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O ‘custo’ de manter o aquecimento global em 2ºC Imprimir E-mail
Escrito por Henrique Cortez   
Segunda, 10 de Agosto de 2009
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A imagem ilustra uma das consequências da elevação do nível do mar, na qual a região do Delta do Mississipi sofreria com o alagamento de uma área de 13.500 km², o que seria equivalente a 10% da área do estado da Louisiana (por Blum and H. Roberts).

 

Na reunião realizada recentemente em L’Áquila, as 17 maiores economias decidiram empreender esforços para manter o aquecimento global médio em no máximo 2ºC, tido como o limite máximo aceitável. Pode até parecer um avanço em relação às resistências anteriores, mas deve ser visto com cuidado, principalmente porque este limite também significa severos impactos sociais e ambientais.

 

Na prática, o ‘consenso’ reconhece o que a comunidade científica já destaca como irreversível. O CO2 acumulado na atmosfera, somado às emissões previstas até 2020, já serão suficientes para conduzir o planeta para um aquecimento de 2ºC. Os maiores emissores, portanto, apenas reconheceram o óbvio.

 

Outra questão é o que se considera como limite máximo aceitável. A base questionável de que este é um limite aceitável está na tese de que os impactos de um aquecimento global médio de no máximo 2ºC seriam economicamente "suportáveis" pelas grandes economias. Esta tese ganhou força a partir da crise financeira global porque permitiu dimensionar os impactos no PIB global, que foi reduzido, em média, na ordem de 2%, o mesmo que se espera para um aquecimento de 2°C, com a diferença que, ao contrário da crise financeira global, a redução do PIB global, por este aquecimento, seria ‘diluído’ ao longo deste século.

 

Os argumentos podem até ser lógicos e aceitáveis em termos econômicos e políticos, mas, desprezam o ‘custo’ humano e ambiental deste aquecimento.

 

Os pesquisadores já definiram claramente o que significaria este "suportável" aquecimento de 2°C. Vejamos algumas das consequências mais visíveis:

 

1) a cobertura de gelo no oceano Ártico desapareceria e as pesquisas mais atuais demonstram que a extensão máxima da cobertura de gelo no Ártico está sendo reduzida em 2,7% por década. Isto ameaça os povos tradicionais da região, os ursos polares e muitos outros animais. O degelo, do Ártico, da Antártida e da Groenlândia já seriam suficientes, mesmo em 2°C, para um aumento do nível do mar da ordem de 1m (Pesquisadores estimam que o nível do mar pode subir 1 metro dentro de 100 anos).

 

2) os bancos de coral das regiões tropicais sofrerão ainda mais com o branqueamento, matando a maior parte dos corais, o que significa um severo impacto na biodiversidade marinha, com grande redução dos estoques pesqueiros.

 

3) as regiões subtropicais ficarão ainda mais expostas a ciclos de seca severa; os países temperados enfrentarão ondas de calor mais intensas e freqüentes; as florestas tropicais, subtropicais e temperadas, mais expostas às secas, enfrentarão incêndios florestais ainda mais intensos.

 

4) este aquecimento vai levar cada vez mais pessoas a fugir das regiões onde vivem, acuadas por secas, desertificação e enchentes. De acordo com a ONU, até 2050, as mudanças climáticas podem levar 200 milhões de pessoas a abandonar suas cidades.

 

Mais uma vez, os ‘lideres globais’ decidiram como infernizar a vida dos outros. Sob qualquer perspectiva, minimamente ética e responsável, estas não são ‘perdas aceitáveis’ e, como sempre, as populações mais pobres e vulneráveis serão as mais afetadas.

 

O jornalista Tutty Vasques, ao questionar os resultados deste convescote das grandes economias (Dispositivo de fé), comparou a decisão de forma muito feliz: "Mal comparando, se, em vez do pretexto das mudanças climáticas, os homens mais poderosos da Terra estivessem reunidos numa conferência de paz, na impossibilidade de se acabar com a guerra teriam estabelecido um limite para o número de mortos em ataques aéreos. Digamos que uns 12 por bombardeio!"

 

Quase metade da população dos Estados Unidos não acredita que o aquecimento global e as mudanças climáticas sejam causados pela ação humana e quase 70% acredita que o país conseguirá enfrentar o caos climático com segurança. No entanto, as crises ambientais não respeitam limites geográficos, fronteiras e PIBs. Os EUA, quer queiram ou não, também vão ‘pagar’ caro com as consequências das mudanças climáticas.

 

Em recente estudo (Blum, M.D., and H.H. Roberts. 2009. Drowning of the Mississippi Delta due to insufficient sediment supply and global sea-level rise. Nature Geoscience 2, 488-491 (28 June 2009) doi:10.1038/ngeo553) os pesquisadores estimaram que em razão da elevação do nível do mar, até 2100, a região do Delta do Mississippi sofreria com o alagamento de uma área de 13.500 km², o que seria equivalente a 10% da área do estado da Louisiana.

 

Outros estudos já haviam demonstrado que o aquecimento global implicará em significativos impactos econômicos na Flórida. Um destes estudos utiliza as estimativas atuais da elevação do nível do mar, da Florida State University’s Beaches and Shores Resource Center e estimativas, de 2001, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, IPCC, para avaliar o efeito da elevação do nível do mar sobre os seis municípios costeiros. Os resultados mostram tendências projetadas nas tempestades, inundações associadas com furacões, enchentes, danos e custos associados com as grandes tempestades, bem como o valor da terra e da área de risco.

 

No estudo da FSU, as estimativas para o nível do mar em Dade County, o valor dos terrenos em risco totaliza US$ 6,7 bilhões em 2080 (em dólares, com poder de compra de 2005). A título de comparação, utilizando o Painel Internacional sobre as Alterações Climáticas, as estimativas do nível do mar, o valor da terra em risco em Dade County varia de US$ 1 bilhão para US$ 12,3 bilhões em 2080.

 

O estudo calculou, também, o efeito de onda e a elevação do nível do mar por tormentas, os danos e os futuros custos, concluindo que, no caso de uma tempestade como furacão Wilma de 2005 ocorrer em 2080, os custos por si só seriam de 12 a 31% mais elevados.

 

Pesquisadores também demonstraram que a costa nordeste dos Estados Unidos, especialmente a cidade de Nova Iorque, é uma das áreas mais vulneráveis diante do aquecimento global e onde o nível do mar poderia aumentar entre 36 e 51 centímetros nos próximos 90 anos, segundo um estudo publicado pela revista "Nature Geoscience" ( Model projections of rapid sea-level rise on the northeast coast of the United States, Jianjun Yin, Michael E. Schlesinger, Ronald J. Stouffer, Nature Geoscience 2, 262-266 (15 March 2009) doi:10.1038/ngeo462).

 

Sugerimos que acessem as tags "Nível do Mar" e "Degelo" para compreender, melhor, o significado deste aquecimento global médio de ‘apenas’ 2ºC.

 

Engana-se, portanto, quem acredita no efeito ‘higienizador‘ das mudanças climáticas que, majoritariamente, afetariam as populações vulneráveis do ‘pobre, feio e sujo’ terceiro mundo.

 

Enfim, as 17 maiores economias decidiram empreender esforços para manter o aquecimento global médio em no máximo 2ºC, tido como o limite máximo aceitável.

 

Resta, agora, combinar com centenas de milhões de pessoas que sofrerão e enfrentarão as seqüelas desta decisão do que é aceitável.

 

Henrique Cortez é coordenador da revista Ecodebate.

 

Email: henriquecortez(0)ecodebate.com.br

 

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