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‘Sem explosão social, não haverá saída para a sociedade’ Imprimir E-mail
Escrito por Gabriel Brito   
Terça, 10 de Fevereiro de 2009
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Por conta de uma manifestação popular que tomou proporções inesperadas, com confrontos entre moradores e policiais, a favela do Paraisópolis, uma das maiores do continente, encontra-se sitiada por uma imensa operação militar para controle dos distúrbios.

 

Para analisar a situação, o Correio da Cidadania conversou com o deputado estadual Carlos Gianazzi. Na visão do parlamentar do PSOL, o fato de todo o caos ter sido deflagrado a partir da morte de um jovem evidencia que há complexos ingredientes em meio a explicações simplificadoras, que atribuem tais revoltas à ação do crime organizado ou à mera iniqüidade popular.

 

Giannazi acusa o governo de não possuir uma real política de segurança pública, que se restringiria a ações imediatas, sem atacar os determinantes da miséria, razão maior dos distúrbios. A prática de uma política de ‘higienização’ da cidade, que consiste em desalojar parcelas carentes da população e despachá-las para a periferia, seria uma dessas ações.

 

Em tempos de crise, o deputado acredita que somente através de explosões sociais, mesmo que localizadas, o governo começará a atender às demandas da população, carente de infra-estrutura e renda em diversos locais da capital e do estado de São Paulo. "Caso contrário, ainda teremos muitos Paraisópolis pela frente, cada vez mais".

 

Correio da Cidadania: A presente operação policial, com centenas de viaturas e oficiais, na favela do Paraisópolis caracteriza que estado de coisas na cidade?

 

Carlos Giannazi: Primeiramente, acreditamos que o Estado deve garantir a segurança da população. Tenho acompanhado alguns trabalhos feitos na favela de Paraisópolis, inclusive de escolas da região, com professores, alunos, pais e, enfim, é uma região que possui uma intensa vida social, política e até econômica.

 

No entanto, foi muito estranho a dimensão do ocorrido. Em nossa opinião, em conversas com quem mora lá, foi algo muito pontual. Houve um enfrentamento de alguns grupos com a polícia e toda a polêmica foi causada em seguida. O que nos preocupa agora na intervenção da PM, de importante função na situação, é que a favela se encontra num estado de sítio. Inclusive, moradores inocentes têm sido prejudicados, sendo tratados como bandidos.

 

Defendemos que a PM trabalhe no combate ao crime, principalmente organizado e do narcotráfico, presente tanto lá como em outros lugares. No entanto, a polícia colocou um enorme aparato que serve apenas para impressionar a opinião pública e, em especial, os moradores do Morumbi, bairro que representa e abriga parte da elite da cidade, com grandes condomínios, mansões e muito luxo.

 

E há o lado curioso: grande parte da população da favela trabalha nesses condomínios, como empregados, porteiros e jardineiros, sem contar que na região também se localiza o palácio do governo.

 

Acreditamos que o governo fez uma intervenção dessa envergadura não tanto para combater o crime organizado, mas, sobretudo, para mostrar à opinião pública e imprensa que tem o controle da situação. Duvido que numa outra favela, na periferia distante, o governo teria o mesmo comportamento.

 

CC: Como avalia a política de segurança do governo, especialmente no que diz respeito à secretaria de segurança, representada por Ronaldo Marzagão?

 

CG: É um verdadeiro fracasso. Não há política de segurança pública no estado, o que ficou evidenciado na greve da Polícia Civil, que ficou mais de 60 dias paralisada, expondo para a opinião pública toda a falta de estrutura e o sucateamento da instituição, que trabalhava sob condições até desumanas.

 

A própria Polícia Civil mostrou à população que não há segurança pública. E foi tão grave que o próprio governador ordenou à PM, através da tropa de choque, que enfrentasse e espancasse os policiais civis que protestavam em frente ao Palácio dos Bandeirantes.

 

Portanto, estamos à deriva na área de segurança pública no estado de São Paulo, pois não se percebe a existência de tal política.

 

CC: A truculência estatal para lidar com a população excluída não pode ser benéfica para o próprio crime organizado, que pode canalizar para si a fúria popular local, aumentando sua influência e até credibilidade entre os moradores?

 

CG: Certamente. Essa truculência não leva a nada. Uma coisa é repressão ao crime organizado, ao narcotráfico, aos criminosos em geral. É importante e defendemos essa política, da ação preventiva, de repressão ao crime e, sobretudo, de ação da polícia científica, inteligente. Essa sim pode desmontar o crime organizado e efetuar a prevenção. Mas como isso praticamente não existe, podemos dizer que estamos mesmo à deriva.

 

CC: Paraisópolis, segunda maior favela paulistana, é uma das localidades que mais receberam projetos assistenciais, de diversas origens, nos últimos anos e mesmo assim pouco se viu mudar em sua cruenta realidade. O confronto dos moradores com a polícia após a morte do jovem, estopim de tudo, não escancara a ineficácia e esterilidade dessas políticas nas comunidades carentes?

 

CG: Sem dúvida. Até porque o trabalho assistencialista, apesar de seus méritos, não ataca as principais causas da violência na nossa sociedade, inclusive em Paraisópolis, que são a desigualdade social, a falta de mobilidade social, agora a crise econômica...

 

Em meio a tal situação, os programas assistenciais de ONGs, empresas e pessoas de boa vontade não dão conta, tamanha a desigualdade em nosso país, especialmente em Paraisópolis, que vive um grande paradoxo: de um lado a favela, com 80 mil habitantes; do outro, um dos bairros mais ricos da América latina, com moradores que detêm grande parte do PIB nacional.

 

Portanto, somente programas assistenciais não resolvem a situação. Precisamos realizar uma verdadeira reforma na sociedade brasileira, na economia e na distribuição de renda. Isso, sim, começaria a amenizar a questão da criminalidade e da degradação social. Se não se mexer nesse ponto, não se resolverá nada.

 

CC: Não se abre a necessidade ou oportunidade de a esquerda e movimentos sociais se aproximarem de tais comunidades e fazê-las despertar para uma luta social mais ampla e conscientizada? Existe este tipo de incursão, de forma efetiva, nessas áreas urbanas?

 

CG: Na verdade, já se faz um pouco disso. No PSOL, temos um trabalho, principalmente na periferia da cidade, com setores populares mais massacrados, no sentido de desenvolver uma consciência política e crítica, para que a população reaja. Porém, fazemos esse trabalho no sentido político, não no assistencial. Estamos realizando tal trabalho pelo desenvolvimento do senso crítico; não no sentido partidário, mas para que o morador de uma periferia entenda sua condição e se conscientize de que pode alterá-la através da mobilização social, do processo coletivo. Rompendo as estruturas, mas sempre coletivamente, pela organização e pressão sobre o Estado brasileiro.

 

Temos vários trabalhos nessas áreas, em parceria com os movimentos de moradia, de defesa da saúde pública, da educação gratuita, isto é, movimentos de conscientização através dos quais a população entra em contato com seus direitos constitucionais.

 

CC: Sabe-se que a favela fica em meio a bairros de alto padrão e que possui vias de acesso para lugares públicos de relevância na metrópole, como o estádio do Morumbi, local de difícil entrada e saída. Lembrando que há uma campanha pelo estádio do Morumbi como sede paulista da Copa de 2014 a todo vapor, estaríamos já diante de sorrateiros prenúncios dos recorrentes desalojamentos da população, para ‘limpar a área’ dessa comunidade e assim dar início às obras necessárias para o evento?

 

CG: Com certeza. O governo já tem como política a idéia de higienização da população pobre. O governo não ataca as causas da pobreza, ataca os pobres. Não ataca as causas da miséria, mas sim as vítimas dela. E afastar e esconder essas pessoas na periferia faz parte do processo. Essa tem sido uma tendência do governo Serra e do prefeito de São Paulo Gilberto Kassab. Sendo que a política de criminalização dos movimentos sociais e higienização da população é mais intensa na capital.

 

Eu não tenho dúvidas de que por trás dessa forte repressão - pelo menos aparente, com viaturas nas ruas, policiais aos montes - está também a Copa do Mundo, com a polícia controlando qualquer manifestação popular na região.

 

Só iremos resolver a questão da segurança pública investindo recursos do Estado no combate à desigualdade social, na distribuição da renda, na execução da reforma agrária. Caso contrário, ainda teremos muitos Paraisópolis pela frente, cada vez mais.

 

Em Americanópolis, já houve distúrbios neste último final de semana, uma região pobre que foi vítima do abandono do governo, cuja falta de infra-estrutura levou a uma justa revolta da população. Uma mulher morreu dentro de casa vítima de uma enchente, produto da leviandade e incompetência da atual prefeitura, que começou com uma obra na região, não terminou e permitiu que uma vida fosse ceifada pela cheia de um córrego.

 

CC: Sendo assim, podemos estar diante de um coquetel perigoso. Em tempos de crise e aumento do desemprego, excessivas repressões do governo poderão provocar verdadeiras explosões sociais, a seu ver?

 

CG: É, acho que a população terá que explodir mesmo. A única maneira de o governo e o poder público reagirem e canalizarem gastos públicos para demandas da população é através da explosão.

 

A sociedade terá de se mobilizar e se manifestar de diversas maneiras, de preferência pacificamente. Às vezes não é possível, pois ela é jogada nesse processo de violência e responde da mesma maneira.

 

Porém, se não houver explosão social, não haverá saída para a sociedade brasileira.

 

Gabriel Brito é jornalista.

 

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Última atualização em Sexta, 13 de Fevereiro de 2009
 

A publicação deste texto é livre, desde que citada a fonte e o endereço eletrônico da página do Correio da Cidadania




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