Ato contra a “ditabranda” neste sábado

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Neste sábado, 7 de março, às 10 horas, ocorrerá o ato de repúdio à Folha de S. Paulo, que num editorial infame qualificou a ditadura militar brasileira de "ditabranda". Os presentes também prestarão solidariedade à professora Maria Victória Benevides e ao jurista Fábio Konder Comparato, agredidos pelo jornal, que rotulou as críticas de ambos ao editorial como "cínicas e mentirosas". O protesto ocorrerá em frente ao prédio da Folha, na Alameda Barão de Limeira, 425, no centro da capital paulista, e reunirá familiares de presos, desaparecidos e torturados pelo regime militar, intelectuais e ativistas dos movimentos sociais e das organizações de direitos humanos.

 

Todos os que lutam contra a ditadura midiática têm um compromisso militante no sábado. Como afirma Eduardo Guimarães, editor do blog Cidadania, presidente do Movimento dos Sem Mídia e organizador do ato, não dá para se omitir diante da "perniciosa e ameaçadora revisão histórica perpetrada pelo editorial da Folha, num texto que relativizou a gravidade dos crimes cometidos pelo Estado entre os anos de 1964-1985, período no qual a nação sofreu a usurpação de um golpe militar ilegal e inconstitucional". Para fustigar os inertes, ele cita um pensamento do líder negro Martin Luther King: "O que preocupa não são os gritos dos maus, mas o silêncio dos bons".

 

Pesadelos da Famiglia Frias

 

Convocado pela internet, sem qualquer logística, o ato contra a Folha pode surpreender e deixar a famiglia Frias preocupada com os disparates que difunde impunemente. Democratas de várias localidades já confirmaram presença. Manifesto de repúdio ao editorial, deflagrado por docentes da Unicamp, já reúne mais de 7 mil assinaturas – a mais recente adesão foi de Oscar Niemeyer, um símbolo da luta democrática. Como afirma o manifesto, "o estelionato semântico manifesto pelo neologismo ‘ditabranda’ é, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada pela minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pós-64".

 

O editorial da Folha, publicado nas vésperas do Carnaval, tirou a fantasia deste jornal que ainda engana alguns ingênuos com o seu falso ecletismo. Revelou que o Grupo Folhas, de propriedade da Famíglia Frias, sempre teve fortes tendências fascistizantes e golpistas. De forma habilidosa, a Folha apoiou a campanha pelas Diretas-Já, como relata o jornalista Ricardo Kotscho no livro "Do golpe ao Planalto". Mas nunca abandonou o seu instinto golpista, como ficou patente nas suas colunas favoráveis ao impeachment do presidente Lula.

 

Boicote total à Folha

 

Diante desta trajetória, a jornalista Elaine Tavares foi certeira: "Sempre me causou espécie ver a intelectualidade de esquerda render-se ao feitiço da Folha, que insistia em dizer que era ‘o mais democrático’ ou que ‘abria espaço para a diferença’. Ora, o jornal dos Frias pode ser comparado à velha historinha do lobo que estudou na França e voltou querendo ser amigo das ovelhas. Tanto insistiu que elas foram visitá-lo. Então, já dentro da casa do lobo, ele as comeu. Uma delas, moribunda, lamentou: ‘Mas você disse que tinha mudado’. E ele, sincero: ‘Eu mudei, mas não há como mudar os hábitos alimentares’. E assim é com a Folha... São os seus hábitos alimentares".

 

O editorial da Folha expressa a radicalização da direita nativa, que perde nacos do poder político e teme seu futuro – inclusive na sucessão presidencial. Diante desta exasperação, é preciso adotar medidas mais efetivas. A corajosa Maria Victória Benevides, difamada pelos estrumes da direita, já anunciou que cancelará a sua assinatura da Folha, e Elaine Tavares arrematou: "A Folha é lixo e como tal deve ser descartada. Penso eu que, se cada ser humano neste país que ficou indignado com a Folha deixar de comprá-la, ela não se sustenta. Se serve à elite, que seja alimentada por ela somente". Eu já estou cancelando a minha assinatura! Boicote total à Folha de S. Paulo.

 

Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PC do B e autor do livro "Sindicalismo, resistência e alternativas" (Editora Anita Garibaldi).

 

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Comentários   

0 #6 1984Ligeovanio Santos 09-03-2009 09:03
Aloísio, já dizia Orwell (autor de "1984") que "No tempo do logro universal, dizer a verdade se traduz num ato revolucionário". Mas para os que se nutrem da ilusão, um exercício de "duplipensar" alivia a mente de todo e qualquer vestígio de contradição.
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0 #5 luã talles 06-03-2009 18:07
eu adoraria estar presente no manifesto,apesar de ser de longe (pernambuco) estou torcendo para que seja um sucesso.concordo que devemos fazer um boicote aos órgãos da mídia que tem como função principal alienar as pessoas.
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0 #4 matéria sobre a \"ditabranda \" publicadAloisio Dias Cunha 06-03-2009 10:12
Nunca consegui entender muito bem, a razão pela qual, certos intelectuais que defendem o socialismo, assinarem colunas semanais para jornais e revistas com posições conservadoras, de direita ou que defendam o capital. Fica difícil entender.
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0 #3 Ato contra a ditabrandaPaulo Pedroso Mandágua de Alme 06-03-2009 06:59
Esse ato deveria se estender a outros orgãos da mídia, piores e muito mais alienantes e enganadores que a Folha, e o pior, sustentados com dinheiro público e de estatais. Por exemplo: Rede Globo, Band, SBT, Cultura, e tantas outros que tem uma estreita relação com o Lula e contribuem para \"manter essa pnemonia sem febre\" que vive nosso País hoje. Vamos nos libertar destes falsos saudosismos do passado e encarar nossa realidade hoje, que também não tem nada de ditabranda, mas infelizmente o Lula está conseguindo, através de sua popularidade proporcionada em grande parte pela mídia, em que as coisas estão de mal a pior, mas não aparentam, por omissão da mídia e das organizações populares que preferem falar de 64.
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0 #2 Manifesto contra a FolhaHélio 05-03-2009 14:52
Pena que não posso estar lá, mas vai meu pequeno apoio de quem não assina e não recomenda que assinem a Folha, nem Estadão, nem Veja,.. (argh).
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0 #1 Boicotar, palavra de ordem.Ligeovanio Santos 05-03-2009 13:52
Interessante a proposta de boicote desse jornaleco que nunca disperdicei lendo. Agora mais interessante seria generalizarmos o boicote a todo o "festival de besteiras que assola o país" - via mídia marionete.
Tá na hora da nação despertar pro fato de que não há nada de ingênuo no posicionamento editorial desses veículos ditos de "referência".
Referência à ignorância e bestialização, por certo.
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