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Balanço de 2008 Imprimir E-mail
Escrito por Pergentino Mendes de Almeida   
Qui, 12 de Fevereiro de 2009
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Ocorreu uma avalanche de surpresas em 2008. Em março, os preços das commodities subiram desmesuradamente. Houve quem ficasse rico com isso. Outros se animaram a apostar nos futuros, uns se arruinaram, outros não sei. A África iria morrer de fome. Outro dia li que a mesma safra de grãos (se não me engano a do ano passado, mas estou citando de memória apenas) foi vendida e revendida oito a dez vezes. A cada venda, é claro, alguém ganhava. Oito a dez vezes, talvez mais vezes, o lucro pode ser maior do que o valor da safra. E cada dólar de capital investido no mundo real gerou trinta dólares de aplicações em papel (fonte: presidente Barack Obama, na entrevista coletiva à imprensa, de fevereiro de 2009, transmitida ao vivo pela CNN).

 

Aí eu me perguntei: e quando a safra for colhida, quem paga e quem entrega? Fortunas são criadas dessa forma, os caixas aumentam, os derivativos se multiplicam, é tudo como uma imagem num jogo de espelhos: multiplicada por dez, por vinte, trinta... Qual é o limite? Se você ganha, alguém vai pagar o equivalente, ou vai ter de trabalhar o suficiente para, abdicando de parte de sua remuneração, conseguir cobrir o que você ganhou. Mas será que não existe um limite, digamos, inevitável, físico, a essa brincadeira? Afinal, o dia só tem 24 horas e a semana 7 dias, como multiplicar isso indefinidamente?

 

Eis uma pergunta que não cabe na lógica dos nossos economistas: tudo vira apenas um jogo contábil. O ano encerra em 31 de janeiro e ponto, ou qualquer outra data conveniente. Economista é como um guarda-livros que não se preocupa com coisas concretas, desde que as contas estejam certas: ativo igual a passivo, sempre. Se não estiverem, a gente acerta. As contas, a gente as fazia com lápis, papel, máquina de calcular – e hoje potentes e modernos programas de computador fazem as contas para nós (ou por nós, caso em que podemos ser despedidos para economizar custos), mesmo que não saibamos multiplicar 9 por 7. É tudo no papel, tudo exato como a aritmética, e se não der certo é porque a safra errou, a economia errou, mas não as contas, como provam os cálculos do computador e modelos mais sofisticados. Computador não erra, a safra, sim, pode errar.

 

O petróleo subiu para quase 150 dólares o barril. Aí houve previsões de que até dezembro de 2008 ele estaria em 450 dólares o barril. Em dezembro de 2008, ele estava a 40 dólares, mais ou menos uns trocados, como antes (hoje, 11 de fevereiro de 2009, ouvi na televisão que o barril de petróleo caiu abaixo dos 37 dólares, o que deixou muita gente triste). Mas, em março de 2008, diziam: é isso aí, bicho, surpresa! Foi a China que entrou no jogo com seus dois bilhões de consumidores ou mais.

 

Ah, bem. A China. Ela não existia antes de março de 2008. Foi uma surpresa, de repente dois bilhões de pessoas apareceram no mercado global. Apareceram assim, sem mais nem menos. E a China, onde estava escondida até então, que ninguém via? Em que manga do colete ela escondia esses dois bilhões de habitantes? Não é espantoso? E o que dizer da Índia e da África, então?

 

Então, espantemo-nos. De resto, quem ganhou dinheiro na jogada não se espantou. Mas isso não vem ao caso. Prosperidade da população americana até 2008 e daí por diante? Sim, se você puder manter uma economia falida e um balanço de pagamentos negativo indefinidamente, só comprando, consumindo mais e sem produzir proporcionalmente mais, apenas porque o mundo todo está ávido por juntar o papel que você imprime e chama de dinheiro. Então você dilui a sua inflação e a sua crise pelo resto do mundo e fortalece a sua própria economia, enfraquecendo as demais, principalmente as que já são mais fracas, ainda que a sua moeda seja humilhada (em 2008) pelo real, uma obscura moeda de um país do sul do equador. Não é a Venezuela, quem é mesmo?

 

Os fundamentos da economia americana são piores do que os piores brasileiros de antigamente, mas o resto do mundo arca com isso e a americana continua impávida em seu rumo, pelo progresso da economia liberal e da democracia mundial. Todos desejam dólares (ah, que falta faz o padrão-ouro, apenas para desmascarar a hipocrisia do sistema que Nixon inventou). Títulos, futuros, papel-moeda e derivativos dolarizados são espalhados pelo mundo todo, diluindo a fraqueza de economia americana, a maior do mundo, exportando suas mazelas e concentrando o fascínio, a dominância e a atração que o poder garante. O Muro caiu faz mais de vinte anos, então quem vai dizer que não, que o poder não garante, que o poder não pode?

 

Depois veio a crise americana. Fruto apenas da ambição dos hedge funds, de banqueiros e da avidez dos consumidores, do leverage (alavancagem), de especuladores e da falta de critérios dos bancos hipotecários, que não sabiam o que fazer com o volume de dinheiro que ameaçava a afogá-los numa enxurrada de liquidez. Em conseqüência, esses bancos começaram a aceitar créditos cada vez mais arriscados, até os chamados créditos podres (tóxicos) – desde que a juros maiores, cada vez maiores, tudo aliado à prosperidade da classe média, maioria da população americana, que via aí a oportunidade de realizar seus sonhos, variações do Grande Sonho Americano. Se não, o que fazer com essa dinheirama que o governo Bush espalhava sem critério, para dar isenções de impostos aos mais ricos e, ao mesmo tempo, financiar a supremacia americana contra o Eixo do Mal, os franceses, os russos, a ONU, e mais a guerra no Afeganistão, a invasão e ocupação do Iraque, a bilhões de dólares semanais?

 

É a ambição humana, fazendo um replay do musical de 1929. A crise. Bem feito, quem mandou? A ambição humana estava sossegada, feliz com as certezas de que o mercado livre é como um hospital de missionários brancos e abnegados na Namíbia e que ninguém precisa preocupar-se com a negrada: os agentes, individualmente, são egoístas e ambiciosos, e isso garante que, no seu conjunto, o mercado se comporte de modo benemérito, benéfico e nobre.

 

Pois, sabíamos todos, sem qualquer dúvida, que o conjunto de propósitos egoístas, individuais e ambiciosos gera, no seu todo, um certo equilíbrio, uma média focada irrestritamente pela Mão Invisível para o bem comum, para o desenvolvimento social, para o fim da pobreza e das misérias humanas. Portanto, viva à livre iniciativa, à liberdade de competição e de trânsito de capitais, aliadas às atividades assistenciais do Estado para garantir a estabilidade social, necessária ao crescimento do capital em nível global. Tudo mais ou menos na linha de atuação do Banco Central brasileiro, em conjunto com o Bolsa-Família.

 

No Brasil, a crise era para ser no máximo uma marola, assim disse sua excelência, nosso líder máximo (com 84% de aprovação, qual a oposição que é suficientemente honesta para opor-se-lhe?). O mais retrógrado sistema de poder da política neoliberal, apoiada nos interesses financeiros liderados por banqueiros internacionais, foi implantado no Brasil pela direita, sob o disfarce de um governo popular, populista, esperto, escondido atrás de uma fantasia de esquerda. Lula, líder operário, que, como a mãe, nasceu analfabeto, é apenas uma máscara e talvez nem saiba disso. Não se apiedem dele e de seu despreparo, pois ele nem está interessado nessas coisas mais sérias. Nem jornal ele lê. Guia-se pelas últimas fofocas do Palácio, pelo menos as que lhe contam. E pelo Jornal Nacional e pelo Fantástico. Então, como vão ficar as coisas a partir de 2009?

 

Eu havia dito para um cliente meu: aguardemos Davos, que lá estão os luminares e dirigentes do mundo todo e eles sabem mais do que nós. Ademais, têm o Poder e as Intenções. Pois bem, aguardamos – e veio a resposta: eles também não sabem.

 

E o Fórum Social de Belém (chamado de esquerda, por contraposição a Davos), o que tem a dizer? Nada concreto, nenhuma alternativa ao pior dos mundos em que o liberalismo nos colocou. Pois é como disse o dr. Boaventura de Sousa Santos, professor da Universidade de Coimbra numa crônica publicada na Folha: "Esta não é a crise final do capitalismo e, mesmo que fosse, talvez a esquerda não soubesse o que fazer dela".

 

Pergentino Mendes de Almeida é diretor da LPM, empresa de pesquisas atuante desde 1969. Website: http://www.lpm-research.com.br/home.htm

 

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