e a insistência recorrente em repetir a história de nosso país, de forma acrítica, transformou-se de Concubina em uma histriônica, estapafúrdia, além de ridícula sob qualquer ângulo Eguinha Pocotó.

Ao fundo o som do MC Serginho, com o refrão “Vai Lacraia, Vai Lacraia!”, para dar o contorno estético medíocre a esta farsa política protagonizada por Lulla e o PT (com seus aliados), traindo o que poderia ser o início de novos e definitivos tempos para o Brasil, que foi construído em 25 anos,até a eleição de Lulla .

*Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopata e avisa que não tem medo de cara feia de bens nutridos financeira e eleitoralmente, às custas da traição ao Povo.
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