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A conservação do imobilismo: as eleições e a democracia no México 2009 (1) Imprimir E-mail
Escrito por Eduardo Silveira Netto Nunes   
Qui, 16 de Julho de 2009
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As últimas eleições legislativas federais e para alguns governos e legislativos regionais, realizadas no México, no último dia 5 de julho, eram apontadas pelos analistas políticos como um elemento a proporcionar indicadores importantes sobre o quadro das forças políticas (conservadoras, neoliberais ou progressistas-democráticas) de um lado e o estado atual da democracia no país.

 

As urnas proporcionaram resultados, em boa parte, preocupantes para as forças progressistas e democráticas desse país. Isso porque o Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o país por mais de 70 anos, com práticas de ação política rotundamente conhecidas – clientelismo, corrupção, corporativismo e posturas anti-democráticas – conseguiu uma contundente vitória eleitoral, ficando com cerca de 237 deputados federais – maioria relativa, posto que antes tinha apenas 106. Aumentou sua presença no comando de governos e congressos estaduais e municipais, dominando 19 de 32 estados do país, mais o Distrito Federal, conseguindo ainda a maioria das cadeiras dos legislativos regionais.

 

O Partido da Ação Nacional (PAN) - detentor da presidência do país, com Felipe Calderón -, de tendências conservadoras, neoliberais e belicistas, por outra parte, sofreu uma expressiva derrota, posto que perdeu muitas cadeiras no legislativo federal. Antes das eleições contava com 206 deputados, agora não contará com mais de 143. Nos legislativos estaduais, mesmo sendo a segunda força nacional, teve diminuída sua representatividade, além de perder um dentre os oito estados nos quais detinha o governo.

 

A partir de agora ficou na obrigação de negociar, concessivamente, com o PRI na Assembléia Nacional e nas demais esferas do país para garantir a governabilidade de Calderón.

 

A terceira força nacional, de caráter mais progressistas, de esquerda e democrático, o Partido da Revolução Democrático (PRD), também sofreu um revés político importante, pois, ainda que não tenha perdido seus governadores, seis ao total, posto não ter ocorrido eleições nos estados que governa, tinha expectativa de um consistente aumento de sua representação política, com vistas a contrabalançar as outras duas forças nacionais mais conservadoras. Entretanto, viu sua bancada na Assembléia Nacional ser reduzida de 126 deputados para pouco mais de 71. Além disso, não conseguiu projetar-se como partido com representação nacional consistente, posto não ter alcançado deputações em alguns legislativos locais.

 

Uma surpresa foi o aumento da participação, em especial no Congresso Nacional, do Partido Verde Ecologista (PVEM), que, longe de ter como lema a defesa do meio ambiente, nessa última campanha propunha a pena de morte como política chave. E, desse limbo ideológico elitista e ligado a grandes grupos de comunicação, conquistou 22 cadeiras no legislativo federal e ampliou sua participação em assembléias regionais.

 

As forças de esquerdas minoritárias, o Partido dos Trabalhadores, a Convergência e o Partido Social Democrata, tiveram importante perda de representação, posto que de um total de 34 deputados federais que tinham, agora somam 19, sendo que o PSD perdeu seu registro como partido por não ter alcançado o número mínimo de votos necessários para tal condição.

O balanço desses resultados, portanto, permite se perceber aquilo que temiam as forças progressistas para essa eleição: a restauração hegemônica das forças conservadoras no país, tonalizadas agora por um nacionalismo mais ativo do PRI; ou então, a conservação do imobilismo, o que quer dizer um retrocesso para as expectativas de se construir um México mais democrático e igualitário.

 

Eduardo Silveira Netto Nunes é Doutorando em História Social na USP e faz estágio em Investigação no Colégio do México.

 

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