Correio da Cidadania

Quaresma: partilha e solidariedade

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Quarta-feira de Cinzas, 25 de fevereiro de 2009

 

Querido(a) amigo(a),

 

Quaresma é tempo de partilha e solidariedade. Como muitos sabem, todo ano, nesta época, promovo campanha de apoio a uma obra social que acompanho pessoalmente. São iniciativas idealistas, até heróicas, quase sempre carentes de respaldo do poder público.

 

Este ano a obra escolhida é a Escola Nossa Senhora do Carmo, em Bananeiras (PB), município que dista 140 km de João Pessoa e abriga cerca de 22 mil habitantes. Trata-se de uma escola do e no campo, destinada a famílias de lavradores e pequenos agricultores.

 

Estive lá em agosto passado. Trata-se de um educandário sui generis: não é privado porque nada cobra dos alunos; não é público porque não é bancado pelo governo. Eventualmente recebe alguma contribuição do poder público, como a inclusão das turmas de EJA (educação de jovens e adultos) em programas do governo federal; a gratificação de professores e técnicos do EJA pelo governo estadual; e, da parte do poder municipal, o salário de uma professora, o transporte noturno e pequena ajuda na merenda escolar.

 

Eis o que escrevem as religiosas do Carmelo de Bananeiras, fundadoras da escola:

 

"O objetivo maior da escola é a educação do ser humano como um todo, partindo de sua realidade histórica, atingindo a sua espiritualidade como filho de Deus e seu semelhante, mormente a sua integração no meio social como agente atuante e transformador responsável pelo crescimento comunitário e social.

 

"Como pertencemos ao Carmelo, cujo estilo de vida é contemplativo e de clausura, essa vida própria das monjas nos impede assumir diretamente esse trabalho no dia-a-dia ao lado dos pobres; por isso contamos com a colaboração do grupo de amigos do nosso Carmelo que, comungando do nosso sonho, assume generosamente, com empenho e responsabilidade, todo o trabalho que a nossa clausura nos impossibilita fazer."

 

Fundada em 2003, a escola obteve terreno e construção graças a donativos dos irmãos maristas, do MEC, da Fundação Banco do Brasil (BB Educar) e do grupo de amigos(as) do Carmelo. Inaugurada com apenas oito alunos, tendo como sala de aula o acanhado cômodo da casa de um aluno-lavrador, hoje ela abriga cerca de 200 alunos de educação infantil, ensino fundamental e EJA, oriundos de 540 famílias de baixo poder aquisitivo.

 

A escola funciona nos três períodos, de segunda a sábado; a diretora e algumas professoras trabalham em regime de voluntariado; e, atualmente, dispõe de telecentro (inclusão digital, extensivo a pessoas da comunidade) e oficinas de arte (desenho, pintura, música, teatro etc.). Entre os projetos a serem realizados figuram oficinas de teatro e música; cursos profissionalizantes, para favorecer a geração de renda às famílias dos alunos; e hortas comunitárias segundo os princípios da economia solidária.

 

O educandário ocupa área de 1.200 m² com pátio (área de lazer), cinco salas (diretoria, secretaria, professores, telecentro e leitura), oito salas de aula, quatro banheiros, refeitório e cozinha.

 

O orçamento de 2008 foi de R$ 141.191,00, assim distribuídos: manutenção, R$ 5.400; material didático e expediente, R$ 2.976; material de limpeza, R$ 1.176; merenda, R$ 15.774 (há doações de alimentos das famílias dos alunos); e recursos humanos (23 funcionários), R$ 115.865 (técnico agrícola, cozinheira, coordenador pedagógico etc.). Ano passado, as contribuições dos governos municipal e estadual somaram R$ 1.745,00. Não houve contribuição do governo federal.

 

Em carta ao ex-governador Cássio Cunha Lima - a quem Chico Pinheiro, Ricardo Kotscho e eu temos recorrido em prol da escola, sem até agora obter resposta efetiva -, as irmãs do Carmelo escreveram:

 

"A procura dos pais por uma vaga na escola tem sido enorme, bem como tem crescido nossas necessidades, tais como:

 

1) Merenda escolar: distribuída nos três turnos, para muitos se constitui como a única refeição do dia. Por isso, nosso compromisso em lutar para oferecer uma merenda de qualidade que supra as necessidades nutricionais dos nossos alunos. Hoje, temos uma pequena ajuda do município, que não é suficiente para 10 dias, e é doada sem regularidade periódica, embora sejamos sempre gratos por essa ajuda. Este ano (2008), recebemos alimentos duas vezes.

 

2) Pagamento dos funcionários: na escola temos merendeiras e auxiliares de serviços gerais; algumas recebem gratificações, outras são voluntárias ... Agora temos a necessidade de pagar os professores dos anos finais de ensino fundamental, implantados na escola a partir deste ano (2008) por demanda da comunidade.

 

3) Transporte Escolar: a escola trabalha com nove comunidades de seu entorno, e grande tem sido a necessidade de um transporte escolar como condução para os alunos; muitas crianças andam uma distância, em média, de quatro quilômetros para chegar à escola, o que no tempo das chuvas se torna um grande transtorno, devido aos lamaçais. Temos dificuldade de levar as crianças para aulas de campo e os professores para visitas às comunidades, de modo a conhecerem a realidade e o universo dos alunos com quem trabalham. Hoje, temos uma ajuda do município no transporte escolar para os alunos da EJA, mas também de forma irregular; sempre que há eventos municipais não temos transporte; já houve mês com menos de 50% por cento da freqüência escolar por conta da falta do transporte.

 

4) Fardamento: a identificação do alunado torna-se necessidade básica de manutenção.

 

5) Material didático/expediente e energia elétrica: temos uma despesa mensal em torno de R$ 746,00; fazemos campanha de arrecadação para a manutenção, e nem sempre conseguimos todo o necessário.

 

6) Material lúdico/pedagógico: temos uma grande necessidade de brinquedos educativos para trabalhar o lúdico na sala de aula, como recurso metodológico.

 

7) Construção: pela demanda da educação e trabalho desenvolvidos, há necessidade de terminar a construção da escola, onde temos a estrutura pronta para construirmos mais três salas de aula, que seriam destinadas a uma sala de recursos, biblioteca e brinquedoteca. Também há necessidade da construção de um ginásio de esporte; não há nenhum nas proximidades".

 

Se você se sente sensibilizado por esta obra, qualquer contribuição é bem-vinda, ainda que R$ 1. O valor pode ser depositado no Banco do Brasil, Agência 0527-4. Conta Poupança: Carmelo Sagrado Coração de Jesus/ Escola - número 10059897-8.

 

Para quem precisa de recibo, entrar em contato com a diretora Profa. Leila Rocha Sarmento Coelho: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou (83) 93059010.


Se puder divulgar a seus amigos(as), agradeço. Deus lhe pague!

 

Meu abraço com amizade e paz, e votos antecipados de Feliz Páscoa,

 

Frei Betto

 

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Comentários   

0 #4 antonieta 26-09-2009 05:15
acho que partilhar é muito importante
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0 #3 Parabéns!Miriam Cristina Giubbina de Me 02-03-2009 13:50
Olá!sou prof de ed infantil da maior prefeitura do país e dou meus parabéns pelo projeto.Fico pensando em nossos alunos da periferia de sampa,nada diferente de nossos irmãos nordestinos.Existe uma máscara por detrás dessa suposta educação para o povo.Ao menos nossos ninos ganham leite,uniforme e material.lametável...Porisso que vale aquela lenda do cara q dormiu 100 anos ,o mundo mudou,mas a escola continua a mesma.
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0 #2 CLETO JOÃO STÜLP 28-02-2009 22:07
FREI BETTO, SOU PADRE DA DIOCESE DE CHAPECÓ/SC, E LEMBRAMOS COM CARINHO DE TUAS ASSESSORIAS... SEGUIMOS LENDO TEUS ESCRITOS PARA SER UMA IGREJA PARTICIPATIVA E DE LUTA. VAMOS COLABORAR SIM COM MAIS ESSA INICIATIVA EM BANANEIRAS/PB. ATENÇÃO: SANTA CATARINA É O ÚNICO ESTADO DO BRASIL QUE NÃO TEM DENFESORIA PÚBLICA. AJUDE A DIVULGAR ESSA DESGRAÇA. IREMOS ENCAMINHAR UM ABAIXO-ASSINADO COMO AÇÃO PRÁTICA DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE. A INJUSTIÇA SOCIAL É A MAIOR CAUSA DA VIOÊNCIA! ABRAÇOS, CLETO.
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0 #1 Escola da solidariedade-NSra do CarmoJulio Cezar Monnerat 28-02-2009 07:40
frei Betto,
sugiro que a escola crie um sistema de carnês mensais para possamos automatizar os pagamentos mensais.
A escola forneceria relatórios dessas arrecadações também a evolução (ou involução) da participação dos poderes públicos e as necessidades da escola, a fim se motivar a continuidade das contribuições ou então a não necessidfade delas porque o poder público assumiu a responsabildade(quem dera!)
um abraço e parabéns ! Isso é jeuar ae fazer abstinência...
Julio Cezar monnerat- Belo Horizonte- Par. Sta Maria Mãe de Deus.
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