Experiência histórica

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Diante da presente crise mundial do capital, ganham importância as experiências históricas, de mais de 90 anos de tentativas de construção socialista, num mundo marcado pelo desenvolvimento desigual do capitalismo. Isso é especialmente verdadeiro em relação ao atual caminho trilhado pela China e Vietnã.

 

Tais países mostraram que é possível realizar revoluções nacionais, de sentido socialista, mesmo quando o capitalismo não desenvolveu totalmente suas forças produtivas. Uma revolução social não depende da decisão de qualquer corrente política, embora os voluntaristas odeiem essa verdade. Depende de que as classes sociais subalternas não queiram mais viver como até então, não tenham mais nada a perder e que as classes dominantes não mais consigam dominar como até então.

 

Nas críticas condições atuais do capitalismo, supor que um novo movimento ascendente de lutas de classes e revoluções seja algo superado seria o mesmo que acreditar que o capital se tornou imune às crises, ou que um mercado global poderia estabelecer a igualdade, não apenas entre as nações, mas também entre as classes.

 

Por outro lado, revoluções sociais e nacionais de tendência socialista, em países onde o capitalismo não desenvolveu plenamente as forças produtivas, não resolvem por si só essa necessidade histórica. Para desenvolver a base material da sociedade, como mostram os exemplos da China e do Vietnã, tornou-se necessário utilizar o mercado e diferentes formas de propriedade, inclusive capitalistas.

 

A adoção da economia de mercado, pelo socialismo da China e do Vietnã, os levou a confrontar-se, nestes últimos anos, tanto com os resultados positivos do crescimento econômico e da elevação da renda do conjunto da população quanto com os resultados negativos da expansão da corrupção, prostituição, contrabando, tráfico de drogas e outros fenômenos típicos das sociedades de classe.

 

Esses fenômenos, potencializados pelas formas capitalistas de propriedade e pelo crescimento de uma classe burguesa estão presentes como ameaça permanente. Podem manifestar-se até mesmo de forma brutal, como ocorreu no Tibet e, agora, no Xinjiang.

 

Por outro lado, sem a adoção de uma economia de mercado, em que convivem e concorrem formas opostas de propriedade social e privada, a China e o Vietnã certamente teriam afundado com os mesmos problemas que levaram à extinção da União Soviética e dos países socialistas do leste europeu.

 

Ambos os países preferiram adotar um processo de transição de alto risco, cujo desenlace ainda parece incerto. Em termos gerais, a disputa entre capitalismo e socialismo, nessa transição, parece depender da natureza do Estado e do partido, e do processo popular de democratização da sociedade.

 

Se o Estado, resultante da revolução social e nacional, continuar a serviço das grandes massas populares, mantendo-as como o centro de suas atenções; se o partido que dirigiu o processo revolucionário mantiver sua fidelidade e unidade ideológica, e um estilo de trabalho que tenha as classes trabalhadoras e o povo como principais referências; e se a democratização política da sociedade estiver indissoluvelmente associada ao progresso econômico e social, e não dissociada como ocorre nas sociedades capitalistas, há uma possibilidade de que o desenlace do processo tenda para o socialismo.

 

Portanto, as experiências em curso, na China e no Vietnã, talvez respondam a essas questões, não resolvidas pela prática social da luta e das outras experiências socialistas pós-1917. Por isso, é aconselhável que sejam observadas, com atenção e sem preconceitos.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

 

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Comentários   

0 #4 Fernando Rocha 19-07-2009 13:41
Concordo plenamente com o companheiro Raymundo, os países citados pelo Wladmir Pomar, na minha opinião, e na de tantos outros autores, não representaram nenhum tipo de experiência socialista. O processo revolucionário até a conquista do poder político, as ações espontâneas das massas, a autogestão, a ação direta, poderiam direcionar estes países rumo ao socialismo. Porém, no momento da conquista do poder político,momento esse em que uma vanguarda jacobina impõe a centralização estatal e a ditadura do partidoúnico,impõem a militarização desenfreada, o culto à personalidade, o socialismo já não está mais em disputa. Este foi,sem dúvida, destruído por uma pseudo vanguarda operária que possuí a função de continuar a exploração do capital sob o trabalho sob uma roupagem \"socialista\".
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0 #3 ArtigoM. Eloísa B. A. Silveira 17-07-2009 14:05
Concordo plenamente com W.Pomar. Artigo lúcido e informativo o bastante para quem, como eu, não possui profundidade quanto ao assunto.Consegui entender.
Legal.
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0 #2 Meia VerdadeRaymundo Araujo Filho 14-07-2009 14:43
Volto a fazer um contraponto ao texto do Wladimir Pomar, no sentido de colaborar com o entendimento desta difícil matéria, que é a geopolítica e econômia mundial.

Não penso que é verdade que os países citados experimentaram algo que chamam de "experiência socialista", mesmo sem o Capitalismo ter se instaurado de forma total, no domínio das forças produtivas, criando as contradições necessárias para o exercício do Socialismo.

Os países citados por Wladimir Pomar, infelizmente não praticam e não praticaram, senão em curto período pós revolucionário, o Socialismo, mas sim um reles e fuleiro Capitalismo de Estado.

Assim, não avançaram na direção do que é o Socialismo com o seu futuro promissor, onde as forças populares estariam de posse dos meios de produção e possibilitadas de exercerem de forma autóctone os seus modelos de produção e distribuição de riquezas, agravado pelo fato das elites dirigentes que se formaram terem caminhado no sentido da exclusão da população das instâncias decisórias, afinal decisivas para consolidação de um modelo, onde as Força Populares seriam não o Objeto, mas o Sujeito das políticas Públicas e Econômicas. E, em forte caminhada para a eliminação do Estado (seria isso o Comunismo, não?)

Assim, com o tempo estagnaram as opções e alternativas de desenvolvimento, justamente por terem criado, dentro de si, as tais contradições da acumulação de riqueza e desinserção mundial.

Desta forma, não restou a estes países citados, outra alternativa, senão a capitulação ao Capital, pois as elites que se formaram acumularam forças suficientes para não "largarem a cerne seca" e nem dividi-la internamente.

O que vemos hoje na China e no Vietnan, ao meu ver, é o resultado tardio (na União Soviética foi mais precoce), de mais um capítulo da traição de classes por parte de ex-revolucionários que aderiarm ao "farinha pouca, meu pirão primeiro".

Na guerra, quem não avança acaba obrigado a recuar. Na busca do socialismo, quem não se irmana com as Forças Populares, acaba aderindo aos que a exploram.

Minha avó dizia isso de outra maneira: Quem muito se abaixa, acaba mostrando a cueca.

Respeitoso, mas discordante abraço do

Raymundo
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0 #1 Reproduçãoaf sturt 13-07-2009 22:40
Estou reproduzindo o artigo no blog citado a cima com descrição de fonte.Caso tiver problema me comunique que eu retiro!!!
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