Educação paulista é vítima de auto-sabotagem em favor do ensino privado

 

A educação do estado de São Paulo, teoricamente o mais expressivo pólo de formação cultural do país, está no olho do furacão das críticas há muitos anos. A qualidade da rede de ensino sofre franca e escancarada decadência nas últimas gestões e para discuti-la o Correio da Cidadania conversou com o professor e ex-diretor do sindicato da classe João Kleber Santana.

 

Também docente da rede pública (hoje da municipal, mas com passado na estadual), Santana denuncia que a recente prova a que foram submetidos os professores dos ensinos fundamental e médio, cujos resultados tiveram ampla e negativa repercussão, não tinha objetivos administrativos e nem técnicos. Como pano de fundo, aponta uma sorrateira intenção em desvalorizar a rede pública e seus respectivos profissionais.

 

De acordo com suas palavras, tal auto-destruição de nosso ensino público mostra também a falta de senso republicano das últimas gestões tucanas, que estão no poder há 15 anos. E para tirar da lama o ensino paulista, o professor afirma que é necessário um plano de longo prazo que passe pela valorização da carreira e da autonomia do professor.

 

A íntegra da entrevista pode ser conferida a seguir.

 

Correio Cidadania: A mais recente prova do Estado de São Paulo para docentes da rede pública – do ensino médio e fundamental - mostrou resultados que tiveram repercussão bastante negativa. Tal fato, atrelado a outros não muito distantes no tempo, como as greves e a crise das merendas, significa que nosso ensino público se encontra em que condições?

 

João Kleber Santana: De abandono. Principalmente dos educadores. No caso da prova, onde se tem quase metade da rede de professores como não-efetivos, mas temporários, eles se submeteram a um exame meramente classificatório, que não significava efetivação. Ao menos demonstrou a intenção da administração.

 

Ela, a administração, tem de dar a motivação, o exemplo, pois possui um papel de liderança sobre aqueles que dirige. E o papel que a administração exerceu foi o de desqualificar os profissionais que a escola gerencia, portanto, uma auto-desqualificação.

 

Ao invés de apresentar uma política de pessoal, de médio e longo prazo, consonante com as metas que se propõem na educação, o que se fez foi um absurdo. Todas as pessoas que participaram da elaboração, implantação e divulgação dessa prova, da qual participou um grande número de professores, deveriam ser demitidas. A prova foi feita não só por aqueles que já trabalhavam como temporários, mas também por gente que gostaria de ingressar na rede estadual, além de curiosos.

 

E o Estado divulgou um número de professores que tirou nota zero que incluía aqueles que não foram fazer a prova. O professor que não compareceu à prova não tirou zero, apenas não foi avaliado. Portanto, a divulgação desse exame da forma como foi feita demonstra má fé da gestão, que não possui uma política de pessoal definida, que valorize o servidor. Tudo isso demonstra o que eu disse: a educação se encontra em situação de abandono.

 

CC: Como têm sido os processos de formação dos professores e seu acompanhamento por parte do Estado?

 

JKS: Sou professor da rede pública municipal. Já atuei por um bom tempo na rede estadual, mas não tenho acompanhado de forma mais sistemática. Porém, em geral o que se observa é pouco caso e pouca fiscalização, por exemplo, na formação inicial do professor, com universidades que não poderiam de maneira nenhuma estar trabalhando nesta área, além de cursos aligeirados. Assim, a formação inicial do educador é precária.

 

E no campo da formação continuada, o máximo que o Estado tem feito é uma formação também aligeirada - quando ela ocorre. Nas poucas vezes em que houve uma formação sistemática foi em momentos nos quais o Estado recebeu empréstimos externos, porém, com poucos investimentos diretos da própria administração nesse quesito da formação continuada do professor.

 

Além do mais, ultimamente tem havido o que eu chamaria de ‘desformação’ dos professores - nisso o Estado tem investido. Temos percebido, por exemplo, o uso de cartilhas, numa tentativa de homogeneização dos conteúdos da rede. Pode ser bom ou não, desde que mantenha a autonomia do professor, estimule a atividade, a maneira de ensinar. No entanto, o que se tem feito é simplesmente tentar dirigir o trabalho da sala de aula.

 

A rede estadual tem mais de 6 mil escolas, distribuídas em todos os municípios, nas periferias e regiões centrais, portanto, não há como melhorar o rendimento através dessas tentativas de homogeneização do processo. Apenas reforçarão as regiões que já possuem um bom rendimento e se forçará para baixo o desempenho na outra ponta. É certamente esse o modelo de gestão que está sendo adotado.

 

CC: Sendo assim, têm razão aqueles especialistas da área que condenam a falta de vínculo entre professores e escolas, uma vez que sua contratação, distribuição, transferência, entre outros, seriam feitas através de critérios meramente impessoais.

 

JKS: É um pouco mais complicado, eu diria. Tem que haver critérios objetivos quando se fala de uma rede com mais de 200 mil pessoas, não dá para utilizar critérios meramente subjetivos. Por exemplo: São Paulo não tem Plano Estadual de Ensino há anos...

 

Digo isso porque se fosse feito algo do tipo ‘professores com melhores classificações escolhem as melhores escolas’ também se tenderia a acentuar aquela coisa de dar o melhor aos melhores e o pior aos piores. Assim, não há princípios mínimos de isonomia, eqüidade, no sentido de querermos educar com igualdade de condições para todos.

 

Nesse aspecto, não sou favorável a critérios meramente subjetivos. No entanto, os critérios pretendidos pelos sindicatos devem considerar alguns fatores. Um deles é o da experiência, falando de tempo de serviço. Qual o critério objetivo? Em tese, aquele que tem mais tempo de trabalho adquire melhor experiência. No entanto, políticas de valorização salarial e de melhor formação também seriam ótimas. Professores com mais tempo trabalham melhor e deveria haver uma possibilidade de escolha.

 

Critérios objetivos que significassem que o Estado decidiria para qual escola vai tal professor, com indicações, clientelismo, também não levariam a uma melhora da educação.

 

O problema é a intenção da gestão nesse momento. Ela aplicou uma prova que claramente tinha o objetivo de desqualificar o profissional que ela própria gere, que na prática é quem estará próximo ao aluno.

 

Desse modo, volto a insistir na incapacidade, ou falha gerencial, do próprio Estado para administrar a rede da qual ele é o responsável.

 

CC: E por que o Estado praticaria essa auto-sabotagem contra o seu ensino público?

 

JKS: Primeiramente, por falta de senso republicano, de proporcionar uma educação igualitária, de eqüidade, para todos os alunos da rede, respeitando o direito de todos a um bom ensino e formação.

 

Fora isso, a impressão que se dá é que também há interesse em valorizar a rede privada, opção que não está ao alcance de todos, como bem se sabe.

 

CC: O que pensa da execração promovida por diversos analistas espalhados pela mídia em relação ao professorado, por conta dos resultados do referido teste? Essas colocações deixam de lado o fundo do problema?

 

JKS: O que vejo é que os analistas sérios não vão por esse caminho, eles entendem mais profundamente o problema. No entanto, todos esses outros que estão espalhados e criticando os professores pelos resultados são pessoas ligadas ao ensino privado e, portanto, têm todo o interesse em desvalorizar a rede pública e tornar mais atraente a rede particular.

 

Quanto à aplicação da prova, considero que poderia ser analisada por dois aspectos: ao fazer uma avaliação para uma parte dos educadores, um dos objetivos seria manter a finalidade da educação; porém, da forma como foi aplicada, com objetivos meramente classificatórios, não atinge os objetivos maiores do ensino. A outra perspectiva que podemos analisar numa prova desse tipo seria do ponto de vista gerencial, ou seja, uma prova com finalidade administrativa. Só que tampouco serviu a tal propósito, que seria o objetivo de tirar os professores da rede estadual da situação de temporários.

 

Uma perspectiva gerencial séria levaria em conta uma política educacional de longo prazo, e não só uma forma diferente de contratar profissionais em situação temporária.

 

Quando faço as críticas ao estado de São Paulo, lembro que a lei das contratações de temporários é da década de 70, ou seja, tem sido utilizada há mais de 30 anos; uma lei definitiva para contratações temporárias. Como o Estado justifica tamanha demora para a resolução de tal problema?

 

Se formos analisar a administração tucana, do PSDB, ela já esta há 16 anos no governo estadual. E mesmo com os governos Quércia e Montoro tendo gerenciado antes, há uma linha de continuidade nesses partidos. Portanto, eles têm uma responsabilidade de mais de duas décadas na direção da educação paulista. As crianças que têm sido formadas são de total responsabilidade desse governo.

 

Não dá para discutir seriamente do ponto de vista dos objetivos de uma educação pública, laica, gratuita, republicana. Do ponto de vista gerencial, o único que se constata é a desqualificação da rede pública para ampliação da rede privada, ou a mera incompetência da gestão, o que me parece de fato o problema, com a colocação de pessoas que não têm compreensão do tamanho de uma rede de ensino como a desse estado.

 

CC: Por fim, que medidas deveriam ser tomadas para que se comece a transformar o quadro de nossa educação e voltar a moralizá-la diante dos pais, alunos e sociedade, e para uma verdadeira evolução em sua qualidade?

 

JKS: São várias questões, mas a primeira seria a construção do plano estadual de educação, coisa que São Paulo não tem há muitos anos. Isso de forma democrática e participativa, o que significaria o envolvimento da sociedade em sua elaboração.

 

Porém, teria de envolver aqueles que de fato têm compromisso com a administração pública, ou seja, pais, alunos, profissionais, e até mesmo a administração, através de uma ampla discussão e um processo mais preocupado com a qualidade que com a velocidade. Demoraria certo tempo, mas tal plano precisaria de uma visão de longo prazo, o que significa mais de um governo, mais de 10 anos. Essa é uma medida geral que eu encaminharia.

 

Do ponto de vista mais imediato, sugeriria a criação por parte da Assembléia Legislativa de cargos para servidores públicos e a realização de concursos, para que os educadores saiam da situação de temporários para servidores do estado.

 

Outras medidas seriam a criação de planos de carreiras, valorização salarial, políticas de formação, capacitação e avaliação sem objetivos apenas classificatórios, mas que analisassem os problemas e propusessem soluções, uma vez que a mídia apresentou os dados de forma duvidosa. A prova envolveu mais de 200 mil pessoas e todo o debate girava em torno dos resultados dos 3000 que tiraram nota zero, sendo que muitos nem compareceram à prova, embora tenham se inscrito nela.

 

Gabriel Brito é jornalista.

 

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Comentários   

0 #4 Do jeito que o PSDBT gosta. E nós permitCarlos Henrique Tretel 22-03-2009 02:39
É pertinente a denúncia de que não temos aqui no estado de São Paulo ainda um plano estadual de educação (PEE). Afastar-me-ei para início de conversa, frente a complexidade proporcionada pelo processo do municipalização do ensino por estas terras paulistas, da também pertinente discussão sobre de que plano falamos, se de um das escolas estaduais apenas ou de outro melhor mas de mais difícil elaboração, da educação entendida por um ângulo mais abrangente.
Concentrarei, assim, minha atenção para as propostas de PEE que já foram objeto de análise por parte de nossa Assembléia Legislativa (AL) há alguns anos atrás, por volta de 2002 se não me falha a memória. A princípio considero importante ressaltar que se é verdade que grande parte dos absurdos que vemos na educação do estado mais rico da federação é decorrente de não termos ainda um PEE, não é verdade, contudo, que tal se dê por única e exclusiva responsabilidade do PSDB, a quem logicamente, por ser governo há quase duas décadas, é (e deve mesmo ser) debitada em grande parte essa conta. No início desta década, o executivo paulista encaminhou à AL um projeto de lei do PEE que a seu ver, na época, teria sido fruto de uma ampla discussão com a sociedade civil em que a participação de todos os segmentos teria sido assegurada. No início desta década também, deu entrada na mesma AL um substitutivo a esse projeto do executivo, de autoria do deputado Carlinhos de Almeida, do PT. Que o projeto do executivo não foi fruto de nenhum processo democrático e transparente, isso bem sabemos. Que, depois de tê-lo entregue à AL para discussão, não se esforçou a base governista para colocá-lo em discussão, também bem sabemos. Que o PSDB não envidou esforço algum para divulgar o seu projeto para a sociedade, também o sabemos. E como o sabemos! Que o PT, na época, não se mostrou muito animado a discuti-lo também, posto ter apresentado o seu próprio projeto à AL, também podemos intuir. O que não consigo entender, no entanto, é como o PT não envidou esforços para divulgar o seu substitutivo, nem ao menos nas cidades em que, na época, era governo. Aqui na cidade em que moro, Piracicaba, o PT era governo nessa época. E não se ouvia por aqui nada sobre o substitutivo do deputado Carlinhos de Almeida. E olha que aqui em Piracicaba temos pessoas tidas como sérias e comprometidas com a educação, como o deputado Roberto Felício, do próprio PT, e Bebel, da Apeoesp. Resumindo: que o PT, na época, não quisesse divulgar e discutir o PEE do PSDB foi lá até justificável por ter ele na época apresentado o seu próprio PEE. Mas não divulgar e discutir, nem nas cidades em que era governo, o seu próprio PEE não deu para entender.
Hoje, pelo pouco que podemos saber pelo inócuo site de nossa AL, www.al.sp.gov.br, nenhuma dessas propostas está mais colocada para discussão. A última notícia (1) patrocinada pela nossa também inócua comissão de educação da AL dá conta que a secretária de educação, senhora Maria Helena, entregaria à AL uma proposta de PEE até o dia 29 de janeiro último. Visitando o site da AL, não temos registro algum se, de fato, isso se deu. Encontramos registros apenas de que as reuniões da comissão de educação ou foram canceladas ou não alcançaram quórum para realização (2). Não nos esqueçamos de que nessa comissão há membros do PT também. É do PT no momento, inclusive, a presidência dessa comissão. Por que então não faz melhor o PT? Por que não coloca no ar um site decente, com espaços para informações, armazenamento de arquivos (entre os quais poderiam ser disponibilizados os das propostas para download) e, principalmente, interações, como fóruns de discussão e chats?
Por que age tão igualzinho ao PSDB o PT? Parece mesmo que, na verdade, a educação paulista está entregue (em todos os sentidos) ao PSDBT.
A próxima reunião da comissão de educação está marcada para o próximo dia 26. Será que não acontecerá ela também? Se bem que... se acontecer, de nada ficaremos sabendo também. Então, do jeito que está, sem transparência, tanto faz acontecerem como não acontecerem tais reuniões...
Tudo está do jeito que o PSDBT gosta. E do jeito que permitimos.

(1) "03/12/2008 23h09

Secretária da Educação debate os problemas da pasta com entidades e parlamentares



Da Redação Marisilda Silva



Simão Pedro e Maria Helena Guimarães de Castro
Deputados da Comissão de Educação, pais de alunos das escolas públicas, trabalhadores da educação e suas entidades representativas participaram nesta quarta-feira, 3/12, de reunião com secretária da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, num debate que durou cerca de quatro horas.
Numa exposição de uma hora, Maria Helena fez um balanço das ações desenvolvidas pela pasta e justificou a política de recursos humanos que vem adotando, que visa melhorar a qualidade do ensino e fixar as equipes nas escolas. Ela afirmou o governo está valorizando as categorias da educação e que, possivelmente até 2010, todas as gratificações estarão incorporadas aos salário-base.
Segundo a secretária, essa é a política salarial do governo, que, afirmou, nada tem a ver com o Bônus por Resultado. "São coisas diferentes. O bônus é um mecanismo de incentivo." Contrariamente, os representantes dos trabalhadores argumentaram que "bônus devem vir depois de salários justos".
Também não houve concordância sobre o decreto de maio deste ano que dispõe sobre a regionalização dos concursos públicos para provimento de cargos do magistério e define normas relativas à remoção, substituição e contratação temporária de docentes. Os trabalhadores reivindicam a sua revogação, mas a Maria Helena afirmou que isso está fora de cogitação, porque as normas para concursos, remoção e substituição de docentes, são parte integrante do programa de educação do governo Serra.
A secretária compareceu à Assembléia atendendo a convite da comissão para prestar esclarecimentos sobre o Decreto 53.037/2008; o projeto de lei complementar (41/2008) que institui a Bonificação por Resultados (BR); os R$2 bilhões de recursos que foram empregados no Programa 0808 da Lei Orçamentária Anual (LOA) " Formação Continuada dos Professores; sobre os episódios de violências ocorridos na EE Amadeu Amaral; a situação das APMs (Associações de Pais e Mestres), que estão sendo obrigadas a rescindir os contratos de trabalho a arcar com as respectivas despesas; e o Plano Estadual de Educação.

Longa pauta

A justificativa para a longa pauta é que, durante o ano, deputados da oposição apresentaram diversos requerimentos para que a secretária viesse à comissão, mas nenhum deles foi aprovado. A presença da titular da Educação na reunião desta quarta foi possível depois de negociação comandada pelo presidente da comissão, deputado Simão Pedro (PT), com o líder do governo, Barros Munhoz (PSDB).
Referindo-se à não-aprovação dos vários requerimentos apresentados, o deputado Roberto Felício (PT) pediu à secretária e sua assessoria que tivessem paciência, "pelo menos uma vez no ano". E sugeriu que ministros de Estado, secretários estaduais e municipais prestem contas, obrigatória e periodicamente, em audiências públicas, a exemplo do que já acontece com o secretário da Fazenda.
Depois da manifestação da secretária e de deputados, falaram os representantes dos funcionários: Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp), Centro do Professorado Paulista (CPP), Sindicato dos Supervisores de Ensino do Magistério do Estado de São Paulo (Apase), Associação dos Professores Aposentados do Magistério Público (Apampesp), Sindicato dos Funcionários e Servidores da Educação (Afuse), e comissão pró-Conselho Estadual de Política e Administração de Pessoal. Os últimos a falar foram representantes de entidades de pais de alunos: EducaFórum, Pais de Olho na Escola e APM da EE Rui Bloem. Manifestaram-se também representantes de comissões constituídas para elaborar os planos de educação municipal e federal.

Plano Estadual

Ao destacar a importância do Plano Estadual de Educação, Simão Pedro lembrou que os deputados constituíram uma subcomissão específica para esse tema e que espera que a secretaria participe do debate. Segundo ele, tramita na Assembléia um projeto de iniciativa popular sobre o tema, formulado pelas entidades dos servidores da educação. Outro projeto que dispunha sobre o plano foi encaminhado pelo Executivo, mas depois retirado.
A esse respeito, a secretária comprometeu-se a enviar até o final de janeiro de 2009 uma minuta com dados, diagnóstico e linhas políticas para a formulação do Plano Estadual de Educação.

Compromissos

Segundo Carlos Giannazi (PSOL), as políticas do governo têm caráter punitivo e o clima é de falta de democracia. Parlamentares e professores condenaram, também, a manutenção da "lei da mordaça", norma editada durante o período militar que proíbe a manifestação de servidores públicos. Maria Helena diz que apoiará projeto de lei de autoria de Roberto Felício que revoga aquela legislação.
A secretária afirmou, também, que serão investigadas todas as denúncias feitas durante a reunião pelas entidades de pais de alunos, que apresentaram documentos relatando casos de corrupção nas associações de pais e mestres e nos conselhos de escola. Ainda de acordo com a secretária, uma comissão poderá ser formada no próximo ano com o objetivo de revisar o plano de carreira dos servidores da Educação.
Embora reconhecendo que os salários dos professores e funcionários da educação não são os desejados, a secretária insistiu que sua gestão melhorou as condições de trabalho na educação e defendeu que São Paulo tenha ensino de qualidade e para todos.
No final da reunião, Maria Helena Guimarães de Castro informou que os recursos para a rescisão do contrato de trabalho de funcionários irregularmente contratados pelas APMs serão liberados em 18/12.
O tema da violência escolar, presente no debate desta tarde, será também objeto da próxima reunião da Comissão de Educação, a realizar-se em 10/12".

(2) A agenda de reuniões da comissão de educação da Assembléia Legislativa de São Paulo
Resumo dos Trabalhos desta Comissão

2007 a 2010 - 16ª Legislatura

Reuniões Realizadas: Proposituras Deliberadas, Presença e Votação
18/03/2009 – Reunião de Pauta – SEM QUORUM
18/02/2009 - Reunião de Pauta -
11/02/2009 - Reunião de Pauta - SEM QUORUM
10/12/2008 - Reunião - CANCELADA
03/12/2008 - Reunião -
26/11/2008 - Reunião -
19/11/2008 - Reunião - SEM QUORUM
12/11/2008 - Reunião -
05/11/2008 - Reunião - SEM QUORUM
29/10/2008 - Reunião de Pauta - SEM QUORUM
15/10/2008 - Reunião de Pauta -
08/10/2008 - Reunião de Pauta - SEM QUORUM
11/06/2008 - Reunião de Pauta -
28/05/2008 - Reunião de Pauta -
22/04/2008 - Reunião -
16/04/2008 - Reunião de Pauta -
26/03/2008 - Reunião de Pauta -
05/03/2008 - Reunião de Pauta -
20/02/2008 - Reunião de Pauta
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0 #3 Acertou na Mosca!Otávio Cândido da Silva Jr. 11-03-2009 11:46
Essa sua análise é perfeita! Não podemos esquecer que esta senhora que hoje ocupa a SEE já foi a n°2 do MEC, quando o Paulo Renato era ministro tucano e fez a festa da iniciativa privada do Ensino Superior, liberando geral, a torto e direito, tudo quanto foi faculdadezinha de fundo de quintal, que passou a formar profissionais do Magistério. Aliás, DIGA-SE DE PASSAGEM,o que existiu de bom na formação do professor, em nível de Ensino Técnico, os tucanos acabaram, que foi o CEFAM. Agora é fácil chegar no Jornal Nacional, em cadeia nacional, numa matéria altamente tendenciosa e proclamar: A CULPA É DO PROFESSOR, QUE TIROU NOTA ZERO! Ora faça-me um favor, Dona Secretária, o professor hoje, na Rede Estadual, não tem sequer, à sua disposição, um apagador de quadro negro, que custa, a preço de mercado R$1,00, se quiser apagar a lousa tem que pagar do seu bolso, daqui a pouco vai ter que comprar giz também, e vem a Sra. falar em qualidade de ensino. Sugiro que essa Dona entre, sem aviso prévio, numa Escola Pública de periferia. Não precisa ser da Capital e Grande São Paulo, não! Escolha uma cidade média do interior. Entre e permaneça lá durante quatro horas para ver o que é a doce vida que os professores tem enfrentado em seu cotidiano! Aposto como ela nunca entrou sem avisar numa Escola Pública!
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0 #2 adeus inocênciaérico lopes pinheiro de paula 10-03-2009 23:58
Joáo Kleber Santana em sua entrevista para Gabriel Brito (Correio da Cidadania) expõe, com rara lucidez, a face oculta do projeto político-pedagógico vigente há anos no estado de São Paulo. Os questionamentos contundentes ali desenvolvidos nos colocam o desafio de romper com a exaltação inocente dos feitos dos grandes homens públicos e nos apresentam, sob o devido crivo democrático, a política partidária estadual das últimas décadas. É fato que Santana carece de apoios (literatura acadêmica ou respaldo legal) mais significativos em algumas das acusações que acaba por fazer, sobre o projeto PSDBista para a educação do estado, o que não invalida outras colocações do professor a respeito da prova de classificação dos temporários, por exemplo. Um rápido exame de alguns argumentos já serve para estabelecer o grau de má-fé e administração temerária em que se encontra a secretaria de educação do estado hoje. Um primeiro sinal dos entraves que o governo (e não a APEOSP) impõe à educação pública de qualidade é justamente a inexistência de um Plano Estadual de Educação. Se é certo que a responsabilidade sobre a confecção do plano não é do palácio dos bandeirantes, é mais do que certo também que ele deveria ser o maior interessado na peça, além de seu fiel guardião. A inexistência de tal plano, mesmo após 16 anos corridos de administração PSDBista, autoriza-nos a pensar que uma política de médio e longo prazo para recuperação da qualidade no ensino público está distante dos planos de Serra e Maria Helena. Seguindo a argumentação de Santana, apenas uma política de pessoal séria e comprometida pode trazer de volta o interesse e os brios do agente que executa a tarefa educacional no cotidiano das relações, no varejo da interpessoalidade. Realmente, a prova classificatória dos temporários da maneira como foi orquestrada (idealizada, aplicada e divulgada) deixa sérias dúvidas quanto ao caráter avaliativo (administrativo e formativo) que apresenta tal teste. O marketing duvidoso propagado a partir dos \"professores nota zero\" esconde a principal das realidades que se impõe ao professor real: a necessidade que a maior parte dos professores servidores públicos têm para atuarem também na rede privada para manutenção de um salário decente. Além de não serem apenas os OFAs a realizarem a seleção, como bem lembra Santana, também não se esclarece se os \"nota zero\" estão ou não na sala de aula. Esconde-se, desavergonhadamente, a realidade de que a contestação judicial da APEOESP não é em favor dos professores \"nota zero\", mas sim em favor da lisura e transparência no processo avaliativo, no gasto do dinheiro público. A secretaria consegue (e muito bem) com essa polêmica apenas a desunião, numa classe já tão combalida como a do professor, além de sabotar o projeto republicano em nome da manutenção dos privilégios via escola privada.
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0 #1 Sabotagem na EducaçãoFabio 10-03-2009 18:12
Sem querer me estender nos comentários, já que o Prof.João Kleber foi muito claro em suas críticas. Deixo minha indignação com o PSDB e seus componentes, partido no qual acreditei e apostei minhas fichas. Não foi só a Educação que eles sucatearam,mas sim o Estado completo. Distribuiram e lotearam todos os serviços de responsabilidade do Estado a uma casta de amigos e colaboradores de Campanhas. Que pena, talvez essa fosse a grande chance de mostrarem seriedade, honestidade e lisura no trato da coisa pública. Me sinto traido por esses pseudo brasileiros.
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