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Por que a raiva? Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Terça, 30 de Junho de 2009
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Com o sugestivo título de "Ásia perto de uma explosão de raiva social", Walden Bello, professor de ciências políticas e sociais na Universidade das Filipinas (Manila), membro do Transnational Institute, de Amsterdam, presidente da Freedom from Debt Coalition, e analista senior na Focus on the Global South, escreveu um artigo em que procura demonstrar a tese de que o Sudeste asiático estaria ingressando "em um período de protestos radicais e revolução social".

 

Seus pressupostos são: a) "mercadorias se amontoam nos portos de Bangcoque a Xangai"; b) "trabalhadores são despedidos em números recordes"; c) centenas de milhares de trabalhadores indonésios e filipinos estariam "regressando aos poucos empregos e quintas moribundas"; d) greves no Vietnã estariam "se estendendo como pólvora"; e) a Coréia estaria se tornando "uma bomba-relógio".

 

Ao menos neste artigo, Bello não detalha números, nem dados, que comprovem suas informações. Mas conclui que: a) a "queda do principal mercado asiático fez esquecer qualquer possibilidade de ‘descolamento’"; b) a "imagem das locomotivas desatreladas" já não seria válida, "se é que alguma vez o foi"; c) o "fim repentino da era das exportações vai ter desagradáveis conseqüências".

 

Além disso, Bello culpa a "China e outros países asiáticos" pela crise dos desenvolvidos, por haverem emprestado "maciçamente às instituições financeiras norte-americanas, que por sua vez emprestavam aos consumidores e compradores de casas" e acabaram "implodindo". Para ele, toda essa situação tem por base o fato de que, "durante 40 anos, a vanguarda da economia da região" teria sido "a industrialização com vista à exportação (EOI, na sigla em inglês)".

 

Segundo Bello, a industrialização, com a elevação do "poder de compra nacional", "estava fora de questão para as elites da região", porque teria que significar a "redistribuição dos ganhos e da riqueza". Diante disso, os governos do Sudeste asiático teriam transformado a EOI "num dos pontos-chave do consenso" com o Banco Mundial, tomando "os mercados para a exportação, especialmente o (...) norte-americano, (...) como um substituto indolor".

No entanto, o próprio Bello sustenta que esse "consenso" não serviu para nada. As economias do Sudeste asiático só teriam decolado "em meados dos anos oitenta", em decorrência do Acordo Plaza. Os Estados Unidos forçaram a valorização do iene japonês, e tornaram as importações japonesas mais caras. Isto permitira que os produtos mais baratos do Sudeste asiático acessassem o mercado dos EUA e que o Japão transferisse "os trabalhos mais intensivos para zonas de salários baixos, principalmente a China e o Sudeste asiático".

 

Sem considerar as contradições do desenvolvimento do capital nos países desenvolvidos, que levou ao rompimento dos Acordos de Breton Woods, à formação das corporações transnacionais, a um violento processo de segmentação produtiva e a uma financeirização intensa, para fazer frente à tendência de queda da taxa média de lucro, Bello procura reduzir todo o processo de crescimento dos países asiáticos à estratégia de EOI.

 

Não tem em conta as mudanças ocorridas em virtude da crise financeira de 1997-99, que levaram, pelo menos a China e o Vietnã, a realizarem inflexões para reforçar seus mercados domésticos. Preso às características de uma fase anterior, deduz que os desempregados chineses, "obrigados a regressar ao campo (...) dificilmente encontrarão trabalho", que os "incidentes de massas" na China ficarão "fora de controle", e que o agravamento das "condições econômicas" e o "fim de uma era" devem levar os cidadãos dos demais países asiáticos a aproximar-se da "raiva".

Bello sequer nota alguma contradição em reconhecer que, "nas últimas três décadas, o rápido crescimento reduziu, em muitos países, o número de pessoas que viviam abaixo da linha de pobreza". Ou em admitir que, embora "a desigualdade de rendimento e de riqueza" tenha aumentado em praticamente todos esses países, "a expansão do poder de compra do consumidor evitou que os conflitos sociais chegassem ao limite". E mantém sua expectativa de que, "agora que a era do crescimento rápido chegou ao fim, uma crescente pobreza, aliada a enormes desigualdades, será uma combinação explosiva".

 

O problema dos argumentos de Bello é que ele reduz o crescimento da China e demais países asiáticos ao mesmo modelo de "estratégia da industrialização com vista à exportação", sem considerar que, ao menos no caso da China, Vietnã e algumas outras economias da região, aquela estratégia se combinou com a estratégia de fortalecimento do mercado interno. Por isso, ele desdenha o crescimento chinês de 9%, em 2008, e credita apenas ao mercado norte-americano o fato de a China haver tirado "as economias asiáticas, incluindo a da Coréia e do Japão, dos abismos da estagnação e das cinzas da crise financeira asiática da primeira metade desta década".

 

Apesar de reconhecer que, em 2003, "o Japão rompeu com uma década de estagnação, ao deparar com a ânsia chinesa de capital e mercadorias tecnológicas avançadas", e que a China se converteu no "impulsionador por excelência do crescimento exportador de Taiwan e Filipinas, e no maior comprador de produtos do Japão, Coréia do Sul, Malásia e Austrália", ele permanece preso à idéia de que a China fez tudo isso para atender tão somente às demandas norte-americanas.

 

Desconsidera, portanto, que os chineses, entre 2001 e 2006, dobraram seu PIB, pela paridade cambial, de 1,7 trilhão de dólares para 3,4 trilhões de dólares, e elevaram seu PIB per capita, pela paridade de poder de compra, de 3.291 para 7.600 dólares. O salário médio de 1.032 dólares, em 1999, subiu para 2.756 dólares, em 2006. O consumo de duráveis, em cada grupo de 100 moradias, um indicador consistente do mercado doméstico, também se elevou no mesmo período. O número de fornos micro-ondas subiu de 12,15 para 51,23; o de TV a cores foi de 111,57 para 137,21; o de máquinas de lavar, de 91,44 para 95,42; o de telefones celulares, de 7,14 para 159,32; e o de computadores, de 5,91 para 52,78.

 

Nenhum desses fatos faz parte das informações de Bello. Ele desconsidera, também, os resultados dos planos que os chineses vêm implementando, desde 2006, para preparar-se contra a anunciada crise mundial. No sentido de ampliar, ainda mais, seu mercado interno de 850 milhões de pessoas com poder de compra acima de classe média baixa, a China já vinha investindo fortemente na modernização da infra-estrutura rural e da agricultura, na universalização dos serviços públicos de educação, saúde, transportes e saneamento das zonas rurais, e na recuperação e proteção ambiental.

 

Assim, apesar da crise global, e da queda das exportações, a economia chinesa deve crescer perto de 6% em 2009, segundo as estimativas mais pessimistas, ou 8%, segundo as mais otimistas. E o desemprego, aumentado em 20 milhões de trabalhadores, pela crise das indústrias orientadas para as exportações, deve refluir para a taxa média de 4%, durante o segundo semestre de 2009. O mesmo deve ocorrer com o Vietnã, que vinha aplicando medidas idênticas, e deve crescer acima de 6%.

 

Mas vamos ter que esperar até o final de 2009 para ver o que Bello dirá sobre os resultados concretos da economia asiática. Aí, talvez tenhamos que lhe perguntar por que ele viu a raiva crescer na Ásia, mas não nos Estados Unidos e na Europa?

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

 

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