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Estados Unidos e Irã: contradição no posicionamento nuclear Imprimir E-mail
Escrito por Virgílio Arraes   
Segunda, 14 de Maio de 2007
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Suspensa por causa de uma crise diplomática entre Grã-Bretanha e Irã - derivada, por seu turno, da prisão de 15 militares britânicos entre 23 de março e 4 de abril corrente -, a questão da nuclearização iraniana vem novamente à baila por si mesma e pelo modo por que os Estados Unidos se lhe desejam opor: o emprego de armas nucleares táticas, ou seja, bombas atômicas de menor poder de devastação.  

 

Em sendo aplicada tal medida, romper-se-ia a barreira da dissuasão nuclear, vigente desde a ofensiva ao Japão em 1945. De acordo com a estratégia delimitada, não haveria, a princípio, o envio de tropas, insuficientes presentemente para atender Iraque e Afeganistão ao mesmo tempo, mas o uso da força aérea. Desta maneira, há várias opções, cujo espectro varia de ataques específicos a instalações nucleares à destruição maciça de complexos militares e político-administrativos.  

 

Desde 2004, os Estados Unidos valem-se de vôos secretos, por meio de aviões espiões, i.e, sem pilotos, com o objetivo de fotografar e filmar possíveis bases militares, mesmo as convencionais. A Aeronáutica mostra-se favorável ao emprego de tais aeronaves, porque, diferentemente dos satélites, elas detêm equipamentos com filtros de ar capazes de captar atividades nucleares.

 

O Irã procura o contra-arresto às possíveis medidas bélicas norte-americanas, ao reforçar a concretagem da cobertura de certas instalações e ampliar a rede interna de contatos por meio de túneis subterrâneos, o que, se, por um lado, proporcionaria a proteção contra ataques convencionais, poderia, por outro, encorajar a utilização de armas atômicas de menor porte.     

 

Desde março de 2006, o Irã é apresentado como o maior desafio perante os estrategistas estadunidenses – em janeiro de 2006, o presidente Bush havia classificado o país de ‘grave ameaça à segurança do mundo’. Contudo, uma ação unilateral de cunho bélico contra Teerã poderia transformar os Estados Unidos, aos olhos da opinião pública mundial, no maior opositor, mesmo involuntariamente, da comunidade muçulmana, ao digladiar-se simultaneamente com três países de tal religião. 

 

Uma das conseqüências imediatas seria o açulamento de medidas retaliativas contra tropas norte-americanas no Iraque, já bastante desestimuladas em decorrência da incerteza de sua presença no país, a partir de 2008, por causa do debate no Congresso entre republicanos e democratas.  

 

De todo modo, a Casa Branca avalia que, se houvesse um incremento nas investidas terroristas no Iraque, a resposta poderia ser a intensificação de bombardeios no Irã como contrapeso à retaliação. Nesse caso, os ataques aéreos poderiam ter por alvo instalações administrativas como prédios da Guarda Revolucionária ou de outros entes governamentais.  

 

Outra ação, de caráter complementar, poderia ser o desmantelamento progressivo da frota iraniana – o ponto de partida seria o atol de Diego Garcia, no centro do oceano Índico, onde as forças armadas dos Estados Unidos dispõem de uma base conjunta com a Grã-Bretanha desde o início dos anos 70. Desta forma, descartar-se-iam o Iraque e a Turquia como pontos de partida para a eventual ação, a fim de não melindrar ainda mais o mundo muçulmano.    

 

Além disso, estima-se ainda ser insuficiente o acúmulo técnico do Irã para a fabricação de artefatos para os próximos anos, de sorte que há condições para a retomada de negociações, não obstante o próprio governo norte-americano, por meio do Departamento de Energia, ter aumentado o seu orçamento relativo a atividades nucleares. Em termos reais, ele é quase 50% maior do que o gasto na década de 80, desde que, em janeiro de 2002, o governo Bush lançou o programa Revisão do Posicionamento Nuclear, cuja meta é revitalizar o complexo bélico nuclear. Um dos projetos, por exemplo, refere-se a mísseis balísticos intercontinentais.     

 

No longo prazo, os norte-americanos apontam para o Complexo 2030, projeto capaz de contrapor-se a possíveis ameaças ao longo do século XXI, gerido pela Administração de Segurança Nuclear Nacional, órgão vinculado ao Departamento de Energia. Avalia-se que seus custos estarão por volta de 150 bilhões de dólares, ao se relacionarem à manutenção de ao menos 8 complexos militares. É possível, no entanto, que a produção de plutônio se incremente. 

 

Assim, há uma contradição no comportamento da presente administração estadunidense, ao exigir do Irã o desmantelamento de seu programa nuclear, mas, ao mesmo tempo, ampliar o seu próprio nível de investimentos no setor. Qual seria o encaminhamento mais adequado para o momento? Seguir o teor do Tratado de não Proliferação Nuclear, por meio do qual o estoque militar nuclear deveria ser gradativamente eliminado. Desta maneira, a argumentação do Irã, se mantida, se esvaziaria, o que contribuiria para deslegitimar suas possíveis pretensões belicosas.   

 

No fundo, a Casa Branca vislumbra um cenário mais largo, ainda que improvável: a possibilidade de defenestração de um governo religioso, a fim de substituí-lo por um secular e, por conseguinte, mais inclinado ao Ocidente. Contudo, o exemplo prévio do Iraque não é abonador para a política externa norte-americana na região médio-oriental, à medida que nem sequer se conseguiu substituir de modo eficiente uma ditadura secular por uma democracia civil.    

 

 

Virgílio Arraes é professor de Relações Internacionais na UnB.

 

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Última atualização em Segunda, 14 de Maio de 2007
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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