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A herança maldita de George W. Bush Imprimir E-mail
Escrito por Luiz Eça   
Sexta, 15 de Maio de 2009
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De repente, o movimento talibã passou a ser a principal ameaça à segurança dos Estados Unidos.

 

Até alguns meses atrás, seus milicianos limitavam-se a aproveitar a porosidade da fronteira com o Paquistão tanto para se refugiarem das forças da OTAN, quanto para construir bases no território vizinho e dali atacarem as tropas inimigas.

 

Agora, eles querem mais.Os recentes acontecimentos no vale de Swat mostram os talibãs lutando para se apossar de regiões inteiras do Paquistão.

 

Ora, o país possui entre 100 e 150 armas nucleares armazenadas em locais secretos. Diz o governo paquistanês que estão seguras, protegidas pelas mais avançadas técnicas, além de 10 mil soldados, cuidadosamente selecionados. As chances de caírem nas mãos de combatentes islâmicos seriam mínimas. Na verdade, chances mesmo que mínimas, estando em jogo artefatos nucleares, representam uma ameaça da mais alta gravidade.

 

Caso os Estados Unidos se retirassem do Afeganistão, os talibãs de lá viriam juntar-se em massa aos seus irmãos do Paquistão. É claro, não teriam condições de vencer o exército de um país de 170 milhões de habitantes, mas as chances de tomarem uma região com bombas nucleares estocadas já seriam bem mais do que mínimas.

 

Para a Casa Branca, fechar a passagem dos talibãs afegãos para o Paquistão e reprimir o crescimento dos seus aliados, os movimentos islâmicos terroristas, torna-se absolutamente imperativo.

Como as políticas tradicionais americanas de lidar com esta situação somente na base da força militar não vinham dando certo, Obama mudou de rumo. Vai investir principalmente em educação, desenvolvimento, saúde e combate à criminalidade, visando conquistar os "hearts and minds" dos povos afegão e paquistanês. Sim, porque embora o movimento talibã não seja propriamente um sucesso de público, os governos desses dois países e seu fiel patrono, os Estados Unidos, são ainda mais odiados. Obama pensa que, tendo o povo ao lado dos dois governos, será mais fácil conter e talvez mesmo derrotar os talibãs d’aquém e d’além fronteira.

 

Mas não será nada fácil. Obama poderá talvez mudar o modo de agir americano, mas o que fazer com os presidentes que ele herdou de George Bush ?

 

No Afeganistão, Karzai (ex-agente da CIA), escolhido a dedo pelo pessoal da Casa Branca, preside um governo profundamente corrupto e totalmente incompetente, onde os chefões do narcotráfico detêm posições de mando. Por seu lado, o exército americano tem colaborado na criação de uma imagem desfavorável bombardeando sem muita análise tudo que cheire a talibã e com isso procedendo a massacres periódicos de civis.

Como aconteceu recentemente em Bala Boluk onde, atendendo à solicitação do exército afegão, aviões americanos bombardearam a aldeia, matando 147 civis, entre os quais 98 menores.

 

Quando desembarcaram no Afeganistão as tropas dos Estados Unidos e da OTAN foram recebidas como libertadores – o povo não agüentava mais as violências do governo talibã. Seis anos depois, recente pesquisa (ABC NEWS, BBC e ARD, janeiro de 2009) mostra um quadro totalmente diferente: no sul e no leste 45% das pessoas acham que a violência contra as tropas americanas e da OTAN é plenamente justificável; mais de 50% são contra o aumento das forças americanas.

 

Karzai não parece ser o parceiro ideal de Obama para ganhar o apoio popular contra os talibãs e recuperar o país. Mas não há alternativas. Ele tem o apoio da maioria dos chefes tribais e dos "senhores da guerra", que controlam o eleitorado, e sua vitória nas eleições de agosto é quase certa. Especialmente por que ele acaba de convencer seu maior adversário, o general Agha Sherzai, a retirar sua candidatura.

 

Sentindo-se forte, Karzai, às vésperas de sua viagem a Washington para conferenciar com Obama, tomou uma atitude desafiante, convidando para seu vice o líder tajik, Mohamed Qasim Fahim, assim descrito pela ONG Human Rights Watch: "um dos mais notórios senhores da guerra, com o sangue de muitos afegãos em suas mãos."

 

Também no perigoso Paquistão, Obama está correndo com o cavalo que ele não escolheu.

 

Até meados do ano passado, quem governava era o ditador Musharraf, com total apoio de George Bush. Mas ele caiu em desgraça, tanto porque não conseguiu conter as penetrações de talibãs nas regiões da fronteira quanto por que multiplicava-se a oposição contra ele. Bush pressionou para que Musharraf se retirasse, contando com a eleição certa de Benazir Bhutto, em seu lugar. Benazir era amada pelo povo e concordava em combater com mais vigor os talibãs de dentro e de fora do país. Mas ela foi assassinada e Bush teve de aceitar o plano B: viúvo Asif Zardari. Contando com a prestimosa assessoria de Zalmay Khalizad, embaixador dos Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU, Zardari foi eleito pelo Congresso paquistanês.

 

Não foi das melhores saídas, pois Zardari tinha um prontuário de fazer inveja a qualquer congressista brasileiro. Quando membro do primeiro governo Benazir, Zardari ganhou o apelido de "Senhor 10%". Dá para adivinhar por que, não é? Investigadores paquistaneses o acusaram de embolsar 1,5 bilhão de dólares dos fundos públicos. Entre 1997 e 2004 esteve preso sob acusações de lavagem de dinheiro e assassinato. Pesavam contra ele acusações de lavagem de dinheiro no Senado americano e processos de suborno na Suíça, durante o governo de sua esposa. Apesar das pressões de autoridades americanas, o juiz Daniel Devaud deu prosseguimento ao processo. Na Inglaterra, Zardari foi acusado, em 2006, de ter usado fundos ilícitos para comprar uma mansão em Tudor. O juiz do caso declarou haver uma "razoável probabilidade" de ser verdade.

 

Já no governo Musharraf, Bush interveio no lado paquistanês da fronteira, enviando tropas especiais para missões anti-talibãs. Choveram os protestos, particularmente dos generais do Paquistão. O exército americano adotou então o sofisma de enviar aviões não tripulados para bombardear alvos talibãs, alegando que, não havendo penetração de soldados através da fronteira, não haveria desrespeito à soberania do Paquistão.

 

Bush iniciou está prática, que vem sendo continuada por Obama, com aceitação de Zardari. Não, porém, do povo que, como no Afeganistão, embora não goste dos talibãs, gosta menos ainda do governo e dos americanos. Aceita mesmo concessões de poder aos talibãs - afinal, também são muçulmanos. No episódio do vale do Swat (violentamente criticado pelos Estados Unidos), 80% da população local apoiaram o acordo, sendo que 74% acreditavam que o acordo traria paz na região, segundo pesquisas oficiais. Como a coisa desandou e agora o exército paquistanês luta para desalojar os talibãs, Obama espera que a população se volte contra eles como se fossem uma praga de gafanhotos.

 

Por enquanto, não é o que aparece nas últimas pesquisas. Apenas 10% consideram o terrorismo o principal problema. Para 74% o extremismo religioso é um problema grave, mas 56% apóiam a exigência do talibã de estender a "sharia" para outras regiões do país. Ora, a "sharia" é o conjunto de leis emanadas do Alcorão, a maioria rejeitada pelos pensadores muçulmanos modernos por estarem superadas (são do século 8º). Esta posição pró "sharia" não combina com o anseio por democracia de 77%.

 

Por contraditórios que sejam certos resultados da pesquisa, um deles é muito claro: a condenação do presidente Zardari, visto como "homem dos americanos": são apenas 9% aqueles que confiam nele. De outro lado, 55% apóiam Nawaz Sharif, o líder da oposicionista Liga Muçulmana Paquistanesa.

 

Num lance hábil, Obama conseguiu que Sharif concedesse um apoio circunstancial ao governo Zardari, nesse momento em que "é crucial a luta antiterrorismo". Mas as divergências entre os dois grupos são profundas e o acordo não deverá durar muito.

 

Para enfrentar a ameaça dos talibãs, da Al Qaeda e outros grupos afins, manter as armas nucleares seguras, o Paquistão como firme aliado e o Afeganistão sob controle, ainda que precário, Obama tem de contar com os presidentes que recebeu de Bush. Karzai e Zardari, duas criaturas à altura do criador.

 

Luiz Eça é jornalista.

 

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