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Outras propostas de ruptura Imprimir E-mail
Escrito por Wladimir Pomar   
Quarta, 11 de Março de 2009
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Diante da crise, surgiu também a proposta de ruptura ecológica. Para alguns, o momento apresentaria uma ótima oportunidade para ousar uma ruptura desse tipo. Argumentam que a crise econômica, além de romper com a hegemonia mundial do sistema financeiro, seria um momento único para repensar com radicalidade o atual modelo, de modo a descarbonizar a economia e avançar em direção a uma sociedade sustentável.

 

Para tanto, como acreditam que a crise ecológica é bem mais profunda do que a crise econômica, acham fundamental e necessário subordinar as saídas da crise econômica mundial à crise ecológica. O problema consiste em que a descarbonização da economia depende tanto do poder sócio-econômico quanto do poder político, ambos sob a égide do capital. Sem mudar o modelo sócio-econômico e político, a descarbonização continuará subordinada à relação custo-benefício do capital, o que nos faz relembrar Saint Simon, que tentou revolucionar a sociedade através da educação dos industriais. Foi pena, mas suas teses não passaram de uma utopia reformista.

 

Por outro lado, os adeptos da ruptura ecológica têm razão em considerar a crise como oportunidade, embora isso não seja privilégio seu. Como vimos em comentário anterior, há os que pensam em rupturas políticas e sociais. E também há capitalistas que estavam fora da jogatina financeira e consideram a crise uma ótima oportunidade para comprar ativos desvalorizados.

 

Chico de Oliveira, por seu turno, também considera que o Brasil está diante de uma oportunidade excepcional. A crise, ao suspender o que chama de hegemon, teria aberto uma fresta histórica, um hiato de reacomodação capitalista, que propiciaria à esquerda a possibilidade de repetir a experiência modernizante de Getúlio Vargas, nos anos 1930. Para ele, do mesmo modo que "Vargas redefiniu o país", "a chance é que o PT faça o mesmo na primeira grande crise da globalização", criando "algo como cinco EMBRAERs por ano em diferentes setores", e promovendo "uma superação do modelo", ao ancorá-lo "em forças sociais da base da sociedade".

 

Portanto, ele propõe uma espécie de ruptura, como fez Vargas, através do desenvolvimento nacional, "à revelia da plutocracia mais poderosa do país". A rigor, ele sugere mais carbonização e rompimento com a hegemonia da burguesia paulista. Como não explica como as forças sociais da base da sociedade vão comandar cinco Embraers por ano, nem coloca no mesmo cesto da plutocracia paulista as demais burguesias regionais, é de supor-se que sua ruptura não vá mexer com o capitalismo brasileiro como um todo.

 

De qualquer modo, esse tipo de ruptura proposto por Chico de Oliveira é bem mais viável que os demais vistos até agora. Está mais de acordo com a atual correlação de forças políticas do país. E, mesmo sendo uma ruptura que não rompe com o modelo capitalista, pode contribuir decisivamente para o desenvolvimento das forças produtivas nacionais, o que inclui a recomposição da força dos trabalhadores industriais como um forte setor da classe dos assalariados.

 

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

 

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