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O Carnaval e Minas colonial Imprimir E-mail
Escrito por Frei Betto   
Sexta, 20 de Fevereiro de 2009
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Em sua origem o Carnaval era festa religiosa. Proibidos de comer carne e manter relações sexuais durante o período da Quaresma, os cristãos reservavam os três dias que antecedem a quarta-feira de Cinzas para se fartarem. Aos excessos da mesa e da cama se acresceram bailes a fantasia, marchas e desfiles. Com o tempo, o Carnaval paganizou-se e, hoje, sob outro prisma, continua a corresponder à sua etimologia: festa da carne...

Brasileiros e estrangeiros contemplam, embevecidos, os desfiles de escolas de samba. Causam admiração a suntuosidade dos carros alegóricos, os ricos detalhes das fantasias, os enredos, a música, o requebro das mulatas e o gingado dos passistas.

 

Ora, o primeiro desfile que, sem exagero, pode ser considerados primórdio do Carnaval no Brasil ocorreu em Vila Rica, atual Ouro Preto, em 1733, e foi descrito em detalhes pelo português Simão Ferreira Machado, que a tudo assistiu. Trata-se do Triunfo Eucarístico, procissão que transladou a eucaristia da igreja do Rosário à inauguração da igreja do Pilar.

Cinco elevados arcos, a boa distância um do outro, assinalavam o trajeto do cortejo. As ruas atapetavam-se de cenas bíblicas modeladas com serragem colorida, borra de café, farinha, areia, sal, vidro moído, folhas e flores. Aqui um desenho evocava a primavera; ali, os mistérios da distante Arábia. Crianças negras se vestiam como príncipes, mucamas como rainhas, mendigos como doutos cardeais.

 

À frente da procissão, figuras em trajes militares representavam mouros e cristãos. A cada esquina o cortejo fazia pausa para encenar o conflito através de animada dança. Do alto de carros alegóricos, primorosamente pintados, a tudo assistiam o Imperador e o Alferes, interpretados por renomados atores. O carro maior, em forma de abóbada, ocultava um cavaleiro que, saído de dentro, montava a cabeça da serpente, símbolo da vitória do bem sobre o mal.

Atrás, quatro figuras a cavalo representavam os ventos Norte, Sul, Leste e Oeste. O Oeste, soprado na estridência de uma trombeta revestida de fitas multicores, trazia à cabeça uma caraminhola de tisso branco. Na fronte, um laço de fita de prata, cor-de-rosa, exibia ao centro um broche pontilhado de diamantes. O Vento Leste cobria-se com um cocar de plumas brancas cingido de arminhos. O capilar de seda branca do Vento Norte, guarnecido de galões de prata, estampava flores verdes. O Vento Sul trazia borzeguins cobertos de penas e, nas costas, duas asas; na mão esquerda, uma trombeta, da qual pendia um estandarte de cambraia transparente, bordada a mão, com aplicações de laços de fita de prata em cores rosa e vermelho.

 

Atrás dos ventos vinham as ninfas com os cabelos semi-encobertos com turbantes bordados de prata e muitas pérolas. Vestiam seda com franjas de prata. Do ombro esquerdo de cada uma pendia, por cordão de ouro, a aljava; no braço direito, o arco; na mão, a seta. A mão esquerda conduzia um cão perdigueiro preto, de cujo dorso pendiam fitas azuis; tinham o pescoço enroscado por cascavéis de prata.

 

Atrás despontava a Fama montada a cavalo, coroada por um toucado de diamantes em forma de flores. O peito recobria-se de renda em ouro e pedrarias e, nas costas, abriam-se duas asas marchetadas. A mão direita empunhava um estandarte com a pintura, numa face, da Arca da Aliança e, na outra, uma custódia. Acolitavam-na dois pajens de fraldins rubros e corpetes holandeses, e com asas nos chapéus, nas costas e nos pés.

 

Surgia em seguida a Lua, montada em formoso cavalo branco coberto com manta ajaezada toda bordada em prata. Revestia-lhe a cabeça um turbante azul bordado com pérolas.

 

Atrás vinha Marte cercado por três figuras com toucas mouriscas de carmesim de prata e fitas verdes derramadas sobre os ombros. A figura do meio tocava caixa de guerra; a da esquerda, pífano; a da direita, trombeta.

 

Rodeado por um colar de anjos, despontava o Sol, a cabeça coroada de luzes, a cabeleira em fios de ouro. Vestia tisso cor de fogo, o peito coberto de diamantes unidos por costura em ouro. Dali erguia-se um círculo de raios em ouro e pedras preciosas. Nas mãos, uma harpa dourada.

Os negros faziam soar charamelas, pífanos, tambores e trombetas, dançando em roda no centro da qual se erguia um alemão a soprar um estridente clarim. Os fiéis das irmandades fechavam o desfile, ou melhor, a procissão, trajando damasco carmesim franjado de ouro, opas de seda branca e chamalote verde. Encobriam o cabelo com chapéus de plumas.

 

Num dos carros triunfais, puxado por duas águias coroadas de ouro, Júpiter se destacava. Vênus se projetava em outro carro em forma de concha que, por engenhoso artifício, movia-se como que tocada pelo balanço das águas do mar.

Nunca se soube quem bancou tamanho esplendor que, segundo o anônimo mecenas, deveria refletir a magnificência digna das glórias celestiais.

 

Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Marcelo Barros, de "O amor fecunda o Universo – ecologia e espiritualidade" (Agir), entre outros livros.

 

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