Ainda sobre Gaza

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Como vimos no comentário anterior, mesmo que os argumentos dos defensores da ação do Estado de Israel contra Gaza e os palestinos fossem verdadeiros, eles não justificariam a agressão, nem o massacre da população civil.

 

Outro problema consiste em que boa parte desses argumentos não é verdadeira. As "razões históricas" são extremamente polêmicas, e talvez devessem ser deixadas de lado, se houver a intenção de chegar a uma paz duradoura. Hoje, apenas os judeus fundamentalistas (e é certo que os há), e os desavisados ou desinformados, as defendem. E, do mesmo modo que a maioria dos israelitas, a maioria dos palestinos não é fundamentalista, nem terrorista.

 

É certo que a maior parte do mundo árabe ainda oprime as mulheres, da mesma forma que os norte-americanos oprimiam os negros até os anos 1960, os australianos oprimiam os aborígenes até os anos 1970 e os brancos da África do Sul oprimiam os negros até bem menos tempo.

 

Mas, que se saiba, isso jamais foi argumento para justificar bombardeios aéreos e invasão de tanques. E, se o não-reconhecimento da existência de um Estado por outro fosse argumento justo para a guerra, os palestinos teriam o direito de invadir Israel, já que este também não reconhece o direito de existência de um Estado palestino.

 

O pior de tudo é que, com o uso de argumentos tão pouco consistentes, o governo de Israel está paulatinamente impondo a seu povo os mesmos males que os nazistas impuseram ao povo alemão. A cada aventura militar do Estado israelense contra os palestinos, sua portentosa capacidade bélica torna-se mais duvidosa e seu isolamento político internacional cresce. E isso, diga-se de passagem, mesmo considerando que tais aventuras se dirigiram contra forças que, teoricamente, não gozam de reconhecimento internacional, como o Hizbollah e o Hamas.

 

Esses insucessos, aliados aos gastos exorbitantes das guerras, mesmo "curtas", tornam evidente que armas inteligentes, espionagem e interferência nas políticas internas palestinas não resolvem um problema que não diz apenas respeito ao Hamas, ao Fatah e a outros grupos, terroristas ou não, mas a um povo inteiro. E, se não há a intenção de eliminar tal povo da face da Terra, a única arma viável é a política da negociação, que conduza ao reconhecimento, tanto do Estado de Israel, quanto de um Estado Palestino, independentemente da existência e da ação de grupos terroristas como o Hamas.

 

Nas recentes eleições, onde os partidos que defendem o reconhecimento de um Estado palestino foram proibidos de participar, o povo israelense parece não haver conseguido impor esta compreensão a seu governo, como condição para a conquista de uma paz duradoura. A consolidação da direita política em Israel é a vitória da política das armas. E, quando tal política fala mais alto, a democracia pode transformar-se em seu contrário, com resultados impensáveis.

 

Diante disso, infelizmente, mais cedo ou mais tarde, o povo israelita pode se ver, num sarcasmo trágico da história, diante dos mesmos dissabores e frustrações com os quais o povo alemão se confrontou, como conseqüência do terrorismo de Estado do governo nazista.

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

 

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Comentários   

0 #1 bernardo kucinski 22-02-2009 09:31
Caro Pomar:
Nenhum partido politico foi proibido de participar das eleições em Israel.Concorrem mais de 30 partidos.entre so quais os que defendem um estado binacional, os que defendem ume stado palestino, os que defendem as flores, os animais, o escambau.E partido comunista também. Peço que você corrija de forma clara e ostensiva essa informação que é difamatória.
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