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Escrito por Luiz Eça   
Segunda, 26 de Março de 2007
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Pouca gente festejou o  aniversário da Guerra do Iraque. Não a maioria do povo iraquiano, em benefício de quem a guerra teria sido promovida. Ele não recebera os soldados invasores com flores, mas esperava que as coisas melhorassem muito depois de Saddam Hussein. Ninguém estava satisfeito com um regime desumano que havia reduzido consideravelmente o nível de vida geral, muito em conseqüência do embargo do petróleo.

 

Cedo, as ilusões se foram. Quando os invasores tomaram posse do país, em vez de estabelecerem um governo independente, os iraquianos perceberam que não foram libertados, mas conquistados.

 

O Iraque deixou de existir como Estado independente, sendo instaurada uma nova ordem, com a edição de 100 decretos em substituição à revogada Constituição do país. Posteriormente, a eleição de um parlamento e a formação de um governo “soi disant” autônomo  pouco mudaram na ordem das coisas.

 

E quais foram os resultados?

 

A renda média nacional caiu de U$ 3 mil em 1980 para U$ 800

em 2004. A pobreza aumentou: 30% da população, de 2003 até fins de 2005. 2 milhões  sobrevivem com rendimentos de até 2 dólares por dia (Ministério do Trabalho). E o desemprego chegou a cerca de 70% da população ativa.

 

Em conseqüência da destruição da economia e da violência da guerra, 2 milhões de iraquianos (10% da população) emigraram, sendo que 1,9 milhão deles depois de terem perdido suas moradias.

 

Natural que o povo iraquiano  considere a “cruzada de libertação” um presente de grego.  Bem ou mal, ele tinha um Estado organizado, com leis, instituições e serviços públicos funcionando. Talvez mal, muito mal mesmo em áreas como direitos civis e  economia, afetadas pelo embargo da ONU. Mas, apesar de Saddam Hussein, o Iraque continuava uma das mais poderosas e modernas potências do Oriente Médio. E ,afinal, o ditador não era eterno... A invasão,a ocupação e a  explosão  da insurgência causaram o caos e a morte de 65 mil (Iraq Body Count) a 100 mil civis (The Lancet).                                                    

 

 Manfred Novak, investigador especial da ONU, observou que: “A situação está tão ruim que muitas pessoas dizem que ficou pior do que nos tempos de Saddam”.

 

Recentes pesquisas dão razão a ele. Para 90% da população, “antes era melhor do que agora” (Gulf Research e Irak Centre For Research And Strategic Studies).

 

Esta mal querença se estende às forças de ocupação. 80% da população não confiam nelas (pesquisa da BBC). E 51% acham certo atacar os soldados.   

 

No entanto, há quem esteja feliz com guerra. Como a insurgência, que está cada vez mais atuante – só em janeiro, realizou 180 atentados (jornal militar “Stars and Strripes”). E a Al Qaeda e similares: segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres, a invasão motivou muitos voluntários a entrarem nos movimentos terroristas, o que aumentou os atentados em todo o mundo de 2.639, em 2004, para 3.991, em 2005 (Instituto Nacional para a Prevenção do Terrorismo).

 

Mas quem faz mais jus aos parabéns é a indústria bélica, que já faturou bilhões dos fabulosos orçamentos militares americanos, e, principalmente, as grandes  do petróleo.

 

O Iraque possui as segundas maiores reservas mundiais de petróleo comprovadas, calculadas em 112 bilhões de barris, havendo mais 220 bilhões previstas.

 

Esse tesouro das mil e uma noites está indo para as “big five” do mundo do petróleo : Exxon/Mobil, Chevron/Texaco, Conoco/Phillips, BP/Amoco e Royal Dutch Shell. Mesmo antes da invasão, elas influenciaram um grupo de trabalho do Departamento de Estado dos EUA, que  recomendou : “o Iraque deveria ser aberto às companhias de petróleo internacionais tão rápido quanto possível depois da guerra, através dos contratos PSA” (Ibrahin Bahr al Uloum, membro do grupo e ministro do Petróleo em 2005).

 

O projeto das “big five” avançou quando decreto do governo provisório americano privatizou as petrolíferas.

 

Nos anos seguintes à invasão, uma nova lei foi então gestada pelos governos americano e inglês, com a participação das “big five”. Em meados de 2006, foi aprovada pelo primeiro-ministro Maliki e ministros, faltando apenas a aprovação final do Congresso.

 

Ela determina que os campos petrolíferos passem a ser explorados pelas multinacionais, através dos contratos PSA (Production Sharing Agreements), que destina parte dos lucros a elas, entregando o saldo ao Iraque. O problema é que o PSA é tão desvantajoso que nenhum país petrolífero do Oriente Médio o adota. E, ainda por cima, vai amarrar o país por um prazo de 35 anos.              

 

Greg Muttitt,(da ONG PLATFORM) sustenta que o prejuízo do Iraque poderia ir de 74 a 194 bilhões de dólares, mais de 6 vezes o orçamento anual, considerando-se um preço de 40 dólares o barril. Bem mais se o cálculo fosse feito a partir da cotação do petróleo agora, que  é de 60 dólares.

 

As “big five” têm insistido para que o governo Maliki mande logo seu projeto ao parlamento. Mas ele hesita.Talvez porque, como diz James Paul, diretor executivo do Global Policy Fórum: “Sem exageros, a esmagadora maioria da população se oporia a essa lei”.

 

Mas o governo americano pressiona e Maliki tem medo de perder seu apoio...Entre o povo e a Casa Branca, ele fez sua escolha. Em 21 deste mês, assessores  anunciaram à Associated Press que a lei do petróleo breve irá ao Congresso, para aprovação até fins de junho.

 

Se tudo der certo, as grandes petrolíferas ganharão o melhor dos presentes de aniversário. A menos que a oposição, o ativo sindicato dos trabalhadores e a insurgência se unam para negar aos americanos os parabéns que eles estão ansiosos para receber.

 

 

Luiz Eça é jornalista.

 

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Última atualização em Terça, 10 de Abril de 2007
 

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