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O povo tâmil não disse sua última palavra Imprimir E-mail
Escrito por Txente Rekondo   
Sexta, 22 de Maio de 2009
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A decisão dos dirigentes dos Tigres da Libertação da Terra Tâmil (LTTE) de guardar as armas para evitar que a ofensiva militar de Colombo siga fazendo mais vítimas civis deve ser enquadrada nas declarações dos mesmos, quando apontaram que "diante destes momentos sem precedentes históricos se fazem necessárias decisões históricas e prudentes. Se se trata de salvar vidas de milhares de pessoas, e se é necessário dar este passo, daremos".

 

O atual cenário é produto de toda uma série de fatores. De alguns anos para cá, a conjuntura internacional se situou claramente contra as demandas tâmeis e, sobretudo, contra seu representante, o LTTE. Se o acordo de negociação e cessar-fogo de fevereiro de 2002 se produziu em certa medida sob amparo do acontecido em 11 de setembro do ano anterior, a partir desta data o movimento dos atores internacionais impossibilitou o LTTE de manter o pulso com Colombo.

 

O triunfo do Partido do Congresso indiano em 2004 (que mantém uma larga história de enfrentamento com o LTTE, ao qual acusa responsabilidade pelo assassinato do primeiro ministro de então, Rajiv Gandhi), a política de Bush em sua cruzada pessoal na chamada "guerra contra o terror" (que aproveitarão os dirigentes cingaleses para lançar uma feroz campanha diplomática pelo mundo todo para cortar laços do LTTE com a diáspora tâmil) e a inclusão da organização na ‘lista negra’ do terrorismo formaram um conjunto de fatores que dificultará todo tipo de movimento e mostra de solidariedade ao povo tâmil.

 

Além do mais, os dirigentes do Sri Lanka provocaram uma importante ruptura dentro do LTTE em 2004, quando conseguiram que o máximo responsável dos tigres na zona oriental, o comandante Karuna, passasse a colaborar com o governo de Colombo, o que o levou a atacar seus antigos companheiros de luta.

 

Também não ajudou o povo tâmil em sua luta pela autodeterminação o desastre humano desencadeado pelo tsunami em 2004. O custo de muitas vidas esteve acompanhado pelos obstáculos do governo cingalês para que pudesse receber ajuda internacional, necessária para atenuar em certa medida o sofrimento daqueles dias.

 

Não obstante, também cabe falar de certos erros de análise do LTTE nessa conjuntura. Se a perda de um de seus quadros mais importantes, Anton Balasingham, que faleceu de câncer, supôs uma séria dificuldade para os tigres na hora de "sincronizar seus movimentos com os que se produziam na cena local e internacional", outros fatores tampouco ajudaram o LTTE.

 

Suas esperanças recentes nas possíveis mudanças da política de Washington ou Déli vieram abaixo. A administração de Obama seguiu apoiando o regime cingalês, apesar dos recentes clamores por um cessar-fogo, e os resultados das eleições indianas supõem mais agruras, já que o triunfo do Partido do Congresso Indiano, unido aos maus resultados dos partidos tâmeis, acelerará a política de apoio entre Índia e Sri Lanka, sobretudo após a aparição da China neste cenário, dando também cobertura e apoio ao genocídio contra os tâmeis.

 

E os dirigentes do LTTE também mediram mal a capacidade operativa e econômica do Sri Lanka. Colombo soube utilizar a ajuda material e diplomática da mal chamada comunidade internacional, a tempo de conseguir atrair a opinião pública de seu país para apoiá-lo decididamente em sua campanha militar.

 

De toda forma, a aposta militarista dos dirigentes cingaleses estava acima de qualquer dúvida. Nos últimos três anos, Colombo rechaçou todos os chamados do LTTE a um cessar-fogo e conversações de paz. Nesse sentido são reveladoras as declarações do presidente cingalês, Mahinda Rajapakse, quando afirmava que "o governo não está disposto a nenhum tipo de cessar-fogo com os terroristas. É minha obrigação proteger a população deste país, e não preciso de lições dos representantes ocidentais".

 

Assim, deixa claro suas intenções. Continuar com a estratégia dos setores cingaleses mais chauvinistas (essa aliança de monges budistas, militares e políticos do outrora comunista JVP) e se aproveitar da cumplicidade internacional, apresentando o conflito como assunto interno e de "terrorismo" e "protegendo a população tâmil" de uma maneira cínica e cruel.

 

Os dados mais recentes falam de centenas de tâmeis detidos, muitos deles menores de idade, dezena de desaparecidos e milhares de refugiados amontoados em campos de concentração, como vêm definindo as diferentes organizações humanitárias que tentam trabalhar na região, apesar dos obstáculos de Colombo, que bloqueou ajuda humanitária à população tâmil e expulsou os jornalistas e observadores estrangeiros.

 

Só neste ano, a política cingalesa, passível de aceitar a "necessidade de vítimas colaterais", custou a vida de mais de 10 mil tâmeis, "uma cruel e sanguinária média de trinta mortes por dia".

 

A suposta "eliminação do LTTE como força convencional" não é a solução do conflito. Os tigres tâmeis são o produto de "décadas de discriminação, humilhação e opressão" de seu povo por parte do chauvinismo cingalês, e que soube expressar sua raiva através do LTTE, enquanto deposita toda sua confiança no mesmo para "exercitar seu direito de autodeterminação e igualdade".

 

Essa fase da guerra desatada pelo Sri Lanka pôde por fim à "capacidade convencional do LTTE", como afirmava recentemente um prestigioso meio internacional. Mesmo assim, advertia que "os tigres podem se reagrupar e voltar a se expandir no futuro", retomando as armas com maior determinação e fazer a suposta vitória governamental virar pó. O atual triunfalismo cingalês pode sofrer um grande revés no futuro, sobretudo se a política genocida de Colombo seguir adiante.

 

Como bem apontava o editorial de um importante jornal estadunidense, poderíamos estar diante da "agonia do Sri Lanka". Após a derrota militar do LTTE, nas próximas semanas veremos que a raiva e alienação da população tâmil estão maiores do que nunca. A solução do conflito só poderá ser abordada definitivamente a partir do âmbito político, nunca militar. A experiência do passado fez com que a população tâmil não tenha nenhuma esperança em algum tipo de autonomia dentro do Sri Lanka, e somente deseja a formação de um Estado separado, "que não esqueçamos que é o principal objetivo defendido pelos tâmeis em todos estes anos".

 

Como a ave fênix, o espectro do LTTE pode ressurgir de suas cinzas no futuro e se fazer presente na terra, mar e ar do Sri Lanka. Conforme afirmaram os representantes tâmeis, a resistência terá de se transformar para uma nova forma de enfrentamento, porque "enquanto os tâmeis seguem sendo oprimidos, Sri Lanka também não poderá alcançar a estabilidade e a militância tâmil seguirá ocupando papel central no futuro do Estado cingalês".

 

Txente Rekondo é do Gabinete Basco de Análise Internacional (GAIN).

 

Publicado originalmente em La Haine (http://www.lahaine.org/).

 

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Última atualização em Sexta, 22 de Maio de 2009
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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