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Agora, também nos EUA militares interferem na política Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Sábado, 30 de Maio de 2009
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Seymour Hersh, um dos mais respeitados repórteres investigativos americanos, detentor do prêmio Pulitzer, fez uma grave denúncia em entrevista ao GulfNews, de 12 de maio último: o general Stanley McCristal, recentemente nomeado comandante das tropas dos Estados Unidos no Afeganistão, teria um passado dos mais nebulosos.

 

Segundo Hersh, que costuma ser muito bem informado, McCristal chefiou o "Joint Special Operations Command" (JSOC), uma força militar clandestina que só prestava contas a Dick Cheney, o vice-presidente da era Bush. Seu objetivo: assassinar pessoas envolvidas em atividades anti-americanas ou que estivessem planejando realizá-las.

 

As funções do general McChrystal incluíam ainda o comando operacional do Camp Nama, considerado pela Ong "Human Rights Watch" um dos três centros de detenção no Iraque onde se praticavam torturas. Para evitar maiores problemas, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, a quem cumpre monitorar as condições com que são tratados os prisioneiros de guerra, foi impedido de entrar no Camp Nama.

 

Incidentalmente, isso é considerado crime de guerra, pois esse comitê da Cruz Vermelha tem o direito de fazer suas vistorias, de acordo com a lei internacional e as convenções de Genebra.

A nomeação de um general com uma folha corrida dessa ordem está em desacordo com as firmes posições de Obama contra a tortura, em favor dos direitos humanos, e seu projeto de mudar a política americana no Afeganistão, priorizando a conquista dos corações e mentes da população.

 

Profundamente chocados com as constantes vítimas de civis em bombardeios americanos, os afegãos tendem a favorecer os talebans, não porque os apreciem (muito pelo contrário), mas porque sua indignação frente aos ocidentais é ainda maior. Indignação que tende a crescer caso métodos brutais de interrogatório sejam adotados no país.

 

É difícil acreditar que uma política de direitos humanos, como Obama promete para o Afeganistão, possa se efetivar tendo no comando do exército americano alguém que fez carreira na chefia de entidades dedicadas ao assassinato e à tortura. O presidente deve estar consciente disso. Teme-se que a nomeação do general McChrystal seja mais um sintoma de uma nova doença que parece estar acometendo a democracia americana: a interferência militar nas decisões do governo.

 

Epidêmica nos países "south of the border", esta doença jamais atingiu as forças armadas americanas. Elas sempre se limitaram a cumprir seus deveres constitucionais, obedecendo ao poder civil, distinguindo-se de forma chocante dos seus companheiros de farda latino-americanos, habituados a pressionar e mesmo derrubar governos eleitos, assumindo sua posição pela força.

 

É verdade que Eisenhower e McArthur postularam a presidência, mas devidamente aposentados, na qualidade de cidadãos comuns, sem canhões apoiando suas candidaturas.

 

Essa situação começou a mudar logo nos primeiros dias do governo Obama. O líder democrata havia se comprometido durante a campanha a retirar-se do Iraque em 16 meses. Nem bem tomou posse e já diversos generais em serviço no Iraque vieram a público afirmar que os Estados Unidos não poderiam sair assim sem mais nem menos, sob pena de entregar o país a seus inimigos ou, pelo menos, a uma sangrenta guerra civil. E Obama fez concessões. O prazo de retirada foi esticado para 19 meses.

 

Além disso, cerca de cinqüenta mil soldados ficariam pelo menos até o fim de 2011. Invocou-se aqui a necessidade de respeitar o SOFA – acordo costurado por Bush e o governo do Iraque para a saída do exército. Meses depois ele já está sendo desrespeitado. Nos termos do SOFA, os americanos só poderiam realizar operações militares mediante autorização do governo iraquiano. Em maio, isso não aconteceu, num raid na cidade de Kut. Foi atacada uma casa cheia de xiitas incautos, dois deles morreram, sendo um preso (posteriormente solto com desculpas). O premier Maliki protestou junto à Casa Branca, o exército americano respondeu que o ataque fora legal e tudo ficou por isso mesmo.

 

Agora nova e mais grave violação do SOFA está à vista. Nos termos do acordo, até 30 de junho todas as tropas americanas deverão deixar as cidades iraquianas, retirando-se para seus acampamentos. Maliki exige que isso seja feito, mas Odierno, o general americano em comando, disse que o governo americano poderá ignorar o prazo, mantendo as tropas em Bagdá e Mossul.

 

Desrespeitar tratados e ignorar as justas reclamações de aliados não parece próprio de Obama. Mais uma vez ele teria cedido ás pressões castrenses. No front interno, a interferência dos quartéis também se faz presente. As fortes declarações do presidente condenando e proibindo as torturas e prometendo o fechamento do campo de concentração de Guantánamo em um ano suscitaram correspondentes reações da direita americana e dos falcões militares.

 

O ex-vice, Dick Cheney, apressou-se a fazer a apologia das torturas, que teriam propiciado a salvação de muitas vidas americanas - e o Pentágono, como quem não quer nada, informou que, até 7 de abril, entre os 540 detentos que haviam sido liberados, 74 entraram no terrorismo ou são suspeitos de terem feito isso. Para 27 deles haveria comprovações, para os outros, motivos tidos como fundados. Era clara a intenção de defender a continuidade das políticas "duras" no trato dos suspeitos de terrorismo, que Abu Ghraib, Camp Nama e Guantánamo representavam, amedrontando a população e levando-a a considerar necessárias tais práticas.

 

Congressistas republicanos e pastores "de rádio" ecoaram as idéias sombrias dos direitistas e militares. A reação dos defensores dos direitos humanos foi pronta. Eles também tinham pesquisas. O relatório da investigação McClatchy concluía que a esmagadora maioria dos detentos de Guantánamo, presos no Afeganistão e no Paquistão, era inocente ou meramente simpatizante dos insurgentes, sem atuação importante. Um número substancial deles foi "vendido" às forças americanas em troca de gratificações pagas por suspeito preso.

 

Mais uma vez as concessões de Obama passaram o limite do aceitável. Afirmou que não processaria os torturadores. Manteve os julgamentos de civis por juntas militares em Guantánamo, herança dos tempos de Bush, algo próprio dos regimes de força e que contraria a própria Suprema Corte dos Estados Unidos, que proibiu sua existência.

 

Decretou que todo aquele que representasse perigo para os Estados Unidos poderia ficar preso indefinidamente, sem julgamento e sem chance de defesa.

 

Novamente aqui, sente-se Obama decidindo contra suas próprias convicções. Há quem veja nisso a necessidade de contestar a lendária fraqueza dos democratas quando se trata da segurança nacional.

 

Outros analistas acham que se trata de uma tentativa de conseguir uma unidade nacional, agradando até seus adversários conservadores.

 

Mas não se pode ignorar a inusitada participação do poder militar no processo político americano, pressionando e conseguindo, pelo menos em parte, fazer o presidente dar um passo atrás.

 

Espera-se que Obama, sentindo-se mais forte, dê, não um, mas muitos passos à frente.

 

Não se teme que aí os falcões, hoje maioria no Pentágono, possam imitar os generais latino-americanos de um passado recente, cujos argumentos mais sólidos eram canhões e aviões de bombardeio. Mas, embora até que discretamente, eles já começaram a pressionar. E, como diria Mao-Tse-Tung, "para construir um muro, primeiro coloca-se um tijolo".

 

Luiz Eça é jonalista.

 

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