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Irã: a esquerda insensível Imprimir E-mail
Escrito por Luis Leiria   
Terça, 30 de Junho de 2009
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Um clima de terror está sendo imposto nas ruas das principais cidades do Irã. Polícia, Guarda Revolucionária, milícias Basij patrulham as ruas, auxiliadas por helicópteros, e atacam com a máxima violência qualquer ajuntamento de pessoas que possa dar origem a uma manifestação de protesto.

 

Há um número indeterminado de mortes, que certamente já ultrapassam a vintena - mas podem ser muitos mais, já que todos os dias chegam à Internet novos vídeos documentando mortes ou feridos graves. Há um número indeterminado de presos, seguramente na casa dos milhares.

 

Um estado de exceção reina nas ruas de Teerã. Todas as manifestações estão proibidas, a censura impera na imprensa, há dezenas de jornalistas presos, correspondentes estrangeiros são expulsos do país e outros são impedidos de trabalhar. Os SMS dos telemóveis não funcionam e a Internet está sob a vigilância do mais sofisticado sistema de censura e rastreamento, instalado no Irã pela Siemens e a Nokia.

 

Há estádios desportivos transformados em quartéis da polícia e outros em prisões. O governo apresenta presos "arrependidos" na televisão que afirmam terem sido manipulados por potências estrangeiras, terem tido como objetivo apenas roubar e incendiar, e nem sequer terem votado nas eleições - um espetáculo degradante que nos traz tristes recordações.

 

Mas, apesar de tudo isto, a resistência ao regime de Khamenei/Ahmadinejad continua. Todos os dias há notícias de batalhas campais entre o s manifestantes desarmados e as formidáveis forças repressivas. Todas as noites os gritos de "Deus é Grande", evocando uma forma de luta usada para derrubar o Xá em 1979, ecoam nas ruas das principais cidades.

 

A descrição que fizemos acima baseia-se em fatos que são conhecidos e ninguém contesta. É uma descrição que evoca um clássico golpe de Estado de direita, que evoca o Chile de 1973, a Indonésia de 1965, ou até o Irã de 1953. Todo aquele que se diz de esquerda não deveria ter dúvidas sobre o lado da trincheira onde deveria estar.

 

E no entanto...

 

E no entanto, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, promotor do "socialismo bolivariano", foi o primeiro a congratular o mentor da repressão, Mahmoud Ahmadinejad, pela sua "grande vitória" eleitoral , "muito importante para os povos que lutam por um mundo melhor". Será que os iranianos, duas semanas depois das palavras de Chávez, estão a viver "um mundo melhor"?

 

Lula da Silva, presidente do Brasil, e do Partido dos Trabalhadores, não só felicitou Ahmadinejad, como confirmou a intenção de em breve visitar o país, disse que "não há provas" de que tenha havido fraude nas eleições, e desvalorizou os protestos dizendo que "é apenas, sabe, uma coisa entre flamenguistas e vascaínos".

 

Há quem em Portugal afine por este diapasão e diga que não há quaisquer provas de fraude.

 

Não há?

 

Mas não foi o próprio Conselho de Guardiães que reconheceu que em 50 cidades houve mais votos que eleitores inscritos? Então isto não conforma uma gigantesca fraude? Ou só em Portugal ou na Europa seria fraude - no Irã é transparência democrática?

 

Há quem diga que os protestos são obra da CIA. Mas será que não se dão conta do que estão a dizer? Que esse sempre foi e sempre será o argumento de todas as ditaduras contra os seus opositores? Aliás, o regime Khamanei/Ahmadinejad chama agora aos protagonistas dos protestos "terroristas". Este termo não é familiar a vocês?

 

Além disso, mais uma vez se passa um atestado de menoridade aos iranianos e se sobrevaloriza a CIA - então a CIA tem capacidade de mobilizar dois milhões de iranianos (foi este o tamanho da mobilização de dia 15)?

 

O povo iraniano está exigindo respeito pela sua vontade, respeito pelo seu voto. No bojo deste movimento vêm outras reivindicações democráticas e sociais - e há notícia de sindicatos e organizações de trabalhadores se juntando aos protestos com as suas reivindicações. Moussavi é um candidato do regime, mas durante a campanha evocou alguns princípios da revolução de 1979 que derrubou o Xá e que foram abandonados. É por isso que o povo, que se sentiu defraudado, usa muitos métodos e formas de luta daqueles tempos. O apoio a Moussavi canalizou os anseios democráticos de milhões. Ser de esquerda é identificar-se com estes anseios e apoiá-los, mesmo que com críticas. E, sobretudo, não pôr-se ao lado da repressão, dos assassinatos, das prisões, das milícias Basij - tão parecidos à Legião Portuguesa.

 

Ser de esquerda é ter memória. É, pelo menos, não ser insensível.

 

Luis Leiria é jornalista, membro da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda de Portugal e editor do site esquerda.net

 

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Última atualização em Qui, 02 de Julho de 2009
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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