A “Loura” não é má

 

"Loura" é como a prefeita de Fortaleza é chamada, carinhosamente, pelos mais próximos dela. Ultimamente, temos ouvido alguns xingamentos e o argumento de que ela já não é a mesma Luiziane do tempo em que era funcionária da Emlurb, líder estudantil, vereadora, deputada estadual.

 

Há muito, o PT endireitou. Mas a "loura" pertencia a uma facção petista que se opunha a esse endireitamento. Tratava-se de uma militante aguerrida, de uma parlamentar combativa.

 

Quando havia manifestações populares bradando por direitos, lá estava a "loura" com seu discurso veemente em defesa do povo explorado pelo capitalismo, mas que ela imaginava ser pelo governo de plantão, erro comum do seu partido e assemelhados.

 

Também nas greves de trabalhadores em defesa dos seus direitos, ela lá estava apoiando-os na luta considerada por demais justa.

 

Tudo isso, porém, mudou e mudou muito, quando a nossa heroína passou para o outro lado do balcão e deixou de ser uma parlamentar livre das amarras, tornando-se gestora da desigualdade, isto é, quando assumiu um posto cuja tarefa é executar políticas do interesse da burguesia, próprias da função de governo, nesse sistema. Não só foi a "loura" que mudou de lado. Junto, ela arrastou um contingente de militantes para auxiliá-la nesse perverso papel de gestora da desigualdade, convertendo muitos desses militantes em meros office-boys e office-girls do capitalismo.

 

Isso, porém, não implica em dizer que a "loura" e seu séquito tornaram-se gente má. É verdade que alguns estão deslumbrados e até se locupletam com as benesses da posição que ocupam. Contudo, essa não é a regra, pois, o que os move é a vaidade do convívio e os afagos que o sistema matreiramente lhes dispensa - e esses são os tropeços da história.

 

Ontem, combatentes aguerridos; hoje, cooptados pelo jogo do capitalismo.

 

Gilvan Rocha é presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos – CAEP.

 

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Comentários   

0 #3 Muito boaRaymundo Fortaleza-CE 22-06-2009 06:31
Seu texto é muito bom mesmo Gilvan. Entretanto, houve duas ações que considero mais à esquerda e valem ressaltar. A elaboração todos os anos de debates para definição da LOA e os forum elaboraram a Lei Orgânica. Diante disso, podemos dizer como Renato Russo, "o mundo começa agora, apenas começamos..."
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0 #2 Esquerda sem lastro econômicoBrandão 16-06-2009 19:32
A esquerda desde sempre concebeu que estando no governo teria poder. Ledo engano! o poder real é o poder econômico e é este quem determina o governo (que é senão a máquina que administra o Estado do capital). Como a esquerda não constroi estruturas econômicas, acha que a caneta vai fazer a transformação das estruturas de poder real. Que ingenuidade!
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0 #1 Francisco 16-06-2009 13:02
Pois é, Gilvan.
Nós temos sempre de observar que o oprimido guarda também ele um opressor dentro de si, como bem falava o educador Paulo Freire. Isto exige de nós uma participação co-gestionada no poder, para o quê temos de provocar a pauta democrática, e não esperá-la.
Abçs.
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