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‘Bancários vivem fase da geração tarja preta’ Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito   
Sexta, 22 de Maio de 2009
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Diz-se que ganham até quando o mundo está em crise, cobram das mais altas taxas mundiais por seus serviços, recebem aportes governamentais quando vão à ruína e desviam seu destino do crédito para os títulos seguros da própria dívida de quem lhe emprestou dinheiro. Também pagam salários progressivamente decrescentes em relação à inflação e pressionam cada vez mais seus funcionários por resultados e abdicação de direitos historicamente conquistados. Se soam familiar, é por se tratarem, todos, de fatos e práticas que podem ser atribuídos às instituições bancárias brasileiras. Para quem tem acompanhado o noticiário dos últimos meses, parecem condizentes com a realidade.

 

Uma das instituições financeiras mais beneficiadas pelo período de bonança bancária, o Santander é um dos que estão na linha de frente dos bancos que adotam essa política de modo incisivo em sua rotina de trabalho.

 

"O sistema financeiro do Santander talvez seja dos mais agressivos, pois estabelece metas para os diversos produtos que eles tentam vender goela abaixo dos clientes, forçando os funcionários a conseguir alcançá-las. E na maioria das vezes essa pressão se dá através do assédio moral", conta Edson Carneiro, do Sindicato dos Bancários.

 

Um dos assuntos mais polêmicos a envolver o grupo espanhol refere-se ao pagamento aos aposentados do antigo Banespa, comprado pelo Santander em 2000, na onda de privatizações que a gestão tucana patrocinou a partir da década de 90. Em matéria de 13 de fevereiro de 2008, reportagem de André Siqueira, a revista Carta Capital informou que uma comissão de parlamentares formada para analisar o caso estimou, em caráter preliminar, que a conta em favor dos aposentados já estaria em 15 bilhões de reais.

 

O banco, obviamente, segue se negando a tratar do assunto. Em sua página na internet, é impossível encontrar qualquer referência a um tema de notória repercussão na sociedade. Ao mesmo tempo, podem ser encontradas fartas informações sobre projetos de sustentabilidade, meio ambiente, cultura, entre outros, patrocinados pelo grupo.

 

Em declaração publicada no caderno Cotidiano da Folha de S. Paulo no dia 26 de abril de 2008, uma cliente denunciou um claro exemplo de como a instituição busca em todas as esferas livrar-se de custos e repassá-los a quem diz prestar serviço. O que no caso estava em jogo era a cobrança de tarifa em chamadas feitas por clientes por determinada demanda, propagandeando-se, além disso, na ligação, outros serviços que o banco oferece a seus correntistas. "Ou seja, ao pagar a ligação tarifada, financiávamos o merchandising do banco".

 

É esta mesma lógica de faturar sempre no pico da curva, repassando todos os ônus para os clientes e funcionários, que impera na hora de determinar por conta própria como investir os recursos concedidos pelo governo, em forma de isenções tarifárias ou empréstimos – seja nos momentos de auge ou nos momentos de crise. Na hora de administrar a bolada dada pelo governo à época das privatizações, um fundo que chegou à casa de 7 bilhões de reais, é possível imaginar como o banco buscou tirar proveito do montante recebido para compensar seus gastos na compra do Banespa.

 

"O governo na época passou 4 bilhões de reais ‘carimbados’ para o banco cumprir suas obrigações com os aposentados. Os títulos tinham esse carimbo exatamente para remunerar os aposentados e arcar com seus custos", informa Carneiro. "No entanto, essa destinação exclusiva mudou, o banco pôde usá-la como quis, investindo os valores no mercado financeiro, ganhando, por sinal, muito dinheiro com isso. Para os funcionários e aposentados sobrou o congelamento salarial, que reduziu seus ganhos em mais de 50%, de acordo com a inflação", completa.

 

O aposentado João Bosco Galvão de Castro é um caso concreto de ex-funcionário que padece das atuais políticas do banco para com seus trabalhadores e já travou diversas batalhas judiciais contra a instituição. "Como aposentado, 66 anos, sinto que, como tantos outros na mesma situação, umas 14 mil pessoas, estamos sendo massacrados e humilhados pelo banco, ao mesmo tempo em que presenciamos os recursos provenientes do erário (INSS) sendo usados indevidamente", protesta.

 

Seu caso é apenas mais um em uma pilha de processos que envolvem o Santander, que entre suas operações recentes de maior destaque registra a compra do Banco Real, tendo em março deste ano realizado outro negócio de envergadura: a aquisição, por 678 milhões de reais, da seguradora Real Tokio Marine.

 

De quebra, como informou o Valor Econômico do dia 29 de abril, fechou o primeiro trimestre deste ano com lucros de R$ 594 milhões e aumento de 7,1% do patrimônio líquido no mesmo período. Nada mal quando estamos surfando ainda nas primeiras ondas do que se definiu de forma amplamente consensual como a maior crise do capitalismo desde 1929.

 

"O INSS dá e o banco tira"

 

No que diz respeito à ojeriza do banco em arcar com custos de sua responsabilidade patronal, podemos ver como os anos foram acostumando o Santander a tais práticas, pouco ou nada combatidas por nossos representantes e denunciada por meios de comunicação.

 

"Desde a privatização do Banespa já morreram cerca de 2.000 aposentados, sem conseguirem ver restituídos os seus direitos", relata João Bosco. "Tanto o banco como o INSS contribuíam cada um com 50% sobre o total da aposentadoria. Passados oito anos, o INSS participa com 74% e o banco, via fundo de pensão, com 26%", revela.

 

O processo de deterioração das condições dos aposentados também se relaciona com as más negociações celebradas pelas entidades sindicais que os representavam. "Como o banco fez diversos acordos lesivos aos aposentados (2001, 2004), ocorreu que, em alguns anos, tivemos ‘reajuste zero’, em face da discriminação para com os aposentados, deixando-os fora de reajustes oferecidos aos funcionários da ativa, disfarçados em abonos ou outras premiações".

 

"Essa questão deve ser respondida pelas correntes majoritárias do sindicato. Em minha opinião, foi um erro o congelamento salarial. E isso trouxe prejuízo a ativos e aposentados. Aos da ativa, ainda estava condicionado a uma garantia de emprego que durou pouco. De toda forma, foi muito prejudicial aos aposentados", concorda Edson Carneiro, ligado à Intersindical e deixando claro suas discordâncias com a CUT, condutora de tais negociações e também vista como culpada pela penúria dos ex-funcionários do Banespa.

 

"Este quadro se tornou ainda mais cruel, visto que os reajustes concedidos pelo INSS eram apropriados pelo banco, quando comentávamos que ‘o INSS dá e o banco tira’", denuncia João Bosco, que explica como se daria tal apropriação. "Recebemos de duas fontes diferentes e declaramos o Imposto de Renda de ambas as fontes. Durante os períodos de ‘reajuste zero para os aposentados’, quando havia reajuste da parte do INSS, o banco ao mesmo tempo reduzia, de forma proporcional, sua complementação, de modo que ficávamos com nossos valores sempre congelados".

 

"Sem dúvida, essa é uma apropriação indébita clara. São recursos dos aposentados que deveriam ser destinados para bancar seus salários e direitos", endossa Carneiro.

 

A própria conclusão dos técnicos do Senado, publicada por Carta Capital, atesta claramente qual o teor das negociações para os aposentados. Diz que "a negociação dos títulos emitidos para securitizar o passivo atuarial dos aposentados e pensionistas do plano pré-75 (como ficou conhecida a geração de João Bosco na querela) fere a autorização senatorial". Fora isso, foi dada a instrução de que os trabalhadores lesados procurassem defender seus direitos na justiça. Isto é, o próprio Estado, através de representantes incumbidos de analisar o caso, reconhece que os aposentados são vitimados pela sanha financeira do Santander.

 

Como o próprio João Bosco afirma, "o dinheiro que o banco deixou de repassar aos trabalhadores, cuja destinação era exclusivamente essa, por conta dos rendimentos alcançados por outros investimentos feitos pelo banco, já serviu para cobrir a compra do Banespa".

 

Presente sombrio

 

Se a realidade de quem entregou anos ou décadas de sua vida para o bom funcionamento do banco é de infindável espera e angústia por benefícios que podem ser vitais na hora de uma necessidade de saúde – vale lembrar que no período cerca de 2000 aposentados já faleceram sem terem visto um desfecho positivo -, a situação de quem trabalha atualmente no banco não parece das mais saudáveis.

 

"No Santander agora estamos vendo muitas demissões. Depois da compra do Real elas têm ocorrido aos montes. Ontem mesmo (terça, 19/05) foram suspensas atividades em mais de 60 agências no estado de São Paulo", avisa Carneiro. "Nesse momento, o centro da nossa luta é lutar contra as demissões, com algumas manifestações sendo realizadas, denunciando abusos de instituições como o próprio Santander", destaca, desmistificando a promessa de que os postos de trabalho seriam conservados após a bilionária transação.

 

Uma contundente demonstração das condições de trabalho adversas no setor foi a greve que os bancários realizaram em outubro do ano passado, com duração de aproximadamente 15 dias, terminando com tímidos reajustes à categoria – no Chile, trabalhadores do Santander Banefe, holding da instituição, chegaram inclusive a fazer greve de fome.

 

"No último período, tivemos muitas paralisações, e além de lutar pelos empregos, também travamos batalha na PLR (Participação nos Lucros e Rendimentos), em que o banco tenta enganar os funcionários, e numa questão fundamental: a pressão por metas de vendas", alerta o sindicalista. "Nossa avaliação é que a categoria está sendo submetida a um processo de adoecimento profundo, o que leva toda uma geração de trabalhadores a comprometer sua saúde, por conta desse assédio moral, pressão, sobrecarga, demissões, enfim, é uma situação grave", completa.

 

"Para garantir o lucro dos bancos, leva-se adiante o adoecimento de muita gente. Vivemos a fase da ‘geração tarja preta’, a dos bancários que para conseguirem trabalhar e cumprir tarefas precisam se entupir de remédios, antidepressivos e medicação controlada", desabafa. "A saúde de muita gente está abalada e acreditamos se tratar de caso de saúde pública, pois é um problema muito coletivo, e o Santander tem um dos mais altos níveis de adoecimento. É um banco que não prima pelo respeito à dignidade dos funcionários", finaliza.

 

Gabriel Brito é jornalista.

 

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Última atualização em Sábado, 30 de Maio de 2009
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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