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Nossas responsabilidades individuais e as crises globais Imprimir E-mail
Escrito por Henrique Cortez   
Terça, 23 de Junho de 2009
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As grandes crises globais, a ambiental e a financeira, passam mensagens ambíguas, em que a responsabilidade das soluções é atribuída à sociedade e, em outros momentos, as soluções são externas e independentes da nossa vontade pessoal.

 

É natural, portanto, que as pessoas também tenham opiniões ambíguas sobre estes temas.

 

Na realidade, as duas coisas são verdadeiras. Somos pessoalmente responsáveis pelas crises e pelas soluções, ao mesmo tempo, que os grandes temas exigem ações nacionais e internacionais, que independem da nossa vontade pessoal.

 

Neste momento, vou me concentrar na crise ambiental, composta por várias crises simultâneas. Estamos enfrentando e enfrentaremos conseqüências cada vez maiores do aquecimento global, das mudanças climáticas, da crescente escassez de água, da desertificação, da mudança no regime de chuvas, dos cada vez mais freqüentes desastres naturais, da redução da produção/produtividade agrícola etc.

 

Não por menos, os ambientalistas e a mídia independente insistem que devemos, com urgência, reduzir a nossa pegada ecológica e muitas pessoas já se comprometem com isto.

 

Muitos já estão reduzindo o consumo de energia e água, reduzindo a sua produção de lixo e o desperdício de alimentos.

 

São atitudes absolutamente fundamentais, mas insuficientes.

 

Nos últimos anos, diversas pesquisas procuraram avaliar a compreensão e o comprometimento da sociedade diante da crise ambiental. O comportamento médio do brasileiro não é muito diferente do comportamento médio de norte-americanos e europeus.

 

O brasileiro se diz preocupado com o meio ambiente e reprova os compatriotas quando se trata de cuidado com a natureza. Ao avaliar o próprio compromisso com a preservação do verde, os participantes da pesquisa atribuíram a si mesmos a generosa média de 8,5. Na hora de julgar os outros, a nota foi bem mais baixa: 5,5 (in Pesquisa: Cuidado com o meio ambiente é reprovado. Pesquisados dão nota alta a si mesmos, mas baixa a compatriotas).

 

É normal que a responsabilidade seja do outros. Aliás, apenas os "outros" são preconceituosos, racistas, antissemitas, homofóbicos, misóginos, islamofóbicos, xenófobos etc. Mas esta é apenas uma visão parcial da questão.

 

Bem, deixando a hipocrisia de lado e voltando à crise ambiental, cabe avaliar, com mais cuidado, o subtexto das pesquisas, procurando informações mais qualitativas e menos quantitativas.

 

Como outros, também acredito que esta aparente dicotomia é, pelo menos em parte, explicada pela maciça propaganda do greenwashing. Somos permanentemente bombardeados com publicidade que nos incentiva a ‘consumir’ com responsabilidade e que, com isto, estaremos ‘ajudando’ o planeta.

 

Muitos assim o fazem, mas, ao mesmo tempo, também percebem que não é o suficiente. Se eu estou fazendo a minha parte e não é o suficiente, logo, o problema é que alguém não está fazendo a parte dele. Mesmo que isto seja parcialmente verdade, este não é o principal motivo.

 

O que hoje se convenciona chamar de consumo ético deve ser encarado como conservador em relação à manutenção do modelo consumista. Assim posso consumir irrestritamente, porque me justifico através do consumo ético. É uma forma de "indulgência" ao "pecado" do consumo. O consumo ético só será transformador se ele questionar o modelo consumista, assumindo sua dimensão coletiva e política em relação ao modelo econômico, às formas de produção e ao sistema político de sustentação. É necessário questionar a quem serve este modelo e a quem beneficia.

 

Reafirmo a crítica do consumo ético individual, porque isoladamente nada questionamos, além de nossas escolhas pessoais. É necessária uma atitude politicamente ativa, lúcida e responsável, que realmente questione o modelo atual. Não é fácil nem simples, porque serão exigidas profundas transformações, que modificarão as relações de trabalho e consumo. Na realidade, precisamos construir uma nova sociedade, com um novo modelo econômico. Voltando ao tema central, não teremos um futuro minimamente aceitável sem uma profunda revisão dos conceitos, fundamentos e modelo da economia. E não faremos esta revisão sem uma clara compreensão de nossa responsabilidade em termos de cidadania planetária.

 

A crise, na verdade, é crescente simplesmente porque não estamos fazendo a nossa parte como cidadãos. Como consumidor, ajo como indivíduo e, como cidadão, ajo como coletivo.

 

Esta é a chave, o pleno exercício da cidadania, dentre o que muitos definem como ecocidadania ativa.

 

Como cidadão, posso e devo exigir políticas públicas eficazes e responsáveis. Como cidadão, posso e devo ser ativo na decisão do modelo de desenvolvimento de meu país.

 

Como cidadão e eleitor, posso e devo escolher o melhor, de acordo com o meu projeto de país. E isto se aplica em escala global.

 

É claro que a cidadania ativa implica em responsabilidade, inclusive de arcar com os custos sociais e econômicos de uma eventual mudança de curso do atual modelo de desenvolvimento.

 

A crise financeira global, pela qual não tivemos a menor responsabilidade, já demonstra que os governos, quando querem, sabem ‘achar’ os recursos necessários diante de uma grande crise. Neste caso, em especial, uma crise especulativa causada por uns poucos e que a todos afetará.

 

Muitos já deram um bom passo na direção certa, como consumidores responsáveis e conscientes. Resta o passo seguinte, como cidadãos atuantes e comprometidos com a mudança na direção certa.

 

E, para isto, votar com consciência e responsabilidade.

 

Henrique Cortez é coordenador do EcoDebate. Contato: henriquecortez(0)ecodebate.com.br

 

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