topleft
topright
ISSN 1983-697X

Boletim Diário

Email:
Para assinar o boletim de
notícias preencha o
formulário abaixo:
Nome:

Brasil nas Ruas

Confira os artigos sobre manifestações e movimentos sociais no Brasil.

Arquivo - Artigos

Áudios

Correio da Cidadania, rádio Central 3 e Revista Vaidapé fazem “debate autônomo” sobre as eleições  

Leia mais...
Image

Plinio de Arruda

MEMÓRIA

Confira os textos em homenagem a Plinio


Leia Mais

Plinio em Imagens



Confira a vida de Plínio


Charge


Imagem




Artigos por data

 Nov   December 2016   Jan
SMTWTFS
   1  2  3
  4  5  6  7  8  910
11121314151617
18192021222324
25262728293031
Julianna Willis Technology

Links RSS

Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania Correio da Cidadania

Áudios - Arquivo

AumentarDiminuirVoltar ao original
Estados Unidos: manutenção da política externa do governo Bush Imprimir E-mail
Escrito por Virgílio Arraes   
Sábado, 08 de Agosto de 2009
Recomendar

 

Seis meses de gestão do presidente Obama não foram suficientes até o momento para alterar a política externa do país. Na primeira crise ocorrida no transcorrer de seu mandato, em Honduras, Washington, embora tenha condenado o golpe de Estado, não soube posteriormente articular-se com os demais governos da região com o objetivo de isolar diplomaticamente o novo presidente em Tegucigalpa.

 

Sem legitimidade sequer regional, os golpistas provavelmente retrocederiam, o que ensejaria o retorno do dirigente deposto, Manuel Zelaya, deslocado provisoriamente na Costa Rica. Na ausência de uma coordenação eficiente entre os países da Organização dos Estados Americanos (OEA), gerou-se um impasse que, com o decorrer do tempo, mais beneficiará os membros do novo governo.

 

Desta forma, não causa estranheza que, nas duas guerras em andamento no continente asiático, a situação não esteja também satisfatória para os Estados Unidos e seus aliados, em vista da hesitação em modificar substancialmente os rumos da política exterior. No mais antigo dos conflitos, no Afeganistão, o estado da segurança na capital indica a precariedade da ordem estabelecida pela coligação ocidental.

 

Nos locais em que se fixou o aparato administrativo do governo de Hamid Karzai, das Nações Unidas, da aliança anglo-americana, das organizações não governamentais, é necessário o emprego maciço de sacos de areia em torno de todas as instalações, a fim de dificultar a ação de homens-bombas ou carros-bombas.

 

Um dos desafios mais importantes do Afeganistão é estruturar uma política de segurança com o Paquistão, com o qual compartilha uma fronteira que em tese impediria o Talibã de circular e, por conseguinte, abastecer-se. Não há no curto prazo a perspectiva de que este entendimento possa materializar-se.

 

No dia-a-dia, portanto, a situação é outra, dado o apoio – explícito na opinião de Cabul - de muitos paquistaneses – inclusos servidores públicos vinculados ou ao setor militar ou ao de espionagem – à insurgência afegã, apesar do extremismo de suas posições políticas e culturais.

 

As origens de tais laços localizam-se ainda na Guerra Fria, no período em que Ronald Reagan esteve à frente da Casa Branca. Receosos de que a União Soviética tivesse êxito na ocupação do Afeganistão, os norte-americanos valeram-se do Paquistão para auxiliar amplamente a oposição local a Moscou. Por meio da Agência Central de Espionagem (CIA), treinaram os revoltosos em solo paquistanês. Quase uma década mais tarde, os soviéticos recolher-se-iam ao seu território.

 

O regime comunista afegão pós-soviético ainda perduraria precariamente até 1992, sendo o seu ex-presidente Mohammad Najibullah assassinado em setembro de 1996, tendo os restos mortais expostos em um poste de luz. Horas antes do seu assassínio, o Talibã, com o apoio velado do Paquistão e dos Estados Unidos, sob governo republicano, havia granjeado finalmente o poder.

 

Por ironia do destino, meia década mais tarde, ele se tornaria publicamente o principal inimigo de Washington, novamente sob o controle do Partido Republicano.

 

No final de agosto, haverá eleição presidencial no território afegão. Em não sendo mais possível ignorar a presença dos talibãs no quadro político, qual o encaminhamento possível para superar-se isto? Os partidários do presidente Hamid Karzai negociam com chefes militares de várias pequenas localidades, tendo em vista o asseguramento de sua reeleição.

 

Nas negociações em curso, inclui-se antecipadamente a divisão de funções públicas, de acordo com a capacidade bélica de cada líder, independentemente de um projeto nacional.

 

Observadores internacionais não acreditam mais na realização de uma eleição realmente democrática, de caráter pluripartidário. O objetivo, ainda que em detrimento de outros quesitos importantes, é a necessidade de estabilidade. Assim, o processo eleitoral transcorrerá do ponto de vista formal sem problemas, mesmo sem incluir de fato todas as correntes políticas do país.

 

A forma por que isto acontecerá derivará do socorro das tropas da coligação anglo-americana, de sorte que os antigos simpatizantes da Aliança do Norte prevaleçam geograficamente sobre os do Talibã. Contudo, a presença dos atuais efetivos estrangeiros, a fim de garantir minimamente a estabilidade, não será indefinida, até mesmo em função de seus custos para o seu principal mantenedor.

 

Outrossim, as Nações Unidas teriam dificilmente condições de assumir a manutenção de tropas no local. As forças armadas afegãs, com um contingente em torno de 100 mil homens, são vistas pela população como conectadas aos interesses dos atuais mandatários, não do país.

 

Assim, a instabilidade continuará a perscrutar o horizonte político do Afeganistão e com ela parte do êxito ou do fracasso da política externa do governo Obama.

 

Virgílio Arraes é doutor em História das Relações Internacionais pela Universidade de Brasília e professor colaborador do Instituto de Relações Internacionais da mesma instituição.

 

Recomendar
Última atualização em Segunda, 10 de Agosto de 2009
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




Para ajudar o Correio da Cidadania e a construção da mídia independente, você pode contribuir clicando abaixo.


Vídeos

Índios Munduruku: Tecendo a Resistência

Imagem

Documentário sobre as resistências indígenas às hidrelétricas do Tapajós
Leia mais...

A Ordem na Mídia

Eugênio Bucci: “precisamos de um marco regulatório democrático na comunicação”


Há uma falência nos modelos de negócios refletida nas relações trabalhistas, na concentração de propriedade, formação de monopólios e oligopólios e no aparelhamento por parte de igrejas e partidos. Entrevistamos Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP, que afirmou a necessidade de um marco regulatório democrático para fortalecer a democracia no Brasil.
Leia mais...


Brasil_de_fato
Adital
Image
Image
Banner_observatorio
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image
Image

Diario Liberdade

Espaço Cult

Image
Image
Revista Forum
Joomla Templates by JoomlaShack Joomla Templates