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Macartismo à polonesa Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Sexta, 18 de Maio de 2007
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O macartismo acaba de mostrar suas garras em pleno Parlamento Europeu. Bronislaw Geremiek, deputado pela Polônia, recebeu uma carta do seu governo, exigindo que renunciasse ao seu mandato. Razão: ele tinha se recusado a assinar uma declaração negando que tivesse colaborado com os serviços de inteligência do “ancient regime” comunista.


Geremiek foi um dos líderes do movimento sindical Solidariedade, que pôs em cheque o governo comunista do general Jaruzelsky. Ele jamais foi um colaboracionista, mas não podia compactuar com um documento que encarna a caça às bruxas que ora ocorre na Polônia.


Com sua atitude, Geremiek incorreu nas penas da Lei da Lustração, vigente desde março, que obriga cerca de 700 mil jornalistas, professores, advogados e executivos de empresas cotadas na Bolsa de Varsóvia a responder a um questionário onde se pergunta se, alguma vez, “secretamente e com conhecimento, colaborou com os antigos serviços de segurança”. Esses questionários são enviados ao Instituto da Memória Nacional, para serem checados. Nada constando, o indivíduo recebe um certificado de “ pureza política”. Caso contrário, a despedida é automática. Quem se recusa a responder, fica proibido de exercer sua profissão por 10 anos.


A Lei da Lustração complementa uma outra que pune os funcionários públicos. Por ela, até mesmo Lech Valesa teve de se defender de acusações de ter sido informante. E o general Jarucelski, de 83 anos, último governante comunista da Polônia, está sendo julgado por ter, em 1981, declarado a lei marcial para proibir o Solidariedade. Ele alegou que foi para evitar uma invasão russa.O próprio Walesa admitiu não haver escolha. Mesmo assim, tudo indica que Jarucelski será condenado a perder sua pensão e a casa onde reside.


Outra vítima das "leis da pureza política" foi o ex-arcebispo de Varsóvia, Stanislau Wielgus. Ele teve de renunciar a seu cargo por ter assinado um compromisso de colaboração com a polícia política comunista, embora nunca tenha feito nada nesse sentido. Entre 1945 e 1989, todo polonês que desejasse um cargo público ou viajar (caso do arcebispo) era obrigado a assinar o compromisso. Foi o que fizeram cerca de 2 milhões, sendo que a maioria jamais prestou qualquer informação aos comunistas.


Estas leis foram criadas pelo governo de extrema-direita, chefiado pelos gêmeos Kaczynski: Lech, o presidente, e Jaroslav, o primeiro-ministro.


Eleitos em 2005 por uma coligação formada por fundamentalistas católicos, ultranacionalistas e agrários, sua proposta é a “renovação moral” da Polônia. Como o macartismo nos Estados Unidos, sustentam que elementos de passado comunista e de ”moral impura” estão infiltrados na administração e em outras posições onde influenciam de forma desagregadora. Cumpre ao Estado descobri-los e puni-los, inclusive com prisão. Daí a Lei da Lustração e outras igualmente radicais.


Segundo projeto apresentado por Roman Giertych, ministro da Educação, quem revelar sua homossexualidade ou "qualquer outro desvio de caráter sexual" em uma escola ou universidade será apenado com multa, demissão ou até prisão.


Dentro do mesmo espírito, foi proibida a Marcha do Orgulho Gay, estão sendo fechados clubes e cafés gays e proliferam manifestações de intolerância homofóbica, sob a complacência das autoridades.

 

 

O governo desenvolve uma campanha contra o uso de preservativos.


Foram retiradas as pensões e os direitos dos poloneses das Brigadas Internacionais que lutaram na Espanha contra os fascistas do general Franco (uns poucos velhinhos com mais de 90 anos).


Anuncia-se para breve a apresentação de leis ultraconservadoras como a proibição constitucional do aborto e a volta da pena de morte.


Para deixar bem clara a filosofia da coalizão governamental, o eurodeputado Maciej Giertich, pai do ministro da Educação, publicou um folheto no qual afirmava coisas como “os judeus criaram seus próprios guetos” e “anti-semitismo não é racismo”. A política internacional dos irmãos Kaczynski é coerente com suas idéias: alinhamento incondicional com o governo Bush.


A Polônia mantém tropas no Iraque e no Afeganistão e é acusada de abrigar prisões secretas da CIA, onde suspeitos de terrorismo, seqüestrados em outros países, passam por interrogatórios e torturas. A Comunidade Européia enviou uma comissão a Varsóvia para investigar essas denúncias. Mas ela voltou reclamando da falta de colaboração das autoridades locais.


O governo polonês aceitou que os Estados Unidos instalassem em seu território bases do seu “escudo antimíssil”. Embora os americanos declarem que seu objetivo é a defesa contra futuros mísseis iranianos, a verdade é que erguerão uma cortina de aço, cercando a fronteira russa. Putin protestou veementemente, inclusive ameaçando com represálias.


Apesar de a maioria dos poloneses, em pesquisas, ter se manifestado contra as bases, os gêmeos Kaczynski mantêm sua posição, pois consideram Putin um continuador da odiada União Soviética.

 

A Lei de Lustração e as outras medidas restritivas da liberdade do governo polonês têm suscitado protestos interna e externamente.


No Parlamento Europeu, o líder do Grupo Liberal, Graham Watson, declarou que Geremek “tem toda razão em opor-se à caça às bruxas que seu governo executa”.


Para Daniel Cohn-Bendit, líder dos Verdes: “se o governo polonês usa métodos stalinistas ou fascistas, nós devemos defender nossos colegas contra todas essas loucuras”.


E Martin Schulz, eurodeputado socialista: “este governo envergonha um nobre país. A Europa precisa levantar-se contra o flagrante desrespeito do governo polonês pelos valores europeus”.


Por sua vez, a população do país começa a rejeitar a coalizão direitista. Pesquisa realizada em março mostra que 1/3 dos que votaram nela estão arrependidos, 58% insatisfeitos com o governo, sendo que a oposição passou a contar com 36% das preferências contra 24% pró-Kaczynski.


Neste mês, o Tribunal Constitucional vetou as partes principais da Lei de Lustração. Foi um duro golpe para o governo. Mas nada indica que os gêmeos tenham esgotado seu arsenal de maldades.


Quando crianças, Lech e Jaroslav protagonizaram um filme – “Os dois que roubaram a lua” - que emocionou a Polônia. Adultos, eles continuam emocionando, mas de uma maneira totalmente oposta.

 

 

Luiz Eça é jornalista.

 

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Última atualização em Sexta, 18 de Maio de 2007
 

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