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Mulheres no século XXI Imprimir E-mail
Escrito por Inês Buschel   
Sexta, 06 de Março de 2009
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"Pode-se graduar a civilização de um povo pela atenção,

decência e consideração com que as mulheres são educadas,

tratadas e protegidas".

Jane Austen (1775-1817)

 

Neste dia 8 de março de 2009, mais uma vez celebraremos o Dia Internacional da Mulher. Cabe a nós refletir e avaliar as perdas e os ganhos na longa caminhada de conquistas, bem como planejar nosso futuro a curto, médio e longo prazo. Tarefa bastante difícil.

 

A primeira questão que se coloca é saber de quais mulheres estaremos falando. Sim, porque somos muitos diferentes dentro da igualdade, a começar pelas distintas etnias e classes sociais a que pertencemos por nascimento. Somos mestiças, louras, indígenas, negras, enfim, de muitas cores; temos nenhuma, pouca ou muitas posses; freqüentamos boas escolas ou não tivemos sequer educação escolar; somos boas ou más, justas ou injustas; vivemos sozinhas ou em companhia da família; temos filhos ou não; trabalhamos no ambiente doméstico, no mercado fora de casa ou fazemos as duas coisas concomitantemente; temos desejos e idades diferentes; somos homo ou heterossexuais; camponesas ou citadinas; imigrantes ou nacionais; brasileiras do norte, sul, leste e oeste.

 

Enfim, a diversidade impera entre nós e por isso não poderemos tratar de conquistas de direitos e cumprimento de obrigações de uma maneira generalizada sob pena de cometermos injustiças. Teremos de utilizar a balança da eqüidade e sempre levarmos em conta a cultura do território domiciliar de cada grupo social.

 

Pois bem. Tentaremos encontrar um denominador comum à maioria de nós: vivemos, com raras exceções, em sociedades essencialmente patriarcais onde ainda quem manda são os homens, sejam eles nossos pais, maridos, companheiros ou irmãos. Apesar de algumas pesquisas sociais já indicarem que, a partir do final do século XX, o patriarcado dá mostras de pleno declínio, levará anos para que haja uma modificação cultural substancial nessa área. O nascimento de meninas ainda não é recebido com alegria pela maioria das famílias no mundo afora.

 

Entretanto, graças à luta de muitas mulheres corajosas, vimos conquistando alguns espaços significativos de liberdade e poder. O movimento feminista mundial foi bastante vitorioso em questões de direitos humanos das mulheres, mormente no campo dos direitos sexuais e reprodutivos, embora ainda não tenhamos obtido a despenalização do abortamento e esta luta continue. A educação escolar para as meninas e ensino superior para jovens mulheres já é realidade, assim como o direito ao voto e de ser votada, o divórcio legal. Houve avanços nos direitos da mulher trabalhadora etc. Todavia, estamos longe de nos igualarmos ao poder social mantido pelos homens.

 

Desde o final do século passado e neste início do século XXI, no Ocidente, estamos sendo vítimas de uma guerra publicitária que os homens escolheram para nos dominar. Eles determinaram um padrão de beleza feminino bastante desfocado da realidade – a sofisticação da magreza - e nos impõem esse figurino através da mídia, fazendo com que muitas meninas e jovens de todas as classes sociais sucumbam a essa régua masculina e adoeçam com bulimia ou anorexia. É ilusão crermos numa solitária e individual autonomia da vontade dos humanos. Somos seres gregários e sucumbimos às pressões sociais. Tanto homens como mulheres devem reagir, juntos, a essa imposição.

 

A posse do dinheiro, em geral, continua em mãos masculinas e, sem dinheiro, as mulheres pouco ou nada podem fazer no sistema capitalista. Sem dinheiro estamos condenadas a nos submeter ao mando patriarcal. A sociedade condena moralmente a prostituição e, no entanto, essa prática é determinada essencialmente pelo poder econômico dos homens, ou seja, pela falta de dinheiro e trabalho digno para as mulheres.

 

O abuso sexual de meninas, sejam elas filhas, enteadas, sobrinhas, vizinhas, é cometido por homens que, na maioria das vezes, integram suas famílias de uma forma ou outra. As mães dessas crianças se iludem amorosamente e, como que cegas pela submissão econômica, acham impossível que tais crimes ocorram em suas próprias casas. Muitas mães embrutecidas pela miséria chegam até mesmo a pensar que essas meninas são culpadas pelo mau comportamento masculino. A "pecaminosa" visão do corpo feminino – outra regra determinada por homens que dirigem igrejas – é geradora de conflitos internos que enlouquecem.

 

Entre os desafios que vislumbramos para o futuro está a conquista de políticas públicas eficientes para a educação infantil, com a universalização de boas creches. E, na outra ponta, tendo-se em conta o aumento da expectativa de vida, políticas públicas efetivas que contemplem a proteção das mulheres idosas que, em sua grande maioria, encontram-se sozinhas.

 

Há, neste início de século, o triste fenômeno da disseminação do vírus HIV nas mulheres idosas. Elas se descuidaram da saúde talvez por falta de informação (a mídia tem como foco os jovens adolescentes e adultos letrados e esquece-se dos idosos iletrados) ou, por outro lado, na esperança de afastarem a solidão ou manterem seus atuais companheiros, submetem-se aos encantos dos homens idosos que, graças aos avanços da indústria química, reconquistaram sua potência masculina e, muitos, tornaram-se eufóricos e promíscuos.

 

Para que haja paz social e, porque não dizer, conjugal e familiar também, será preciso que a sociedade avance mais e mais na distribuição da riqueza acumulada pelo trabalho incansável de homens e mulheres. O dinheiro precisa ser repartido com eqüidade, sempre tendo como ponto de partida as condições sociais dos grupos e a valorização do trabalho doméstico. Sim, porque são as mulheres com seu trabalho cotidiano que mantém a sociedade produtiva, gerando mão-de-obra tanto para a força militar, como também para as empresas privadas e públicas. São também elas (como regra e em qualquer sociedade) que cuidam das crianças, dos idosos e dos doentes. A implementação de uma renda mínima para todos poderá ser o caminho a ser trilhado.

 

Vale, para finalizar, lembrar às próprias mulheres que temos de desenvolver uma forma social de evitar a condenação moral umas das outras. O comportamento ético deve ser valorizado, mas regras morais são adotadas individualmente e, em geral, têm sentido religioso e não são universais. A solidariedade entre mulheres deve ser incentivada desde a infância. Lembrando, ainda, às mulheres mães - e também aos pais - de meninos, que devem educá-los no sentido de que nunca violentem alguém, em especial quando se trata de uma mulher, seja ela de qualquer classe social. Isto se faz necessário porque a natureza dotou os homens de grande força física.

 

Fica aqui nossa homenagem à senadora colombiana Piedad Córdoba, mulher de sensibilidade, beleza e muita coragem, que recentemente intermediou a soltura de seqüestrados pelas FARC.

 

Inês do Amaral Büschel, promotora de justiça de São Paulo, aposentada, é associada-fundadora do Movimento do Ministério Público Democrático. Website: http://www.mpd.org.br/

 

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