Blitz israelense contra a paz de Obama

 

Barack Obama passou sete meses defendendo a idéia de uma Palestina independente. Destacou sempre a necessidade de Israel congelar a expansão dos assentamentos como primeiro passo para iniciar negociações com os árabes. Por fim, acabou propondo um congelamento parcial de um ano - ou até de seis meses - sendo que, em troca, países árabes instalariam escritórios comerciais em Telaviv e permitiriam vôos da El Al sobre seus territórios nos trajetos para o Extremo Oriente.

 

Seria um acordo extremamente vantajoso para o governo de Telaviv. A instalação dos escritórios representaria um autêntico estabelecimento de relações comerciais com países árabes, que abriria um grande mercado para os produtos industrializados de Israel. Já os árabes ganhariam muito menos: além do petróleo, pouco têm a oferecer ao pequeno mercado israelense.

 

Podendo voar no espaço aéreo do mundo árabe, os aviões da El Al economizariam centenas – mesmo milhares – de quilômetros de distâncias a percorrer, reduzindo consideravelmente seus gastos com combustível.

 

A parte de Israel nesse acordo verdadeiramente leonino seria limitar-se a parar de praticar atos ilegais, condenados pela ONU – ou seja a fundação de novas colônias na Cisjordânia.

 

E assim mesmo por prazo limitado (6 meses ou 1 ano). Convém lembrar ainda que a interrupção destas expansões ilegais era ponto pacífico nas gestões de governos anteriores ao de Netanyahu (embora essa diretiva fosse freqüentemente violada).

 

Apesar de a proposta americana beneficiar claramente Israel, seus dirigentes reagiram negativamente. Para eles, era pouco.

 

Comentando os planos de expansão do assentamento E-1 , na Margem Oeste, o ministro do Interior Eli Yishai declarou que os Estados Unidos não poderiam impedir as obras pois "não há saída, para nossa segurança é crucial continuar a construção." Esse assentamento, se concluído, virá separar Jerusalém Oriental (preponderantemente árabe) da Cisjordânia, impossibilitando a existência de um futuro Estado palestino com terras contínuas.

 

Por sua vez, o Ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, rejeitou as pretensões de independência dos palestinos. Quer negociações sim, mas com objetivos bastante limitados: "Nós precisamos preservar um diálogo com os palestinos sobre como melhorar sua segurança e sua situação econômica, mas isto é o máximo que pode se conseguir num futuro próximo."

 

Netanyahu, como primeiro-ministro, deu a palavra final, garantindo que jamais Israel se retiraria de um único assentamento. Justificou-se assim: "A retirada da Faixa de Gaza não nos trouxe nem paz, nem segurança." Um falso argumento, que a extrema-direita vem usando (com sucesso diante do público interno), pois na verdade quem começou o conflito foi o exército israelense, ao bloquear Gaza como retaliação à vitória eleitoral do Hamas.

 

A "blitz" completou-se com uma ação nos próprios Estados Unidos. Setemta senadores dos dois partidos enviaram uma carta a Obama cobrando ações pró Israel."Esperamos que o senhor continue a pressionar os líderes árabes a considerarem gestos dramáticos em relação a Israel semelhantes àqueles efetuados por corajosos líderes como o rei Hussein da Jordânia e Anuar Sadat, do Egito (eles estabeleceram relações diplomáticas com Telaviv)."

 

A carta dos senadores americanos também apela aos líderes árabes para que acabem com o boicote a Israel, desenvolvam relações econômicas com esse país, forneçam vistos aos cidadãos israelenses e convidem-nos a participar de eventos acadêmicos, profissionais e esportivos. Vão muito além do que Obama está propondo.

 

Aos líderes israelenses, os senadores americanos não pedem nenhuma concessão. Sequer tocam na questão da expansão dos assentamentos.

 

De toda a barragem contra a independência da Palestina, os tiros mais poderosos partiram dos senadores dos EUA. A explicação é simples.

 

No momento Obama encontra-se fragilizado. O povo americano mantinha grandes esperanças de que ele conseguisse rapidamente melhorar a situação econômica, o que não aconteceu. Frustrado, está abandonando o presidente, cuja popularidade cai mês a mês.

 

É fato que o apoio a Israel também está declinando. Pesquisa da Greenberg, Quinlan, Rosner Research mostra que, enquanto em setembro de 2008, 71% das pessoas achavam que os EUA deveriam apoiar Israel sempre, em junho deste ano eram apenas 44%.

 

No entanto, é duvidoso que a opinião pública venha a somar ao lado de um enfraquecido Obama contra as forças dos congressistas e dos poderosos "lobbies" pró-Israel , que tudo farão para impedir o presidente de assumir uma atitude mais agressiva diante do governo Netanyahu.

 

Enquanto Obama encontra obstáculos em seu país de difícil superação, o chefe do governo de Telaviv está fortalecido internamente. Um sintoma claro foi o resultado de recente pesquisa onde 66% dos judeus israelenses declararam-se favoráveis aos planos de expansão dos assentamentos em Jerusalém Oriental. O povo israelense, que antes admitia a tese dos dois Estados na Palestina, hoje é contra, convencido pela extrema-direita de que concessões aos árabes não trazem paz, mas somente novos atentados.

 

De tudo isso se conclui que a paz no Oriente Médio nunca esteve tão longe. Apesar das boas intenções do presidente americano, ele dispõe de poucos recursos para enfrentar adversários cada vez mais irredutíveis. É verdade que quase todos os países do mundo apóiam seus esforços para se encontrar uma solução justa para o problema da Palestina. Mas isso conta pouco em termos de política interna americana.

 

A Obama resta apenas a contemporização. Continuar sua pregação contra os assentamentos e pela Palestina independente, polemizando com os líderes israelenses, de olho nos públicos americano e judaico. Procurar convencer os movimentos árabes a esperar que suas medidas econômicas comecem a apresentar bons resultados. E que ele venha a recuperar o prestígio que está perdendo e a força necessária para poder agir com decisão.

 

É uma aposta contra o tempo. Até quando os líderes do Hamas e do Fatah conseguirão segurar seus exaltados e impedir novos ataques que só fortalecerão a extrema direita em Israel? Até quando o Mossad e o exército israelense esperarão para realizar mais um "assassínio seletivo" de alguém dito terrorista e assim provocar retaliações que porão tudo a perder?

 

Luiz Eça é jornalista.

 

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Comentários   

0 #1 Não se pode falar mal de judeuMarsvelo 17-08-2009 20:25
Hoje podemos falar mal de qualquer nação: dos norte-americanos, dos argentinos, dos iranianos... mas não podemos falar dos judeus, pois parte deles sofreram a violência do nazismo.

Mas então, como falar mal deles?
Como falar dos Goldsmiths que surrupiaram as economias dos países onde passaram? Como falar da maioria das indústrias de armas, que são quase todas de judeus? Dos bancos, que são boa parte judaicos? Como falar mal da Monsanto, que está dominando a produção de alimentos no mundo? de Milton Friedman, que implantou a doutrina do choque na América Latina, de Donald Rumsfeld, que ajudou a criar a inventada guerra contra o terror e que é um dos donos do Tamiflu, da pandamia inventada da gripe suína.

Como diz Noam Chomsky (um judeu odiado pelos judeus conservadores), Israel utiliza-se do Holocausto como arma para apoiar suas barbáries.
Ninguém pode falar mal de judeu, pois será chamado de anti-semita.

Mesmo se quisesse, ninguém daria ouvidos, pois quase todos os canais de TV ocidentais estão na mão deles FOX, Time Warner, etc., etc., sem falar nos jornais. Até mesmo no Brasil (ex.: Globo, SBT).

O congresso norte-americano também a dominado por eles...

Já caiu a ficha de quem domina o planeta?

Por isso Israel vai continuar fazendo o que quiser, pois ela tem seu "Big Brother", os EUA, para barrar o mundo, mas Nova Iorque é quem manda. E quem manda em NY são os judeus.

Não sejamos anti-semitas. Só queremos que certos judeus parem de arrasar os outros humanos.
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