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Por trás da pandemia: Suína ou A (H1N1)? Imprimir E-mail
Escrito por Grupo de São Paulo   
Quarta, 22 de Julho de 2009
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Tudo começou no final de abril quando, mais uma vez, séria ameaça somou-se a tantas outras que preocupam a humanidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou a iminência de risco pandêmico de um novo tipo de doença proveniente de vírus desconhecido, Influenza A (H1N1), similar ao vírus da Gripe Espanhola. Classificou o alerta como de nível 4 e, logo em seguida, reclassificou-o como de nível 5, um abaixo do alerta máximo.

 

O vírus em questão surgiu no estado de Veracruz, no México, em estabelecimentos agroindustriais ligados às grandes cadeias do agronegócio internacional da suinocultura (Granjas Carroll). O vírus é resultado de recombinação genética inédita de vários tipos de cepas – aviárias, suínas e humanas. Essa recombinação deu-se no organismo dos suínos, bastante propicio para tanto. O fato de ser inédito implica em desconhecimento quanto às suas características – letalidade, capacidade de infecção entre os seres humanos, potencialidade de novas mutações etc.

 

Outro fator preocupante é que há cinco anos o mundo já se prepara e vive a possibilidade de enfrentar uma pandemia pelo vírus A (H5N1), o da Gripe Aviária, de altíssimo nível de letalidade.

 

O alerta da OMS significava, portanto, que doença ainda desconhecida estava prestes a atingir a sociedade humana em vários países e continentes. A infecção seria primordialmente pulmonar e transmitida por via oral e por contatos diretos e indiretos entre os seres humanos.

 

Em artigo publicado na Folha de São Paulo, no dia 02/06/2009 (pg. 03), o médico epidemiologista Jarbas Barbosa da Silva Junior, esclarece: "Encontramo-nos agora na situação epidemiológica mais próxima a uma pandemia desde que a última ocorreu em 1968 - a chamada Gripe de Hong Kong (40 mil vítimas). Tecnicamente, só é necessário confirmar que o vírus estabeleceu transmissão sustentável em pelo menos um país de outro continente, pois, nas Américas, essa condição já foi alcançada: México, EUA e Canadá".

 

A partir da manifestação da OMS, passou-se a assistir uma disputa de idéias e interesses nem sempre humanitários e científicos, mas também mesquinhos ou meramente do tipo business is business. Muitos qualificaram a atitude da Organização como alarmista, vinculando-a algumas vezes aos interesses da indústria farmacêutica. Cumpre, todavia, reconhecer, por ciência e por prudência, que a história das epidemias e pandemias justifica o tipo de alerta. Basta destacar alguns dos fatos que fazem parte da memória coletiva da humanidade: século XIV, Peste Negra (atinge toda a Europa e provoca a morte de 1/3 da população); 1918, Gripe Espanhola (primeiros casos detectados em Kansas nos EUA - as estimativas de mortes variam entre 50 e 100 milhões de vítimas); e tantas outras como a Asiática, a Aviária e a SRAS – Síndrome Respiratória Aguda Severa.

 

Se de um lado justifica-se a atitude da Organização Mundial da Saúde a respeito da magnitude do alerta, por outro causa espécie e desconfiança a mudança do nome da gripe de Porcina ou Suína para o neutro A (H1N1). Esta alteração não é um fato qualquer e precisa ser realçado. A OMS, órgão das Nações Unidas cuja missão é cuidar da saúde mundial cedeu rapidamente aos lobbies das grandes empresas da cadeia da carne suína. Todavia, é evidente que essas poderosas companhias estão entre os responsáveis pelo aparecimento de vírus recombinados com potencial de atingir fortemente a saúde humana.

 

O depoimento do professor Mike Davis, da Universidade da Califórnia (em Irvine), publicado no jornal Britânico The Guardian e divulgado pelo jornalista Ivan Marsilis (OESP 17/05/2009, pg. J8) esclarece a respeito: "Em 1995, havia nos Estados Unidos 53 milhões de porcos espalhados por mais de 1 milhão de fazendas. Hoje 65 milhões de porcos concentram-se em 65 mil instalações. Isso significou uma transição dos antiquados chiqueiros para gigantescos infernos fecais, com dezenas de milhares de animais amontoados sobre um calor sufocante, com sistemas imunológicos debilitados e prontos a intercambiar agentes patogênicos à velocidade de um raio". O professor Mike reagia à tentativa da indústria de desvincular-se do problema.

 

Tão logo veio a público a origem genética e o local em que surgiu o vírus, começaram a circular denúncias sobre as características da produção local praticada pelas Granjas Caroll, ligadas à poderosa norte-americana Smithfields Foods, tida como a maior empresa criadora e processadora de carne de suínos do mundo.

 

O periódico La Jornada (06/05/2009), em matéria de Alejandro Nadal - ‘Influenza A/H1N1: la punta del iceberg’ - afirma que "nessa indústria o processo de produção começa com o emprego massivo de métodos de inseminação artificial. Esta prática empobrece a variabilidade genética dos animais. Para mantê-los vivos em confinamento são necessárias quantidades massivas de antibióticos e vitaminas. Em alguns criatórios de suínos se administram fortes doses de estimulantes que desencadeiam um apetite voraz para que os animais ganhem peso rapidamente. Isto se complementa com doses massivas de hormônios para rápido crescimento." Diz mais: "a concentração de dezenas de milhares de porcos em espaços reduzidos impõem o intercâmbio de vírus entre animais. Este tráfico abre as portas a mutações rápidas e ao surgimento de mutações patogênicas cada vez mais resistentes". Dentre as consequências do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA: North American Free Trade Agreement), destaca-se a proliferação das grandes empresas avícolas e suínas em território mexicano.

 

É importante recordar que os dois últimos surtos infecciosos graves que alarmaram o mundo – a SARS, em 2003 e a gripe aviária, de 2005 – têm origem relacionada ao contato do homem com granjas e plantas industriais do tipo aqui descrito.

 

Há muito mais por trás da pandemia: interesses da indústria farmacêutica, privatização do saber médico, resistência à quebra de patentes, qualidade dos sistemas de vigilância epidemiológica, infra-estrutura de atendimento, distribuição desigual dos benefícios das políticas de saúde entre países e pessoas. O agribusiness internacional faz parte desse cenário.

 

José Juliano de Carvalho Filho e Marietta Sampaio são membros do Grupo de São Paulo, um grupo de 12 pessoas que se revezam na redação e revisão coletiva dos artigos de análise de Contexto Internacional do Boletim Rede, editado pelo Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade, de Petrópolis, RJ.

 

Contato: gruposp(0)correiocidadania.com.br

Artigo publicado na edição de junho de 2009 do Boletim Rede.

 

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Última atualização em Sábado, 25 de Julho de 2009
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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