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Teorias em subversão Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Segunda, 06 de Julho de 2009
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Atravessamos, realmente, um momento sui generis. A nova crise capitalista, assim como as ambigüidades e os paradoxos dos países emergentes, embaralham tanto o raciocínio da esquerda quanto o da direita. Eles não se encaixam nas teorias liberais clássicas, nem nas teorias marxistas mecânicas. Os que leram Marx sob a ótica da lógica formal, e não da lógica dialética, não conseguem ver, em ambos os fenômenos, o processo combinado, mas contraditório, de desenvolvimento do capitalismo.

 

Apesar do terremoto econômico nos Estados Unidos e na Europa, os teóricos do capital se esmeram em reassegurar a eternidade da contínua revolução de seu modo de produção. Para eles, o capitalismo estaria "aplainando" o mundo sob sua égide, e o mercado ainda seria o santo milagroso capaz de sanar todos os problemas. Continuam achando que o estouro de mais uma crise de reprodução do capital, com seu epicentro localizado no coração do capitalismo mais desenvolvido, e sua salvação residindo no socorro do Estado e na maior regulamentação do sistema, não fará suas teorias rolarem ladeira abaixo.

 

Os grandes bancos norte-americanos e europeus, e as autoridades de seus países, acostumados a fazer críticas ácidas à fragilidade do sistema financeiro dos países em desenvolvimento, continuam tentando determinar os rumos do mundo. Sequer reconhecem que suas avaliações, em especial prevendo que o sistema financeiro chinês desabaria a qualquer momento, em virtude dos "créditos podres" que teria em carteira, demonstraram ser de uma inconsistência total.

 

Também não se acham responsáveis por terem tentado impor aos países emergentes, com base nesse diagnóstico furado, a privatização dos sistemas financeiros nacionais e a abertura total à ação dos bancos estrangeiros. Hoje, os governos que capitularam a essas pressões sofrem dificuldades maiores do que aqueles que, embora admitindo a existência de fragilidades em seus sistemas financeiros, procuraram superá-las tendo por base suas próprias instituições estatais.

 

De qualquer modo, não deixa de ser irônico que esses países em desenvolvimento tenham fortalecido seus sistemas financeiros, em parte aplicando algumas das medidas preconizadas pelos bancos e governos do capitalismo central, enquanto este sequer aplicou o que exigia dos demais. Com isso, tornaram ainda mais evidente o desenvolvimento desigual do capital e as dificuldades do capitalismo desenvolvido em contraste com o capitalismo dos países em desenvolvimento. Com a desvantagem de que o capitalismo dos emergentes cresceu como concorrente, e não como tributário, do capitalismo central.

 

Na tentativa de manter um mercado interno pujante, com um sistema de empréstimos sem sustentação num poder aquisitivo real, o setor financeiro norte-americano afundou, abalado por créditos podres de trilhões de dólares. O que empurra o capitalismo central para um ponto em que precisa discutir a contingência de sustentar aqueles que deveriam ser a base de sua reprodução.

 

Enquanto podia explorar livremente a periferia, o sistema do dinheiro fictício ainda funcionava sem grandes traumas. Porém, à medida que a periferia do capitalismo se tornou competidora, os problemas se agravaram. A solução momentânea de intervenção direta do Estado, mesmo subvertendo as teorias do liberalismo e do neoliberalismo, serão sempre um paliativo.

 

Afinal, o problema consiste em resolver a contradição entre a ampliação dos segmentos populacionais que não têm poder aquisitivo e a necessidade de realização da produção dessas corporações. Enquanto tal contradição estiver presente, a crise do capitalismo central continuará gerando surpresas, em especial para os que não leram Marx com atenção dialética.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político. 

 

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