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A questão turca na China: o ocidente do oriente Imprimir E-mail
Escrito por Isaac Bigio   
Qui, 23 de Julho de 2009
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Xinjiang em julho de 2009, assim como o Tibete em 2008, viu vários enfrentamentos sangrentos entre nativos e imigrantes urbanos provenientes do resto da China. Ambas são as duas regiões autônomas nas quais se divide o oeste da República Popular da China (RPC). Pequim promoveu a imigração de chineses Hans a essas zonas pouco povoadas, a fim de i-las homogeneizando.

 

Mesmo assim, no ‘oeste do leste’ as nações nativas têm tradições mais afins às de seus vizinhos da Ásia central que às da distante capital Pequim. As línguas, alfabetos e autoridades religiosas dali são diferentes em relação ao resto da China.

 

Os tibetanos têm um idioma e um alfabeto desenvolvido pelos lamas, cuja fé budista é proveniente da Índia.

 

Os uigures de Xinjiang se originaram nas tribos turcas das planícies da Ásia central que hoje dominam o arco que une Sibéria, o noroeste chinês, cinco ex-repúblicas soviéticas e a Turquia. Essas nações turcas compartilham uma língua similar (e escrevem com caracteres ocidentais ou arábicos) e muitas delas também aderem ao Islã sunita. O ocidente trata de influir sobre Xinjiang e Tibete para pressionar o gigante que vai se potencializando no Oriente.

 

Hans

 

Um de cada 5 humanos é han. Os 1,3 bilhão de hans são a maior etnia que o mundo já conheceu. Sua população é maior que a de continentes inteiros, como os das Américas, Europa e África.

 

Os hans possuem línguas, crenças e costumes diferentes, mas o que os une é sua adesão à civilização chinesa e que eles – ainda que não possam se entender ao se falarem – podem comunicar-se por meio do alfabeto de milhares de caracteres ideográficos dos mandarins.

 

Apesar de os hans representarem 92% da população da China, seguem sendo uma minoria em quase todas as regiões fronteiriças, como esta em questão.

 

Desde que em 1949 o Partido Comunista Chinês tomou o poder, este quis absorver ditas regiões (algumas das quais foram independentes) combinando a concessão de autonomias ou direitos nacionais a 54 minorias, com estímulo à luta de classes no interior dessas.

 

Hoje, Pequim já não promove o igualitarismo, mas sim o capitalismo. Este produziu um boom e uma nova classe de milionários hans, mas também choques entre estes e os trabalhadores ou novas competições empresariais não-hans, cujos reclames as potências ocidentais querem utilizar com a finalidade de ganhar terreno diante de Pequim.

 

Rebiya Kadeer

 

Ela se converteu no símbolo do novo nacionalismo uigur que se choca com Pequim. Nascida em Xinjiang, em 1947, e na pobreza, ela se beneficiaria da nova abertura ao mercado promovida por Deng Xiaoping para se converter numa próspera empresária. Entre 1999 e 2005, foi presa para que logo os EUA conseguissem que fosse libertada, exilada em seu solo e um ano depois se transformar na presidente do Congresso Mundial Uigur.

 

Bush a recebeu apresentando-a como alguém similar ao Dalai Lama. Assim como o patriarca tibetano, ela chama a uma luta pacífica e não-violenta para defender os direitos nacionais e religiosos de sua minoria contra o ‘colonialismo’ chinês (apesar de se opor a qualquer secessão), e se apresenta como uma vítima da ‘tirania comunista’ que encarna o sofrimento de seu povo (ainda que possua um alto padrão de vida).

 

Enquanto Washington usa Kadeer e o Dalai Lama para tentar romper o monopólio do Partido Comunista sobre o poder e o planejamento econômico na China, Pequim prefere que eles apareçam como os porta-vozes do protesto para desacreditá-la como se fosse um instrumento ocidental e também para debilitar os radicais e possíveis grupos violentos. 

 

A fundo:

 

Cabeças de turco

 

O termo ‘turco’ é algo que vem mudando muito com o tempo. Alguns sustentam que a primeira ilha que os europeus descobriram no Caribe foi a Gran Turca. Essa não foi batizada assim em homenagem ao império otomano, e sim porque Colombo ou seus acompanhantes viram que um cacto que havia ali tinha a forma do chapéu de seus inimigos turcos.

 

Foi o ódio aos turcos que levou os iberos a buscar cruzar o Atlântico. Meio século antes das viagens de Colombo, os otomanos conquistaram a Roma do leste (Bizâncio) e obstaculizaram o comércio com o Oriente, o que produziu o desejo de encontrar novas rotas.

 

‘Turco’, dessa forma, era sinônimo da maior ameaça muçulmana que já tinha visto a Cristandade. A principal obra em espanhol foi escrita depois que seu autor (Cervantes) ficou manco em uma batalha contra os otomanos.

 

Depois, nas Américas de antes da primeira guerra mundial (1914-1918) se denominavam ‘turcos’ os imigrantes que vinham do Mediterrâneo Oriental, ainda que muitos deles não fossem muçulmanos e nem falassem turco, pois eram árabes cristãos ou judeus dos territórios que logo seriam reconhecidos como Síria, Líbano, Palestina ou Jordânia.

 

Descendentes deles chegaram a ser chefes de Estado (Menem na Argentina, Saca em El Salvador, Turbay na Colômbia, Bucaram e Mahued no Equador), de governo (Simons, no Peru), de oposição (Handal, em El Salvador) ou da maior cidade (Maluf, em São Paulo). Johnson, o prefeito de Londres, é um nova-iorquino de pai turco. Até pouco tempo atrás, ser ‘turco’ equivalia a ser da República da Turquia.

 

De toda forma, há duas décadas a imprensa mundial começou a se encher de manchetes em que apareciam uns ‘turcos’, que até então haviam estado relativamente relegados. Em 1991, a União Soviética se desintegrou em 15 novas repúblicas (5 das quais falam uma língua turca: Azerbaijão, Turcomenistão, Uzbequistão, Cazaquistão e Quirguistão).

 

Esses novos membros da ONU começaram a se destacar, seja pelo boom de suas exportações de hidrocarbonetos ou algodão, por suas guerras ou pelos seus laços com o conflito afegão. Dostum, que lutou a favor da União Soviética na invasão do país, ainda tem um feudo turco-uzbeque no Afeganistão.

 

Os gagauzes da Moldávia, os tártaros da Ucrânia e diversas repúblicas turcas da Rússia foram reivindicando mais direitos nacionais ou mais autonomia. Um dos novos Estados da União Européia, o Chipre, tem em seu interior uma república separatista turca.

 

Moussavi, que desatou a maior crise do Irã pós-1979 ao questionar os resultados que não o levaram à presidência, nasceu na zona turca do Irã (Azerbaijão do leste), onde possui uma forte base social.

 

Hoje, ser turco não equivale a ser a ameaça islâmica sobre a Europa ou proveniente do império otomano. Deste último surgiram mais países na África, Ásia e Europa que as 15 repúblicas em que se desintegrou a URSS e nenhum deles, salvo a Turquia ou seu satélite Chipre, se reivindica atualmente como ‘turco’. E mais, cerca de 20% da população da Turquia podem potencialmente rechaçar ser catalogada como ‘turca’, pois falam uma língua indo-européia e podem reivindicar ser parte da maior nação sem Estado que há no mundo (os 25 milhões de curdos).

 

Turcas não são aquelas populações do Mar Mediterrâneo árabe do qual chegaram os ‘turcos americanos’, mas aquelas nações que se originaram da zona mais mediterrânea e afastada de todo o oceano que existe neste planeta: as planícies da Ásia central.

 

Há de 180 milhões a 200 milhões de pessoas que falam uma das trinta línguas turcas e que se encontram espalhadas em uma faixa (interrompida apenas pela Mongólia) que vai do sudoeste do Mediterrâneo até o Pacífico norte-oriental asiático. Somente de 30% a 40% deles residem na República da Turquia. O resto vive nas outras cinco repúblicas turcas ex-soviéticas, em uma dúzia de regiões ou repúblicas autônomas da Rússia, China, Moldávia, Ucrânia ou Chipre, em importantes regiões do Irã, Iraque, Afeganistão, Bulgária, Macedônia, Tadjiquistão e Mongólia e em significativas concentrações na Finlândia, Lituânia, Polônia, Alemanha e outras partes da União Européia.

 

A Turquia sempre mirou a Europa ou o Oriente Médio, enquanto que todas as zonas turcas da Ásia central foram áreas de influência dos impérios russo, persa ou chinês. A possibilidade de se gerar um movimento ou uma liga pan-turca não poderia se realizar antes do colapso soviético.

 

Paradoxalmente, a zona mais oriental e marginal onde habitam turcos (Sibéria norte-oriental) é aquela de que há mais de 10 milênios partiram os primeiros povoadores que cruzaram a região até o Alaska.

 

A ilha Gran Turca não foi povoada por turcos, mas os primeiros americanos estão geneticamente emparentados com os siberianos da grande faixa turca.

 

Na Alemanha se publicou um famoso livro cujo título ‘Cabeça de Turco’ não tinha nada a ver com a forma pela qual foi batizada essa ilha caribenha, mas com a maneira que os alemães vinham tratando os milhões de imigrantes turcos, como se fossem os novos bodes expiatórios.

 

"Cabeças de turco" podem ser considerados milhões de imigrantes (sobretudo muçulmanos) na Europa que fecha suas fronteiras, assim como os novos movimentos que se desatam na Ásia central. O mote ‘terrorismo uigur’ foi utilizado como se fosse ‘cabeça de turco’ por parte de Wang Lequan (secretário do Comitê Regional do Partido Comunista da China na Região Autônoma Uigur de Xinjiang), que há 15 anos esmaga toda dissidência em Xinjiang.

 

Por outro lado, uma das questões que mais seguirá convulsionando o mundo pós-guerra fria é a emergência de nações turcas que buscando maiores graus de autonomia ou independência encabecem novos protestos ou guerras.

 

Mapas das nações turcas no mundo

 

Isaac Bigio é analista internacional. Foi professor de política brasileira e latino-americana na London School of Economics & Political Sciences.

 

Este artigo foi retirado do Boletim ‘Análisis Global’, do próprio autor.

 

Traduzido por Gabriel Brito.

 

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Última atualização em Segunda, 27 de Julho de 2009
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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