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Argentina: uma crise que os votos não resolvem Imprimir E-mail
Escrito por Daniel Cadabón   
Sexta, 03 de Julho de 2009
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Quando ainda não se terminara de apurar 100% dos votos das eleições legislativas de domingo, 28, as novidades não são boas para os trabalhadores e o povo.

 

Os preços nas gôndolas dos supermercados, que vêm superando entre 25% e 35% os índices inflacionários difundidos pelo Indec, seriam liberados após as eleições. Os cálculos mais otimistas colocam a nova subida, até fins de julho, entre 5% e 10%. Ninguém descarta que os aumentos sejam superiores, sobretudo levando em conta o aumento das tarifas, fundamentalmente do gás e dos combustíveis líquidos, que já aumentaram entre 5% e 12%.

 

Hugo Moyano, que até agora manteve um silêncio cúmplice com a base governista, tentando dissociar-se dos derrotados, acomete com a reivindicação de 25% de aumento salarial para seus caminhoneiros. No entanto, as empresas, justificando-se com a crise e fortalecidas pelo triunfo de um dos seus, pretendem manter congelados os salários até o mês de dezembro.

Exultantes pelos resultados que deram a vitória ao Pro e a outras variantes de direita, a Techint marca terreno e vai mais fundo contra o poder aquisitivo dos trabalhadores, oferecendo rebaixamento salarial de 15% em troca de um dia a menos de trabalho ou um congelamento, sem prazo, dos salários de seus trabalhadores.

 

O chamado forçado que o kirchnerismo realiza a fim de que a "oposição respeite a governabilidade" depois de seu desastre eleitoral passa pela formação de um conselho econômico social, que para as patronais tem caráter de chantagem sobre os direitos dos trabalhadores. Aos capitalistas este conselho só serve se for para terminar com a negociação salarial e dos convênios coletivos paritários.

 

Já desde o ano passado, a cumplicidade entre a base governista, as entidades patronais e a burocracia sindical levou a um forte refluxo das negociações coletivas. As patronais privadas e do Estado pretendem que as negociações salariais saiam de cena para que, como se alerta, os trabalhadores paguem pela crise: "De janeiro a junho – do ano em curso –, assinaram-se 88 acordos coletivos salariais homologados ou em processo de homologação, correspondentes tanto ao setor privado como ao setor público"... "a crise se manifestou no âmbito da negociação salarial, posto que no ano passado, durante o primeiro semestre, se firmaram cerca do dobro de convênios, ainda que também é certo que durante crises anteriores as paritárias desapareciam de cena" (Página 12).

 

O famoso ‘plebiscito’ kirchnerista só serviu para colocar as patronais "nacionais e populares" na ofensiva, que agora reclamam por um ajuste mais resoluto e repugnante nas condições de vida dos trabalhadores e do povo, baseando-se nos resultados eleitorais que a mostraram como vencedora.

 

Eleição: crise política e econômica

 

O kirchnerismo pode torrar os miolos na incompreensão de sua derrota eleitoral ou lançar-se a uma caça às bruxas contra os figurões do PJ na região metropolitana, vendidos ao melhor contratante, mas tem problemas mais urgentes para resolver caso não queira que o resultado do ‘plebiscito’ o obrigue a um novo adiantamento eleitoral, desta vez para a presidência.

 

Acontece que a economia nacional está entrando em um quadro de terapia intensiva, cujo fôlego é encontrado no aumento do ajuste sobre os chamados gastos sociais.

 

Em princípio, todas as obras públicas prometidas ficariam congeladas, com o inevitável aumento do desemprego que, segundo alguns consultores autorizados, já registra taxa de 11,8% entre os trabalhadores ativos (1.928.000 pessoas, 565.000 a mais do que diz o Indec).

 

Em segundo lugar, o kirchnerismo enfrenta um problema central que pode terminar com seu governo muito antes do esperado: a falta de financiamento e a fuga de capitais. Mais de 20 bilhões de dólares anuais são enviados do país, a média de 1,5 bilhão por mês, e que colocam em risco os pouco mais de 46 bilhões de dólares que, apesar de ninguém ter visto, o governo afirma ter no Banco Central.

 

De fato, o governo tem compromissos de dívida de cerca de 20 bilhões de dólares a curto prazo; 6 bilhões em prazo brevíssimo com o Clube de Paris se quiser ter acesso ao financiamento internacional, o que o coloca em uma situação absolutamente incerta e como refém dos organismos internacionais de crédito que detêm o poder de disparar uma corrida bancária especulativa que acabaria com o governo de Cristina em poucas horas.

 

A burguesia e o governo ainda não se puseram de acordo sobre a cotação que deve ter o dólar, mas todos afirmam que até o fim do ano a verdinha pode estar rondando os 4,50 pesos, o que representaria uma desvalorização brutal para o salário dos trabalhadores.

 

O kirchnerismo fantasia que o superávit comercial lhe permitirá conter o crescimento do dólar, mas o que esconde é que esse superávit é produto de uma queda nas importações de insumos industriais e agroindustriais porque o país entrou em recessão; "esse saldo comercial poderia acabar sendo exíguo frente à demanda de divisas em termos de pagamento de dívidas, de distribuição de dividendos e, fundamentalmente, da fuga de capitais" (Clarín Econômico).

 

O debate entre umas e outras das frações da burguesia não está em onde descarregar o peso da crise, isso já o têm claro, o debate é a respeito do ritmo dessa descarga sobre as costas dos trabalhadores.

 

A fração alinhada com De Narváez prefere que o trabalho sujo se faça antes da posse dos novos legisladores. Kirchner é consciente de que esse trabalho sujo acabaria com todas as suas expectativas para as eleições presidenciais de 2011 e que, se seguisse os "conselhos" de acelerar os ritmos, não só a governabilidade, mas ele mesmo terminaria como um dejeto no museu De la Rua.

 

O que a esquerda deveria entender, antes de fazer balanços derrotistas que convoquem a "deixar para trás os velhos vícios diluidores e atomizadores, e encarar de uma vez por todas a construção de uma opção de massas", é que o fenômeno dessa crise é dinâmico e que o resultado das eleições não a fechou, mas, pelo contrário, encheu-a de tensão. Qualquer outra postura é se render ao fetichismo do sufrágio universal.

 

Daniel Cadabón é membro do Sindicato dos Docentes da Província de Buenos Aires.

 

Publicado originalmente em Rebelion.org.

Traduzido por Gabriel Brito, jornalista.

 

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