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Petrobrás: os inimigos nunca se foram Imprimir E-mail
Escrito por Emanuel Cancella   
Sexta, 14 de Agosto de 2009
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A criação da Petrobrás, é sabido, se deu através do povo nas ruas no movimento "O Petróleo é Nosso!". Desde então é usado o chavão "os inimigos da Petrobrás estão de volta"; mas, na verdade, eles nunca se foram. E se apresentam nas mais diversas versões:

 

Na ditadura militar, contrariando o monopólio estatal do petróleo, tivemos os Contratos de Risco que disponibilizaram para as multinacionais mais de 80% das bacias sedimentares brasileiras. Justiça seja feita aos militares, pois os contratos tinham risco principalmente na necessidade do investimento; como pouco foi investido, não descobriram nada significante.

 

Os tucanos, durante o governo FHC, tentaram privatizar a companhia e mudar seu nome para Petrobrax; conseguiram então quebrar o monopólio do petróleo, introduzir a lei 9478/97, com a Agência Nacional de Petróleo e seus leilões, através dos quais metade das áreas com potencial petrolífero foi entregue às empresas privadas, em sua maioria multinacionais do petróleo. E agora, no momento da discussão do novo marco regulatório, apresentam a CPI da Petrobrás.

 

Indiferente aos ataques, a Petrobrás conquistou o mundo: ganhou duas vezes, em 1992 e 2001, o prêmio internacional da Ofshore Tecnology Conference pela excelência na prospecção de petróleo no mar; em 2009, é a quarta empresa mais respeitada no mundo e a primeira no Brasil, em pesquisa realizada anualmente entre as 1000 empresas globais pelo Reputation Institute com sede em Nova York; e também neste ano, no primeiro semestre, é a oitava empresa que mais se valorizou no mundo segundo levantamento da consultoria Ernst & Yong. Mas o melhor estava por vir, a Petrobrás, de forma pioneira, descobriu o pré-sal, um dos maiores mananciais de petróleo e gás do planeta. Para isso, durante três décadas teve que desenvolver tecnologia e investir bilhões de reais.

 

Mas seus inimigos não se rendem, pois vem de dentro do governo Lula a proposta de criar uma nova empresa para administrar o pré-sal. Sem querer fazer alusão a ninguém, deixar a Petrobrás de fora do pré-sal e botar o lobo para cuidar do cordeiro. Mesmo se tratando de pré-sal e envolvendo trilhões de dólares, não devemos pré-julgar, vamos acreditar na inocência e na boa intenção daqueles que propõem a nova empresa. Mas, cá para nós, é preciso muita coragem e talento para nos convencer de que esse Congresso, totalmente desmoralizado e contrariando os especialistas internacionais, apresente algo melhor que a Petrobrás!

 

Emanuel Cancella é advogado e secretário-geral do Sindipetro-RJ.

 

Contato: emanuelcancella(0)uol.com.br

 

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