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Surto de burrice? Imprimir E-mail
Escrito por Gilvan Rocha   
Terça, 23 de Junho de 2009
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A história do socialismo revelou-nos muitos talentos e até mesmo um gênio. Na sua fase idealista teve figuras da dimensão de Joseph Proudhon, Charles Fourier, Luis Blanc, Saint-Simon, Robert Owen, verdadeiros luminares do socialismo pré-científico. Foram esses senhores, sem dúvida, os alquimistas da ciência política, a ciência que se propunha a elucidar os enigmas sociais, propósito esse que se contrapõe aos interesses da burguesia, tanto ontem como hoje.

 

Na rica fase do socialismo científico, tivemos personagens extremamente grandiosos, como são os casos dos alemães Karl Marx e Frederich Engels, que tiveram como seguidores Karl Kautsky, George Plekanov, Rosa Luxemburgo, Iuli Martov, Vladimir Lênine, Leon Trotsky, Franz Mering e alguns outros.

 

Por que floresciam tantos talentos no seio do movimento socialista naqueles momentos? É que a história permitiu existir suficiente oxigênio para o pleno exercício dessa ciência, regada sempre pela boa polêmica, tão acirrada quanto qualificada de que são exemplos, entre outros, Marx x Proudhon; Eugênio Düring x Engels; Eduardo Bernstein x Rosa Luxemburgo, ensejando a produção de significativos clássicos da literatura socialista.

 

Com a burocratização da Revolução Russa, na década de vinte do século passado, a polêmica foi suprimida do seio do movimento socialista e isso se deu pelo fato de que os novos dirigentes, autodenominados comunistas, passaram a ser defensores dos interesses de Estado e não dos interesses da revolução socialista.

 

Esse fato afasta a hipótese de que os inúmeros erros do caminhar socialista, nesses últimos noventa anos, deram-se apenas por equívocos. É verdade que existiram tais equívocos, mas eles decorriam de um interesse material concreto, qual seja, dos estreitos interesses da burocracia.

 

Como a Terceira Internacional Comunista passou a estar a serviço de Moscou, sua imensa máquina burocrática, formada pelos múltiplos partidos comunistas espalhados por todo o mundo, encarregou-se de abolir a discussão e impôs o criminoso monolitismo em escala universal.

 

Os poucos que se opunham a tão perverso descaminho eram silenciados pelo assassinato, prisão, exílio e as terríveis calúnias. Grande é a lista de vítimas desse processo de sepultamento do socialismo.

 

Passou, então, a existir um intransponível círculo de ferro. De um lado, o imperialismo: o capitalismo como um todo tinha, como é obvio, o máximo interesse em impedir qualquer tentativa de reflorescimento do socialismo.

 

Por outro lado, atendendo aos mesquinhos interesses materiais da burocracia stalinista, presentes em todos os rincões do mundo, levava-se a cabo um eficaz trabalho de retirar do socialismo o seu lume revolucionário e reduzir essa ciência a um reles amontoado de dogmas e credos, ao lado da permanente falsificação da história ou do silenciamento de muitos dos seus comprometedores episódios.

 

Havia a acalentada e esperançosa pretensão de que um segmento de esquerda, senhores de um "programa de transição", salvaria o socialismo de tão trágico destino. Tratava-se do trotskismo. Mas Leon Trotsky, vítima de deslavadas calúnias e, literalmente, do cutelo stalinista, tinha um problema concreto.

 

O genial Leon Trotsky do período anterior a 1917 opôs-se, junto a Rosa Luxemburgo, Martov e Plekanov, à concepção de partido empreendida por Lênine em seu famoso livro "O que fazer?". Além disso, deu sua inestimável contribuição ao socialismo quando, em parceria com Parvus, produziu a tese da Revolução Permanente. Mudou, porém, quando aderiu ao bolchevismo, na véspera da revolução. É verdade que não se tratou de uma mudança substancial, mesmo assim teve as suas consequências.

 

Ingresso no Partido Bolchevique, Trotsky passou a ter a marca do converso e essa marca levou a que procurasse ser "mais realista do que o rei", absorvendo todos os vícios do bolchevismo, inclusive levando às culminâncias o monolitismo, o ultra-centralismo burocrático, enquanto seus sucessores, os trotskistas, aprofundaram tais vícios incorporando a calúnia e o aparelhismo como práticas políticas, além de um sectarismo próprio de seitas.

 

Não bastassem esses desvios, Leon Trotsky, embalado pelo seu envolvimento pessoal nos maiores e mais significativos episódios da Revolução Russa, deixou-se levar pelas emoções e deslizou para o idealismo, quando considerou que a revolução foi traída, a revolução foi desfigurada, imputando ao tosco e psicopata Joseph Stalin a causa da burocratização, quando ele foi apenas um instrumento servil da contra-revolução mundial e dela se locupletou galgando o posto de um dos homens mais poderosos do mundo. Fatos como esses provam que a história não tem uma moral, premiando os justos e punindo os maus.

 

A revolução não foi traída. Ela foi antes de tudo derrotada em escala mundial e o stalinismo foi o produto acabado dessa derrota. Aí está o âmago da questão e qualquer consideração moral, quanto à causa, não passa de um equívoco e, portanto, não encontra respaldo no socialismo científico.

 

Pois bem. Cercado de um lado pelo capitalismo e de outro pelo stalinismo em suas mais diversas versões, o socialismo ficou teoricamente reduzido à mais completa indigência.

 

Cabe perguntar: onde poderiam estar os gênios e os talentos nesses longos anos? É como já falamos. A falta de ambiente, a falta de oxigênio, a combinação de duas grandes poderosas máquinas dispostas a banir qualquer discussão, levaram a intelectualidade "avançada" a dar as costas à política e a se refugiar nas elucubrações filosóficas, literárias, estéticas ou a se embrenhar nas academias.

 

No primeiro caso, temos como exemplos maiores as figuras de George Lukács, Alfred Althusser e Jean-Paul Sartre. No segundo caso, temos personagens relevantes como Marcuse, Meszáros, Perry Anderson e outros mais.

 

Não se deu um surto de burrice na era stalinista. É que os gênios e os talentos só florescem quando existem minimamente condições materiais para tanto, vale repetir até a exaustão.

 

Diante de tudo isso, temos dito que para sair desse estado de indigência seria necessária uma profunda crítica desses últimos noventa anos de tortuoso movimento socialista. Uma crítica que não deixe pedra sobre pedra. Mas quem está apto e disposto a processar tamanha tarefa? Quem tem aptidão e coragem para afrontar a mediocridade consagrada?

 

Não acreditamos que possa ser a academia e seus minúsculos dissidentes a enfrentar a questão, pois não é função dessa instituição, muito pelo contrário, sua tarefa é o simulacro e a consolidação de convicções de direita.

 

Quanto aos dissidentes, pelo que se conhece, falta-lhes estatura para tal tarefa, uma vez que são encharcados dos vícios acadêmicos, de preconceitos e pedantismo, e não possuem a menor preocupação em comunicar, pois a complicação e o hermetismo são o biombo que esconde suas ilustres incompetências diante do grande desafio que a história nos coloca, de forma premente e aguda, com o dilema: o socialismo ou a tragédia total.

 

Haverá tempo hábil para a humanidade salvar-se da tragédia para a qual está sendo arrastada ou estamos enredados na tagarelice sofisticada e inconseqüente que ora prevalece?

 

Vale esperar que surja um lampejo de inteligência e de sensibilidade capaz de nortear nossa militância rumo ao socialismo. É o que desejamos e necessitamos urgentemente.

 

Gilvan Rocha é presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos – CAEP.

 

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